Guerra na Ucrânia. Relatório da ONU denuncia violência sexual "generalizada" contra civis e prisioneiros de guerra
Um relatório do Escritório de Direitos Humanos da ONU denunciou esta sexta-feira um "padrão chocante" de violência sexual "generalizada" contra civis e prisioneiros de guerra no conflito na Ucrânia, maioritariamente cometidas pelas forças russas que invadiram o país em fevereiro de 2022.
Desde essa altura, indica o relatório, 1.004 casos de violência sexual foram registados e verificados pelo organismo da ONU, sendo que, destes, 89% foram cometidos por membros das forças russas e 11% pelo lado ucraniano.
De acordo com o relatório, a maioria das vítimas eram homens, por terem acontecido maioritariamente sob detenção. "As violações cometidas incluem violação em grupo, violação, mutilação genital, choques elétricos e espancamentos nos órgãos genitais, bem como outros atos degradantes de natureza sexual", lê-se no comunicado sobre o relatório.
Mulheres e crianças também foram vítimas desta violência sexual, tendo a vítima mais nova sido uma menina de quatro anos e a mais velha uma mulher de 82 anos. "Ambos os casos foram praticados pelas forças russas", notou o escritório das Nações Unidas, que sublinhou que nenhum caso de violação propriamente dita foi praticado pelas forças ucranianas.
"No território ucraniano controlado pelo governo, quase metade das violações atribuídas às autoridades ucranianas contra prisioneiros de guerra e detidos russos e de países terceiros envolveu ameaças de violência sexual e espancamentos nos órgãos genitais", lê-se.
No caso das forças russas, "muitos dos homens sobreviventes afirmaram ter sido atingidos com um taser nos órgãos genitais, utilizando um telefone de campo militar da era soviética conhecido como 'tapik'", indica a ONU, sublinhando que foi uma "forma comum de violência sexual usada contra prisioneiros de guerra ucranianos".
À Reuters, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia disse que este relatório demonstra "a dimensão das violações dos direitos humanos perpetradas pela Rússia", sem comentar diretamente as alegações contra as forças de Kiev. Já a Rússia, contactada pela agência, não comentou o relatório.
O comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, disse estar "profundamente alarmado pela prevalência destes atos aberrantes documentados" e disse "temer que estejam seguramente a continuar".
E o próprio relatório admite que os números são "representativos" mas realça que este tipo de violência "é subnotificada", não tendo a Rússia colaborado com a ONU nesta recolha.

