Primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez
Primeiro-ministro espanhol, Pedro SánchezEPA/Mariscal

Guerra dos EUA e Israel contra o Irão é "ilegal, absurda e cruel". "Desastre absoluto", afirma Pedro Sánchez

Primeiro-ministro espanhol reafirmou no parlamento a posição de Madrid contra o conflito. "A última coisa que o mundo precisava era de outra guerra. E, neste caso, uma guerra ilegal, absurda e cruel”.
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O primeiro-ministro espanhol referiu-se esta quarta-feira, 25 de março, à operação conjunta dos EUA e Israel contra o Irão como "um desastre absoluto".

Pedro Sánchez reafirmou no parlamento espanhol a posição de Madrid contra o conflito no Médio Oriente, tendo assinalado que já há “quase 2000 mortes confirmadas, mais de quatro milhões de deslocados no Irão e no Líbano", além de "uma grave contração no turismo, no comércio marítimo e no tráfego aéreo global, e um aumento drástico do preço dos hidrocarbonetos, matérias-primas essenciais para o bom funcionamento da economia global e também para a segurança alimentar”.

Perante os deputados, lembrou que, em 2003, José María Aznar, então primeiro-ministro, “arrastou Espanha para a loucura da guerra do Iraque". Agora, afirmou Sánchez, "o cenário é muito pior, com um potencial de impacto muito mais vasto e muito mais profundo".

Falou nos efeitos da guerra em Espanha, além do aumento dos preços dos combustíveis, referindo-se, por exemplo, ao impacto no principal índice da Bolsa de Valores espanhola, o Ibex35, indicando que "as empresas espanholas perderam mais de 100 mil milhões de euros em apenas um mês, quase 5 mil milhões de euros por dia neste conflito”. “E tudo para quê?”, questionou. “Para minar o direito internacional, desestabilizar o Médio Oriente, reacender os conflitos no Iraque e no Líbano e enterrar Gaza sob os escombros do esquecimento e da indiferença", lamentou Pedro Sánchez.

"Do que podemos ter a certeza é que deste conflito não resultarão salários mais altos, nem habitações mais acessíveis, nem melhores serviços públicos. E esta é a verdadeira tragédia", afirmou.

Sublinhou que "a última coisa que o mundo precisava era de outra guerra". "E, neste caso, uma guerra ilegal, absurda e cruel que nos afasta dos nossos objetivos económicos, sociais e ambientais e das prioridades das pessoas", considerou.

Recorde-se que Madrid não autorizou os EUA a usar as bases espanholas para operações na guerra contra o Irão, posição criticada por Donald Trump. “Somos um país soberano que não quer participar em guerras ilegais”, argumentou Sánchez.

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