Emmanuel Macron condenou esta segunda-feira, 15 de junho, o ataque russo da última madrugada contra a capital ucraniana que fez, pelo menos, 11 mortos e destruiu o Mosteiro de Kiev-Petchersk, monumento do século XI classificado como Património Mundial da UNESCO, afirmando que “nada justifica este ataque ao nosso património universal”. Moscovo alega que não atingiu o histórico mosteiro, garantindo que o local foi atingido por um míssil de defesa aérea Patriot, de fabrico norte-americano. Já o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, insiste que os russos atacaram “deliberadamente” o mosteiro. “Este ataque apenas fortalece a nossa determinação em fazer tudo, com os nossos aliados e parceiros, para trabalhar por um cessar-fogo que a Rússia continua obstinadamente a recusar, e, posteriormente, pela paz. Lutaremos por isso na cimeira do G7 em Évian”, declarou o presidente francês, referindo-se à reunião dos líderes sete maiores economias do mundo da qual é anfitrião e que se realiza até quarta-feira. Macron sublinhou ainda que a cimeira é uma oportunidade para discutir um maior apoio à Ucrânia com Trump, trazendo os EUA “para a mesma mesa que nós”.Depois de um porta-voz do seu governo ter condenado os ataques contra Kiev, o chanceler alemão fez uma antecipação da reunião do G7, mostrando esperança de que “pela primeira vez, se abra uma janela para a diplomacia” sobre o fim da guerra. De acordo com a Reuters, Friedrich Merz disse esperar discutir esta questão de forma mais aprofundada com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Évian.Também o presidente do Conselho Europeu referiu que “os bombardeamentos e ataques maciços” russos da madrugada de ontem “são mais um lembrete de que a Rússia continua a sua escalada”. “Mas o tempo não está a favor da Rússia”, prosseguiu António Costa. “Quando os líderes do G7 se reunirem hoje [ontem] em Évian, discutiremos como aumentar a pressão sobre a Rússia para que se sente à mesa das negociações em busca de uma paz justa e duradoura na Ucrânia”.Esta segunda-feira, Zelensky revelou ter proposto um encontro com Vladimir Putin durante o G7, com o objetivo de negociar o fim da guerra, adiantando que o presidente russo não se mostrou disposto a conversar. “Deixámos claro que estamos prontos para nos encontrarmos com Putin durante o G7, uma vez que Trump e Macron estão lá, ou seja, europeus e americanos. Esta é uma boa, aliás, uma excelente, oportunidade para nos reunirmos”, disse o presidente ucraniano, citado pela Reuters. “A Europa e os EUA concordaram, e a Rússia demonstrou mais uma vez que não está disposta a dialogar”.Este convite foi revelado um dia depois de Zelensky ter falado por telefone com o presidente dos EUA, sendo que o Kremlin noticiou também no domingo que Trump havia falado com Putin. “Discutimos muitos temas importantes: sobre a guerra, as suas origens, as oportunidades diplomáticas e as posições dos nossos parceiros. Falámos longamente. Com muitos detalhes”, revelou Zelensky após a chamada.O ucraniano - que descreveu a conversa como “maravilhosa” - adiantou ainda que os dois concordaram em continuar a discutir no G7 ideias para a paz. “Discutimos o que poderia ajudar a aproximar a paz agora, e informei o presidente sobre os últimos acontecimentos no campo de batalha e como a nossa posição se fortaleceu”, prosseguiu Zelensky. “Temos algumas boas ideias que podem ajudar a aproximar a paz e a proteger vidas”.Quanto à conversa entre Trump e Putin - que, segundo o Kremlin, durou 55 minutos e foi “amigável”-, esta incluiu também uma discussão sobre o fim da guerra, com o conselheiro da presidência russa Yuri Ushakov a interpretar o telefonema como uma promessa do presidente dos EUA de “exercer influência” sobre a Europa e a Ucrânia.“Trump enfatizou mais uma vez a necessidade de pôr fim às hostilidades militares”, disse Ushakov, acrescentando que o norte-americano “afirmou estar preparado para exercer influência tanto sobre os parceiros europeus como sobre Kiev, incluindo durante os próximos contactos na cimeira do G7”.Trump e Putin terão ainda acordado que os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner voltariam à Rússia “em breve”. Falando ontem sobre esta possibilidade, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo disse esperar que “eles relatem a forma como os norte-americanos planeiam implementar os acordos, com base inteiramente na sua própria proposta”, afirmou Sergei Lavrov, citado pela TASS..Zelensky fala em “paz digna e duradoura” na véspera de novas conversações com EUA e Rússia