A Arménia é esta terça-feira, 5 de maio, palco da sua primeira cimeira bilateral com a União Europeia, que se segue ao encontro desta segunda-feira da Comunidade Política Europeia (CPE), que juntou na capital arménia líderes de mais de 40 países europeus (o alemão Friedrich Merz foi o grande ausente, em contraste com a estreia do não europeu Canadá) e das instituições de Bruxelas para discutirem temas como o conflito no Médio Oriente e a relação com os EUA, mas também a influência russa e a guerra na Ucrânia. Mas, como explicou o presidente do Conselho Europeu, na sua declaração após a cimeira desta segunda-feira e já a pensar no encontro desta terça-feira, um dos objetivos foi o reforçar dos laços entre a Europa e a Arménia e o Cáucaso do Sul, afastando a região da interferência russa. “O facto de estarmos todos aqui hoje [segunda-feira], é uma poderosa demonstração da corajosa trajetória geopolítica do país. Uma trajetória que a Arménia e a União Europeia trilham juntas. É também por isso que amanhã [hoje] realizaremos a primeira cimeira UE-Arménia”, referiu António Costa, sublinhando que “a cimeira da EPC de hoje [terça-feira] centrou-se na luta contra a interferência estrangeira nos processos democráticos, bem como no poder da conectividade para criar parcerias económicas vantajosas para todos”.Bruxelas tem vindo a estreitar relações com a Arménia desde a invasão russa da Ucrânia, vista como um marco da diminuição da influência de Moscovo na região - que considera como o seu “exterior próximo” - devido à aposta no conflito contra Kiev.Para que esta situação não se inverta, é esperado que esta terça-feira o primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pashinyan, António Costa e a presidente do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, acolham o projeto de uma missão civil europeia de dois anos para ajudar Erevan a combater a interferência russa no país. Londres discute empréstimoComo Costa também referiu, a cimeira desta segunda-feira serviu para mostrar que “continuamos a perseguir o objetivo de uma paz justa e duradoura na Ucrânia”. Volodymyr Zelensky manteve vários encontros bilaterais - desde Jonas Gahr Støre, da Noruega, Keir Starmer, do Reino Unido, Mark Rutte, da NATO, e até os menos amistosos em relação a Kiev Andrej Babis, da República Checa, e Robert Fico, da Eslováquia - tendo apelado ao aumento do apoio militar a Kiev, mas também à abertura das primeiras etapas das negociações para a adesão à UE e à continuação das sanções contra a Rússia.Na sua intervenção na cimeira, o líder ucraniano apelou ainda ao estabelecimento de conversações diretas com o Kremlin, tema que divide os líderes europeus, mas que conta com o apoio do francês Emmanuel Macron. “Estamos em contacto com os EUA e compreendemos os seus pontos de vista e posições, mas seria bom desenvolver uma voz europeia comum para as negociações com a Rússia”.Paralelamente, Ursula von der Leyen reuniu-se com Starmer para discutir a participação de Londres no empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros a Kiev. Participação que poderá servir de entrada ao Reino Unido no SAFE, o programa de defesa de 150 mil milhões de euros do bloco. Tensão entre Aliyev e MetsolaA cimeira desta segunda-feira foi palco de um momento de tensão entre o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, e a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, com o primeiro a acusar o PE de “obsessão” e de “espalhar calúnias e mentiras” sobre o seu país, anunciando a suspensão da cooperação entre as duas partes. Na sua intervenção, feita por videoconferência, Aliyev afirmou que os eurodeputados comportam-se como se quisessem “sabotar” o processo de paz com a Arménia - mediado pelos EUA em 2025 - referindo-se à adoção de 14 resoluções críticas ao Azerbaijão, classificando-as como “uma espécie de obsessão”.Por outro lado, o líder azeri elogiou a Comissão Europeia por fomentar as relações bilaterais, numa altura em que Bruxelas quer alargar a sua relação não só com o Azerbaijão, país exportador de petróleo e gás, mas com toda a região do Cáucaso do Sul. “O Parlamento Europeu é um órgão democrático eleito diretamente, com resoluções adotadas por maioria”, respondeu Metsola. “Compreendemos que os resultados possam ser desconfortáveis para alguns, mas nunca mudaremos a forma como trabalhamos”..Ucrânia tira protagonismo ao Irão no primeiro dia de Conselho Europeu.UE quer a adesão de Kiev ao bloco no acordo de paz e tem um plano para o fazer