EUA propõem taxa de 200 mil dólares a navios espanhóis em retaliação por bloqueio de armas para Israel
Os Estados Unidos estão a ponderar aplicar uma taxa de 200 mil dólares (cerca de 180 mil euros) a navios espanhóis e a restringir importações do país devido ao bloqueio de transportes de armas imposto pelo Governo de Pedro Sánchez, que levou a que Madrid recusasse a atracagem em portos espanhóis de navios que transportem armamento para Israel.
A Comissão Marítima Federal (CMF), órgão independente responsável pelo comércio marítimo norte-americano, propôs a aplicação destas duas medidas após uma investigação que dura desde dezembro de 2024. Em causa estão três situações em que navios de bandeira norte-americana que transportavam carga de armamento não puderam atracar nos portos de Cartagena e Algeciras e tiveram de ser desviados para Marrocos.
Segundo a CMF, a entidade encontrou "provas conclusivas de que a Espanha negou o acesso aos seus portos a navios com pavilhão dos EUA e de que estas ações criaram condições desfavoráveis ao transporte marítimo no comércio externo", algo que traz "graves consequências para a eficiência e fiabilidade da cadeia de abastecimento do transporte marítimo internacional".
Para além do pagamento desta taxa, lê-se no comunicado, a entidade propõe ainda "restrições na importação de certos bens espanhóis para os Estados Unidos", incluindo artigos de "perfumaria e cosméticos, óleos e gorduras, cerâmica, artigos de pedra, açúcar e produtos de confeitaria".
A Espanha e os Estados Unidos têm estado em conflito aberto, em termos comerciais e diplomáticos, com o governo de Pedro Sánchez a discordar da política externa dos EUA e a criticar abertamente a guerra no Irão e o apoio norte-americano à atuação do exército israelita.
Estas propostas de sanções divulgadas pela CMF vão passar agora por uma fase de consulta pública para "ajudar a decidir qual a solução adequada para fazer face às condições de transporte marítimo desfavoráveis criadas pela Espanha". A decisão final estará nas mãos do Presidente dos EUA, Donald Trump.

