O secretário de Estado norte‑americano, Marco Rubio, alertou esta quarta-feira, 22 de julho, que permitir ao Irão controlar o estreito de Ormuz criaria um “precedente perigoso” com consequências para além do Médio Oriente, onde Teerão e Washington retomaram as hostilidades.“Se criarmos um precedente no Médio Oriente em que um Estado pode decidir controlar uma via marítima internacional, cobrar uma taxa e afundar navios se não se pagar, estaremos a abrir caminho a que isso se repita noutras partes do mundo, incluindo nesta região”, afirmou Rubio numa reunião com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) em Manila.O responsável sublinhou que o Irão reivindica um direito “sem qualquer base jurídica existente” ao controlar o tráfego no estreito de Ormuz.“Há um princípio fundamental de liberdade de navegação que está ameaçado. A economia mundial está em risco, tal como as regras que regem o comércio internacional há 150 anos, e não podemos deixar que isso aconteça”, acrescentou. .EUA lançam 11.º ataque noturno contra o Irão. O exército norte‑americano lançou esta madrugada o 11.º ataque noturno contra o Irão, numa nova vaga de bombardeamentos que se soma à escalada de violência no Médio Oriente e que tem ofuscado os esforços diplomáticos do Paquistão para salvar o acordo de cessar‑fogo interino, entretanto violado.Teerão voltou a bloquear o estreito de Ormuz e Washington retomou o bloqueio de portos iranianos, num confronto que ameaça alargar‑se ao mar Vermelho e agravar ainda mais a economia global.A escalada fez subir os preços da energia, com o petróleo Brent a ultrapassar os 91 dólares (83 euros) por barril e a gasolina nos EUA atingiu em média quatro dólares (3,6 euros) por galão. .Cotação do Brent sobe 2,01% para 91,01 dólares devido à crise no Médio Oriente. O secretário de Estado garantiu que os EUA permanecem “abertos a negociações construtivas”, mas lamentou que as autoridades iranianas “não levem as conversações a sério”. “Se forem sérios, nós também seremos. Se não forem, faremos o necessário para proteger os nossos interesses e os dos nossos aliados”, disse.Rubio participa na reunião ministerial da ASEAN e tem previstos encontros paralelos com países do Quad (Índia, Japão, Austrália) e, mais tarde, com o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi.As declarações de Rubio surgem num contexto em que a região Ásia‑Pacífico enfrenta também os agressivos movimentos da China no mar do Sul da China, outra rota crucial para o comércio mundial.As Filipinas, que este ano assumem a presidência rotativa da ASEAN, foram um dos países mais atingidos pela crise energética e em março decretaram estado de “emergência energética” por um ano, para facilitar acordos de compra, incluindo pactos com a Rússia.Na declaração final da reunião ministerial, a ASEAN renovou o apelo “a todas as partes envolvidas” para que exerçam moderação e evitem “qualquer ato que possa agravar ainda mais a situação”, reafirmando a necessidade de manter a segurança marítima e as rotas comerciais abertas.“Expressamos a nossa profunda preocupação com qualquer medida discriminatória ou unilateral que possa impedir ou obstruir a passagem de navios pelo estreito de Ormuz”, sublinhou o texto aprovado pelos ministros..Irão volta a retaliar contra infraestruturas da Amazon.Trump e os ataques contra o Irão: "Ainda não terminámos"