Os Guardas da Revolução alegam ter atingido alvos norte-americanos no Koweit, Jordânia e Bahrein depois da décima noite consecutiva de bombardeamentos dos EUA ao Irão. Em particular, dizem que a sua força aeroespacial, com recurso a mísseis de cruzeiro, “destruiu” a infraestrutura central de dados da Amazon, no Bahrein. Afirmou também que “os sistemas de defesa aérea dos EUA e as instalações de radar nas áreas do Bahrein de Muharraq e Riffa também foram alvo”. Não houve confirmação dos danos nem por parte das autoridades baremitas nem por parte da empresa do bilionário Jeff Bezos, convertido num dos apoiantes de Donald Trump.É a terceira vez desde o início da guerra que o Irão alega ter atingido instalações da Amazon no Bahrein. No início de março, a empresa norte-americana confirmou que um centro de dados comercial foi danificado por um ataque de drone, no Bahrein, logo nas primeiras horas da guerra. Também nessa altura outros dois centros de dados da Amazon Web Service (AWS) nos Emirados Árabes Unidos foram diretamente atingidos por drones, tendo causado danos estruturais. No início de abril, novo ataque à infraestrutura da Amazon, desta feita ao centro de dados da AWS. Nessa mesma altura, os Guardas da Revolução emitiram um aviso de que iriam alvejar empresas dos Estados Unidos nos países vizinhos. A lista continha 17 empresas norte-americanas, a maioria das quais tecnológicas, e uma dos Emirados. A Amazon não constava da lista. .Houthis juntam-se ao Irão com bloqueio naval à Arábia Saudita.Além dos danos diretos a alvos militares ou económicos dos EUA, os ataques do Irão centram-se nos países vizinhos na esperança de que estes pressionem Washington a pôr fim às hostilidades, diz à Al Jazeera Abdullah al-Shayji, professor de Ciência Política na Universidade do Koweit. Mas esta é uma estratégia falhada, considera o académico, uma vez que Trump “não consultou os estados do Golfo antes de iniciar esta guerra e não honrou o que tinha sido acordado”.Ao receber o presidente do Líbano Joseph Aoun na Casa Branca, o presidente dos EUA não comentou os danos infligidos nas infraestruturas norte-americanas, antes nas iranianas. “Se saíssemos agora mesmo, levaria ao Irão 20, 25 anos para se reconstruir. Mas não vamos embora agora”, disse Donald Trump, questionado sobre a perspetiva de não se alcançar um acordo de paz. Instado a comentar a notícia do Wall Street Journal de que os serviços israelitas identificaram a transferência de material nuclear iraniano de Natanz para uma montanha vizinha (Kuh-e Kolang Gaz La, conhecida nos EUA como Pickaxe), Trump afirmou: “Vamos atingir essa área muito provavelmente em breve, e não há nada que possam fazer a respeito.” Sobre o anúncio da véspera de que os houthis iriam bloquear os navios sauditas no estreito de Bab al-Mandeb, o presidente norte-americano disse que o seu país iria “tratar do assunto” caso a ameaça dos rebeldes iemenitas se concretize. Enquanto Trump recebia o homólogo libanês e dizia que as forças israelitas que ocupam o sul do país dão-se “muito bem” com o exército do Líbano e que estão a ser “redistribuídas” para outras áreas, soldados israelitas dispararam tiros de aviso ao identificarem tropas libanesas a atravessar a sua zona de segurança na área de Zawtar al-Sharqiyah. Israel comprometeu-se em retirar de duas zonas-piloto em favor do exército libanês..Trump e os ataques contra o Irão: "Ainda não terminámos"