Os esforços diplomáticos para terminar com a guerra no Irão, em curso desde 28 de fevereiro, continuam, apesar da troca de ameaças entre os países envolvidos neste conflito do Médio Oriente.A mais recente proposta de um plano para acabar com as hostilidades foi enviada aos EUA e ao Irão pelos países mediadores, Egito, Paquistão e Turquia, segundo avançou esta segunda-feira, 6 de abril, a Associated Press (AP), que cita duas fontes oficiais. Em cima da mesa estão a ser analisadas propostas que incluem um cessar-fogo de 45 dias e a reabertura do estreito de Ormuz. Um plano pensado para ser cumprido em duas fases. De acordo com a AP, espera-se que um cessar-fogo de 45 dias possa dar tempo suficiente para aprofundar as negociações entre os dois países, com vista a uma trégua permanente.O Irão fez saber que está a analisar a mais recente proposta de paz. Sabe-se, no entanto, que, segundo a Reuters, que cita um alto responsável iraniano, Teerão não irá reabrir o estreito de Ormuz em troca de um cessar-fogo temporário.O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, referiu que o regime de Teerão formulou a sua resposta ao plano de duas fases. O responsável iraniano adiantou que as negociações são "incompatíveis com ultimatos e ameaças de cometer crimes de guerra". Isto depois de o presidente dos EUA anunciar um novo ultimato ao Irão caso o estreito de Ormuz não seja reaberto.Recorde-se que Donald Trump ameaçou o Irão ao afirmar que caso o estreito de Ormuz não seja reaberto a todo o tráfego marítimo, centrais elétricas e pontes iranianas serão alvo de bombardeamentos. Este ultimato do presidente norte-americano termina às 01h00 de quarta-feira em Portugal continental. "Terça-feira será o Dia da Central Elétrica e o Dia da Ponte, tudo reunido num só, no Irão. Não haverá nada igual!! Abram o maldito estreito, seus bastardos loucos, ou vão viver no inferno — vão ver! Louvado seja Alá”, escreveu nas redes sociais.Esmaeil Baghaei disse ainda que Teerão tinha um conjunto de requisitos baseados nos seus interesses nacionais que já tinham sido transmitidos através de canais intermediários. O responsável recordou que as propostas dos EUA, nas quais se inclui um plano de 15 pontos, foram rejeitadas por serem "excessivas". "O Irão não hesita em expressar de forma clara aquilo que considera serem as suas exigências legítimas, e isso não deve ser interpretado como um sinal de cedência, mas sim como um reflexo da sua confiança na defesa das suas posições", afirmou Baghaei."Formulámos as nossas próprias respostas", anunciou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, adiantando que mais informações serão dadas a conhecer "a seu tempo".Não há, porém, um posição oficial dos EUA face a esta nova proposta de paz, mas fonte familiarizada com os esforços diplomáticos disse à Reuters que o chefe do exército paquistanês esteve em contato "a noite toda" com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi.No domingo, o site de notícias norte-americano Axios já tinha informado que os EUA, o Irão e países mediadores do conflito estavam a negociar um possível cessar-fogo de 45 dias, como parte de um acordo em duas fases."Ataque a instalações energéticas é ilegal e inaceitável", diz Costa O presidente do Conselho Europeu, António Costa afirmou que, após cinco semanas de guerra no Médio Oriente, "torna-se claro que só uma solução diplomática resolverá as suas causas profundas".Numa mensagem divulgada na rede social X, o antigo primeiro-ministro português afirmou que "qualquer ataque a infraestruturas civis, principalmente instalações energéticas, é ilegal e inaceitável", referindo que a população civil iraniana seria "a principal vítima de uma expansão da campanha militar" levada a cabo por uma operação conjunta dos EUA e Israel.Costa revelou que teve um contacto recente com o presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, durante o qual disse que a União Europeia pediu ao Irão para que termine com os ataques contra países da região, e apelou a que Teerão permita “o restabelecimento da plena liberdade de navegação através do Estreito de Ormuz”. António Costa disse que só as negociações, concretamente os esforços diplomáticos em curso liderados pelos parceiros regionais, podem permitir um cessar-fogo e um caminho para a paz..Brent avança 0,70% após novo ultimato de Trump a Teerão para reabrir Estreito de Ormuz .Custo da dívida portuguesa já sobe com a nova guerra, mas com Ucrânia e tarifas de Trump foi pior