O ex-líder cubano, Raúl Castro, junto ao presidente Miguel Díaz-Canel, em 2023.
O ex-líder cubano, Raúl Castro, junto ao presidente Miguel Díaz-Canel, em 2023.FOTO:EPA/ERNESTO MASTRASCUSA

EUA acusam Raúl Castro de conspiração para matar pelo papel no derrube de dois aviões há 30 anos

Quatro pessoas, entre elas três cidadãos norte-americanos, morreram a 24 de fevereiro de 1996. Antigo líder cubano era, na altura, ministro da Defesa.
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O Departamento de Justiça dos EUA acusou esta quarta-feira (20 de maio) o ex-líder cubano Raúl Castro, de 94 anos, de conspiração para matar cidadãos norte-americanos, destruição de uma aeronave e homicídio no caso do derrube de dois aviões há 30 anos que causou a morte de quatro pessoas, incluindo três cidadãos norte-americanos.

Castro era então ministro da Defesa e é suspeito de ter autorizado esta ação, com o procurador-geral interino, Todd Blanche, a esperar que possa ser julgado nos EUA - arriscando pena perpétua.

“Por quase 30 anos, as famílias de quatro norte-americanos assassinados esperaram por justiça”, disse Blanche numa conferência de imprensa na Florida, indicando que há outros cinco acusados no processo (nomeadamente os pilotos cubanos envolvidos).

"Os EUA e o presidente Trump não esquecem e não se esquecerão dos seus cidadãos", acrescentou.

A acusação contra Castro prende-se com o derrube, a 24 de fevereiro de 1996, de dois aviões da organização humanitária Hermanos al Rescate, que na década de 1990 sobrevoava o estreito da Florida à procura de balsas com cubanos que tentavam fugir da ilha para os poder ajudar (Cuba alegava contudo que realizavam operações secretas contra a revolução).

Três norte-americanos e um cubano residente nos EUA - Carlos Costa, Armando Alejandre, Mario Manuel de la Peña e Pablo Morales -, morreram nesta ação da Força Aérea Cubana, que ao contrário do que Havana disse, ocorreu em águas internacionais.

Os EUA condenaram na altura o derrube dos aviões civis, com recurso a mísseis e, dias depois, o então presidente Bill Clinton consolidou na lei o embargo a Cuba (decretado em fevereiro de 1962), através da lei Helms-Burton.

Esta determinou, por exemplo, que só o Congresso pode suspender qualquer parte do embargo e proibiu o presidente dos EUA de remover as restrições comerciais à ilha até que esta legalizasse a atividade política e se comprometesse com eleições livres e justas.

Raúl Castro sucedeu ao irmão Fidel à frente dos destinos de Cuba em 2008, mantendo-se no cargo até 2018 - quando Miguel Díaz-Canel assumiu a presidência.

Mas continua a ser uma força nos bastidores do regime cubano, que Washington tem estado a pressionar desde que, em janeiro, prendeu o líder venezuelano Nicolás Maduro (que também tinha acusado de narcotráfico e que deteve numa operação militar) e cortou os laços entre Caracas e Havana.

O presidente cubano reagiu de imediato à acusação contra Castro. A acusação, escreveu no X, “apenas revela a arrogância e a frustração que a firmeza da Revolução Cubana e a unidade e força moral da sua liderança provocam nos representantes do império”.

E acrescentou: “Trata-se de uma ação política, sem qualquer fundamento legal, que procura apenas reforçar a tese que estão a fabricar para justificar a insensatez de uma agressão militar a Cuba.”

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