O Departamento de Justiça dos EUA acusou esta quarta-feira (20 de maio) o ex-líder cubano Raúl Castro, de 94 anos, de conspiração para matar cidadãos norte-americanos, destruição de uma aeronave e homicídio no caso do derrube de dois aviões há 30 anos que causou a morte de quatro pessoas, incluindo três cidadãos norte-americanos. Castro era então ministro da Defesa e é suspeito de ter autorizado esta ação, com o procurador-geral interino, Todd Blanche, a esperar que possa ser julgado nos EUA - arriscando pena perpétua.“Por quase 30 anos, as famílias de quatro norte-americanos assassinados esperaram por justiça”, disse Blanche numa conferência de imprensa na Florida, indicando que há outros cinco acusados no processo (nomeadamente os pilotos cubanos envolvidos)."Os EUA e o presidente Trump não esquecem e não se esquecerão dos seus cidadãos", acrescentou. A acusação contra Castro prende-se com o derrube, a 24 de fevereiro de 1996, de dois aviões da organização humanitária Hermanos al Rescate, que na década de 1990 sobrevoava o estreito da Florida à procura de balsas com cubanos que tentavam fugir da ilha para os poder ajudar (Cuba alegava contudo que realizavam operações secretas contra a revolução). Três norte-americanos e um cubano residente nos EUA - Carlos Costa, Armando Alejandre, Mario Manuel de la Peña e Pablo Morales -, morreram nesta ação da Força Aérea Cubana, que ao contrário do que Havana disse, ocorreu em águas internacionais. Os EUA condenaram na altura o derrube dos aviões civis, com recurso a mísseis e, dias depois, o então presidente Bill Clinton consolidou na lei o embargo a Cuba (decretado em fevereiro de 1962), através da lei Helms-Burton. Esta determinou, por exemplo, que só o Congresso pode suspender qualquer parte do embargo e proibiu o presidente dos EUA de remover as restrições comerciais à ilha até que esta legalizasse a atividade política e se comprometesse com eleições livres e justas. Raúl Castro sucedeu ao irmão Fidel à frente dos destinos de Cuba em 2008, mantendo-se no cargo até 2018 - quando Miguel Díaz-Canel assumiu a presidência. Mas continua a ser uma força nos bastidores do regime cubano, que Washington tem estado a pressionar desde que, em janeiro, prendeu o líder venezuelano Nicolás Maduro (que também tinha acusado de narcotráfico e que deteve numa operação militar) e cortou os laços entre Caracas e Havana.O presidente cubano reagiu de imediato à acusação contra Castro. A acusação, escreveu no X, “apenas revela a arrogância e a frustração que a firmeza da Revolução Cubana e a unidade e força moral da sua liderança provocam nos representantes do império”. .E acrescentou: “Trata-se de uma ação política, sem qualquer fundamento legal, que procura apenas reforçar a tese que estão a fabricar para justificar a insensatez de uma agressão militar a Cuba.”.Rubio oferece "uma nova relação entre EUA e Cuba" e diz que o único obstáculo é quem governa a ilha.EUA planeiam acusar formalmente Raúl Castro. Aumentam os receios de intervenção militar em Cuba.Presidente cubano alerta para "banho de sangue" se EUA atacarem a ilha