O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, alertou esta segunda-feira (18 de maio) para o "banho de sangue" que terá lugar se os EUA forem em frente com as suas ameaças e atacarem a ilha. E sublinhou o direito do seu país a "defender-se", depois de notícias vindas dos EUA que alegam que os cubanos têm mais de 300 drones russos e iranianos e estariam a pensar usá-los."As ameaças de agressão militar contra Cuba por parte da maior potência mundial são sobejamente conhecidas", escreveu numa mensagem no X, lembrando que só a ameaça "constitui um crime internacional".Díaz-Canel alega que, a concretizar-se essa ameaça, haverá "um banho de sangue com consequências incalculáveis, para além do impacto destrutivo na paz e estabilidade regional".O presidente cubano insiste que a ilha "não representa uma ameaça, nem tem planos ou intenções agressivas contra qualquer país", nomeadamente os EUA, alegando que a Administração norte-americana sabe isso..Díaz-Canel não se refere diretamente às notícias de que Cuba teria adquirido drones militares russos e iranianos, mas acrescenta que a ilha tem direito a defender-se."Cuba, que já sofre uma agressão multidimensional por parte dos EUA, tem o direito absoluto e legítimo de se defender contra uma ofensiva militar, um direito que não pode ser usado, lógica ou honestamente, como desculpa para impor uma guerra contra o nobre povo cubano", concluiu.No domingo, o site norte-americano Axios revelou que Cuba teria adquirido mais de 300 drones e estaria a considerar usá-los para atacar a base militar norte-americana na ilha, em Guantánamo, além de navios de guerra dos EUA e até Key West, na Florida.Também nas redes sociais, o chefe da diplomacia cubano, Bruno Rodríguez, disse que Cuba "defende a paz e está preparada para enfrentar agressões externas no exercício do seu direito à autodefesa, reconhecido pela Carta da ONU"."Sem qualquer justificação legítima, o governo dos EUA está a construir, dia após dia, uma narrativa fraudulenta para justificar a guerra económica implacável contra o povo cubano e a eventual agressão militar", enfatizou, dizendo que os media são "cúmplices" desse crime..Cuba tem sofrido crescentes pressões desde que os EUA cortaram o fornecimento de energia após a detenção do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro. Nas últimas semanas, o combustível esgotou-se e a eletricidade só está disponível durante uma ou duas horas por dia.A Reuters noticiou, na semana passada, citando uma fonte do Departamento de Justiça norte-americano, que os procuradores dos EUA estão a planear acusar o antigo líder cubano Raúl Castro pelo abate, em 1996, de dois aviões operados por um grupo humanitário norte-americano fundado por exilados cubanos - os Brothers to the Rescue ou Hermanos al Rescate..EUA planeiam acusar formalmente Raúl Castro. Aumentam os receios de intervenção militar em Cuba.Presidente de Cuba admite risco de ataque dos EUA e pede preparação da população