O Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, admitiu esta quinta-feira, 23 de abril, que o país deve preparar-se para uma eventual agressão dos Estados Unidos (EUA), afirmando que, no atual contexto, Washington poderá tentar atacar a ilha caribenha.Em entrevista ao portal Ópera Mundi, o chefe de Estado cubano considerou que “é possível que tentem agredir Cuba”, sublinhando a necessidade de preparação para evitar “surpresas ou derrotas”, num cenário de crescente tensão com os Estados Unidos liderados por Donald Trump.Díaz-Canel frisou, contudo, que Havana não procura o confronto militar, mas garantiu que o país está disposto a defender a sua soberania, afirmando que Cuba “não promove a guerra, não a incentiva, mas também não a teme” caso seja necessário proteger os ideais da revolução. O líder cubano descreveu que a estratégia de defesa do país está assente na doutrina da “guerra de todo o povo”, que combina meios convencionais e irregulares, com mobilização da população, destacando que a preparação tem uma natureza essencialmente defensiva.Questionado sobre a prontidão do país para um eventual conflito, Díaz-Canel respondeu que Cuba está preparada a todos os níveis, incluindo entre os responsáveis políticos.Díaz-Canel avisou ainda que uma eventual intervenção militar norte-americana teria elevados custos políticos internacionais, prevendo rejeição por parte de grande parte da comunidade internacional e até de setores da opinião pública dos próprios Estados Unidos.Apesar do tom de alerta, o chefe de Estado reiterou a disponibilidade de Havana para dialogar com Washington, desde que esse diálogo respeite a soberania e a independência da ilha, posição que tem sido reiterada pelas autoridades cubanas em vários contactos diplomáticos recentes. As declarações surgem num contexto de agravamento das tensões bilaterais, marcado pelo endurecimento das sanções norte-americanas e por uma crise energética e económica em Cuba, associada a um bloqueio ao fornecimento de petróleo e às consequências da situação na Venezuela, desde a captura do líder chavista Nicolás Maduro em janeiro pelos Estados Unidos.Segundo Díaz-Canel, o embargo imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas intensificou-se sob a atual administração republicana de Donald Trump, com impactos na disponibilidade de divisas, na produção e no turismo, agravando as dificuldades económicas enfrentadas pela população.Na segunda-feira, o Governo cubano anunciou que se realizou recentemente na ilha uma reunião entre representantes de Washington e de Havana.“Trata-se de um assunto delicado que, como já referimos, tratamos com discrição. Mas posso confirmar que recentemente se realizou aqui em Cuba um encontro entre delegações de Cuba e dos Estados Unidos”, afirmou na ocasião o subdiretor-geral responsável pelos Estados Unidos no Ministério dos Negócios Estrangeiros, Alejandro García del Toro..Governo cubano admite diálogo “responsável” com EUA, mas rejeita ingerência