Stephane Romatet está empenhado em melhorar relação da França com a Argélia.
Stephane Romatet está empenhado em melhorar relação da França com a Argélia.Foto: Embaixada da França na Argélia

Embaixador francês defende aumento de vistos para argelinos e gera críticas da extrema-direita

"A abertura total das comportas migratórias por um regime macronista em seus últimos suspiros não é uma opção para a França", criticou Marine Le Pen.
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A França está empenhada em resolver a crise diplomática com a Argélia. Uma das medidas passa por voltar a aumentar o número de vistos emitidos para cidadãos argelinos para 250 mil por ano, o mesmo volume registado antes dos impasses diplomáticos.

“Antes, emitíamos cerca de 250.000 vistos por ano. Esse número caiu. O nosso objetivo é, provavelmente, regressar ao nível anterior à crise”, disse o embaixador francês em Argel, Stéphane Romatet. O diplomata concedeu uma entrevista ao Tout sur l'Algérie por ocasião das comemorações do 14 de julho.

A emissão de vistos para cidadãos argelinos diminuiu 18,3% em 2025, em comparação com 2024, de acordo com estimativas oficiais. Segundo o embaixador, a prioridade será dada a empresários e estudantes que queiram estabelecer-se em França.

A crise diplomática entre os dois países agravou-se nos últimos meses devido a uma combinação de divergências políticas e disputas bilaterais. O principal ponto de tensão foi a decisão francesa de apoiar o plano de autonomia de Marrocos para o Sara Ocidental, posição rejeitada por Argel, que apoia a independência do território. As relações deterioraram-se ainda mais com a troca de expulsões de diplomatas entre os dois países.

Reações

A notícia sobre o objetivo de aumentar a emissão de vistos já suscitou reações da extrema-direita, nomeadamente de Marine Le Pen, candidata presidencial às eleições de 2027. “A abertura total das comportas migratórias por um regime macronista nos seus últimos suspiros não é uma opção para a França”, escreveu na rede social X.

A líder do partido Rassemblement National (RN) deixou ainda mais críticas ao Governo. “É ainda menos aceitável em relação a um regime hostil que, há meses, se esquiva às suas obrigações ao recusar receber os seus cidadãos sujeitos a Ordens de Abandono do Território Francês (OQTF)”, afirmou.

A deputada, que se encontra com pulseira eletrónica, prometeu ainda medidas na área da imigração. “Em 2027, se o povo francês assim o decidir, retomaremos o controlo da nossa política migratória e garantiremos que a lei e os direitos sejam respeitados”, vincou.

A 8 de julho, depois de o tribunal confirmar que pode concorrer à Presidência, apesar da condenação, Marine Le Pen lançou oficialmente a sua candidatura sob o lema “Pour la France, la Renaissance” ("Para França, o Renascimento").

amanda.lima@dn.pt

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