Da ex-ministra de Rajoy ao jornalista da Telecinco, quem são as vítimas e quem ainda está desaparecido no desastre ferroviário de Urda?
Nas redes sociais, relatos de pessoas têm-se à procura de pessoas que se sabe que estavam nos comboios da Renfe e da Iryo, que chocaram perto de Urda, província de Toledo, num dos piores desastres ferroviários em Espanha no século XXI, com 74 mortos confirmados e 64 desaparecidos.
Uma destas foi a ex-ministra do Emprego e Segurança Social do governo de Mariano Rajoy, Fatima Bañez, que viajava para Sevilha enquanto presidente da Fundação CEOE, parte da principal confederação patronal espanhola.
Bañez viajava a bordo do último vagão do Iryo, que levou com o choque direto do transporte de alta velocidade. Após várias horas em que foi dada como desaparecida, a ex-ministra teve a sua morte confirmada já esta quinta-feira por Alberto Nuñez Feijóo, presidente do Partido Popular, da qual fez parte.
“Era uma mulher incansável, uma amiga leal e sempre empenhada em melhorar a vida dos espanhóis”, escreveu Feijóo na rede social X, sublinhando que o partido “lamenta a sua perda, juntamente com o seu marido, os seus filhos e todas as pessoas que a amavam”.
Julieta Gallego, atleta do clube madrileno AD Sprint de apenas 24 anos e especialista no salto em comprimento, também é uma das vítimas confirmadas do acidente. Após horas de incerteza, o clube desportivo confirmou que a sua atleta estava entre os mortos.
"Hoje é um dia muito triste para toda a família do AD Sprint. Despedimo-nos da nossa atleta Julieta Gallego, integrante do nosso grupo de saltos, que nos deixou na sequência do trágico acidente ferroviário de Urda (Toledo)", escreveu o clube em comunicado.
E há ainda quem não saiba nada sobre outras pessoas que estavam nos comboios e continuam desaparecidas. Como Antonio Vasquez, irmão do matador Curro Vazquez e representante do toureiro Pablo Aguado, de acordo com um comunicado citado pelo El Mundo.
“Há um caos total. O nome do meu pai aparece na base de dados, mas ele não está aqui. Ninguém sabe de nada. Nem mesmo a Guarda Civil. Estamos a pensar se o terão transferido para Madrid”, contou o filho de Antonio, Fran Vazquez, que visitou o Hospital Universitário de Toledo nas últimas horas por ter uma indicação de que lá estaria o seu pai.
No comboio da Renfe, Ana Aviles estava sentada no lugar 18B da carruagem nº7 quando o choque ocorreu, de acordo com o El Español. Viajava desde Madrid, onde vivia, para ir ao casamento da sua filha em Sevilha, que ia acontecer no sábado. Desde as 8h55 da manhã de quarta-feira, segundo o genro da mulher, Francisco Jiménez, a família não soube de mais nada, mesmo tentando procurar em todos os lugares possíveis.
“Foram ao polidesportivo, aos hospitais e a todos os lados”, contou Jimenez, lembrando que chegaram a lhes dizer que “podiam ter passado por uma das triagens do hospital”.
Raúl Triguero, jornalista que participa no programa de crónica social da Telecinco “De Viernes!” (À Sexta), tinha também viajado num desses comboios para Sevilha, onde iria entrevistar Amador Mohedano, personagem televisiva espanhola, para a edição do programa desta semana. Segundo o órgão jornalístico El Periodico, o alerta na redação da televisão surgiu quando, com a notícia do acidente, não foi possível chegar ao repórter.
Juan José García Palacios , um guarda civil de 26 anos, era outro dos passageiros de um dos comboios envolvidos no acidente. Tinha terminado o trabalho naquela noite e embarcou no comboio de alta velocidade que fazia o trajeto Madrid-Sevilha.
Desaparecido está também o professor César Vicente Sanz, de 63 anos, que é pai do ator César Vicente, conhecido pelo seu papel no filme Dor e Glória, de Pedro Almodóvar. Não sabemos de nada. Isso é um inferno; não podemos viver assim”, confessou o ator ao El Periodico.
Para as famílias e próximos de quem procura os seus entes queridos, as redes sociais e os órgãos de comunicação social têm sido os principais meios para espalhar o seu nome e informar que o seu paradeiro ainda é desconhecido.
O jornal regional Diário de Sevilha publicou uma série de nomes e contactos enviados por famílias e divulgados nas redes sociais para que “qualquer pessoa que possa fornecer informações, por mais insignificantes que pareçam, contribua para esclarecer o seu paradeiro”.
“A minha irmã Adriana estava no comboio RENFE Madrid-Sevilha, vagão 8. Não conseguimos encontrá-la; agradecemos qualquer informação”, escreveu Alejandro Marroquín numa história do Instagram. Noutra, uma pessoa relata que a jovem vestia “um casaco e um par de calças azuis”.
Ao El Mundo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol avançou que estavam, entre afetados, feridos e desaparecidos, 42 cidadãos estrangeiros, 24 deles em situação desconhecida. Apenas um está confirmado como vítima mortal, nomeadamente uma cidadã argentina de 32 anos, noticiou a diplomacia desse país.
Para além de Portugal, que já confirmou um cidadão desaparecido, Itália e México já avançaram que há cidadãos dos seus países entre aqueles que não se conhece o paradeiro neste momento.
A diplomacia italiana fala em três desaparecidos no total de nove afetados, sendo que os outros estão entre os feridos. Já o ministério dos Negócios Estrangeiros do México reportou um cidadão desaparecido e sete feridos leves.

