A polícia francesa realizou esta segunda-feira, 16 de fevereiro, buscas no Instituto do Mundo Árabe, em Paris, e noutros locais, no âmbito de uma investigação sobre o seu ex-diretor Jack Lang e as suas ligações a Jeffrey Epstein, informou Pascal Prache, chefe da Procuradoria Nacional Financeira de França, em comunicado.As buscas decorreram no momento em que Jack Lang se despedia, numa cerimónia, dos funcionários do Instituto do Mundo Árabe. “Congratulo-me por a justiça financeira se pôr em marcha”, declarou Lang no seu discurso, sem fazer referência explícita às buscas, reportou um jornalista da AFP presente no na cerimónia.A justiça francesa abriu este mês uma investigação preliminar contra Lang e a sua filha Caroline por suspeita de fraude fiscal, após o Departamento de Justiça dos EUA ter divulgado há umas semanas milhões de documentos relacionados com o criminoso sexual norte-americano.Na sequência da divulgação dos arquivos, Lang, que foi ministro da Cultura durante a presidência de François Mitterrand, demitiu-se no início do mês da liderança do Instituto do Mundo Árabe, cargo que ocupava desde 2013, apesar de negar qualquer irregularidade. Com os ficheiros a mostrarem que trocou correspondência com Epstein entre 2012 e 2019, Jack Lang disse ainda ter ficado "chocado" com a presença do seu nome nos estatutos de uma empresa offshore fundada pelo criminoso norte-americano há dez anos.Os documentos revelam ainda que Caroline Lang, a sua filha, era detentora de metade das ações desse fundo offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, e é ainda beneficiária de cinco milhões de dólares no testamento do criminoso sexual. Tal como o pai, nega qualquer ilegalidade, tendo-se também demitido de todas as posições que ocupava. Equipa especial para rever os ficheirosA Procuradoria de Paris anunciou no sábado a criação de uma equipa especial de magistrados para analisar provas que possam incriminar cidadãos franceses nos crimes de Jeffrey Epstein. Acrescentando ainda que irá reexaminar o caso do antigo executivo de uma agência de modelos francesa, Jean-Luc Brunel, um associado próximo do norte-americano e que morreu quando estava detido na capital francesa em 2022 depois de ter sido acusado de violação de menores. Esta equipa irá trabalhar em colaboração com os procuradores da unidade nacional de crimes financeiros e com a polícia, com o objetivo de abrir investigações sobre quaisquer crimes suspeitos que envolvam cidadãos franceses, informou a mesma fonte, citada pela AFP..De Londres a Oslo. Como os ficheiros Epstein estão a abalar a política europeia.Caso Epstein atinge meio político francês