Canadá. Carney faz comparação com Brexit e alerta Alberta para "bluff perigoso"
Foto: EPA/ANDRES MARTINEZ CASARES

Canadá. Carney faz comparação com Brexit e alerta Alberta para "bluff perigoso"

Primeiro-ministro do Canadá, que era governador do Banco de Inglaterra em 2016, lembrou que Reino Unido está “a tentar desfazer o que as pessoas pensavam não estar a votar, mas que acabaram por ter”.
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O primeiro-ministro Mark Carney classificou o próximo referendo de Alberta sobre a separação do Canadá como um “bluff perigoso”, comparando-o ao referendo do Brexit que levou o Reino Unido a sair da União Europeia. E o chefe do governo canadiano sabe bem do que fala, uma vez que dirigiu o Banco de Inglaterra durante o Brexit. Agora, dez anos depois da consulta popular que deu a vitória ao sim à saída, Carney lembrou que o Reino Unido está “a tentar desfazer o que as pessoas pensavam não estar a votar, mas que acabaram por ter”.

O governo da província canadiana de Alberta anunciou na passada quinta-feira que vai realizar - a 19 de outubro - uma consulta para um possível referendo vinculativo sobre a separação do Canadá.

O anúncio foi feito pela chefe do governo de Alberta, a conservadora populista Danielle Smith, num discurso televisivo em que afirmou que os cidadãos terão de escolher entre permanecer como província do país ou iniciar o processo legal exigido para “realizar um referendo provincial vinculativo sobre se Alberta deve separar-se do Canadá”.

Smith, que desde que chegou ao poder em 2022 tem centrado as suas políticas no confronto com o Governo federal, reiterou várias vezes que votará a favor da permanência no Canadá, por considerar que “o Canadá ainda pode funcionar”.

No entanto, justificou a consulta afirmando que centenas de milhares de habitantes de Alberta querem pronunciar-se sobre a questão.

O sentimento separatista tem vindo a aumentar nesta província, rica em petróleo, devido à ideia de que Alberta tem sido negligenciada pelos decisores políticos em Otava - o Partido Liberal governa há mais de uma década no Canadá enquanto, em Alberta, o poder está desde 2019 nas mãos do Partido Conservador Unido de Alberta.

No início deste ano, numa iniciativa promovida pelo movimento popular Stay Free Alberta (Continua Livre Alberta), foram recolhidas mais de 300 mil assinaturas a favor de um referendo separatista - outra petição, para continuar a fazer parte do Canadá, reuniu mais de 400 mil.

Mas a 13 de maio, um tribunal considerou inconstitucional a petição para convocar um referendo sobre a separação de Alberta do Canadá, porque a província não tinha consultado os grupos indígenas cujos direitos seriam negativamente afetados caso a secessão acontecesse. Smit, pressionada pelos aliados, prometeu recorrer da decisão judicial.

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