A Alemanha e a Ucrânia assinaram esta terça-feira, 14 de abril, um acordo de cooperação em matéria de defesa durante o encontro em Berlim entre o chanceler Friedrich Merz e o presidente Volodymyr Zelensky, elevando as relações bilaterais entre os dois países a uma parceria estratégica. Foram ainda selados entendimentos sobre o reforço da defesa aérea da Ucrânia, o apoio ao setor energético ucraniano e à reconstrução, bem como o desenvolvimento de outras áreas-chave.Um dos destaques desta nova parceria estratégica é o início dos planos para a produção conjunta de drones avançados e outros sistemas de defesa testados em combate, conforme adiantou Zelensky, que, com Merz, assistiu a uma apresentação de equipamento militar e drones produzidos em cooperação germano-ucraniana. “Propusemos à Alemanha um acordo bilateral para drones que abrange vários tipos de drones, mísseis, software e sistemas de defesa modernos. As nossas equipas estão a iniciar os trabalhos concretos”, referiu o presidente ucraniano.Merz destacou também a produção de defesa germano-ucraniana, particularmente de drones. “O que faremos nesta cooperação será benéfico não só para a defesa da Ucrânia, mas também, particularmente, para nós, porque não há outro exército na Europa que tenha adquirido tanta experiência militar nas últimas décadas como a Ucrânia”. A saída de cena de Viktor Orbán após a vitória de Péter Magyar nas legislativas húngaras de domingo e o impacto que esta mudança terá na relação entre Budapeste e a Europa, mas também com a Ucrânia, não foi esquecida pelos dois líderes. “Estou certo de que cooperaremos com a Hungria”, declarou Zelensky, mostrando-se esperançado na possibilidade de “construir as nossas relações” com o governo de Magyar com base na “cooperação” e no “respeito mútuo”. “As eleições, quando o povo húngaro fez a sua escolha, foram no domingo, 12 de abril. Na Ucrânia, celebramos a Páscoa nesse dia, a vitória da luz sobre as trevas. Penso que é muito simbólico”, acrescentou ainda o presidente ucraniano. Um dos motivos de tensão nos últimos meses entre Budapeste e Kiev foi o oleoduto Druzhba, que transporta petróleo russo para a Hungria, que acusou a Ucrânia de o sabotar, enquanto as autoridades ucranianas culpam um ataque russo pelos estragos. Ontem, Zelensky anunciou que este estará reparado até ao final do mês, “não completamente, mas o suficiente para funcionar”. Merz, por seu turno, classificou a vitória de Magyar como “uma boa notícia para toda a Europa, uma boa notícia para a Alemanha e também uma boa notícia para a Ucrânia.”“No seu regresso à Europa, a Hungria pode contar com a Alemanha. Digo tudo isto porque agora queremos também agilizar a libertação do empréstimo da UE à Ucrânia, acordado em dezembro”, afirmou o chanceler alemão, acrescentando que “Volodymyr Zelensky e eu também discutimos isso. Os fundos para o apoio militar precisam de ser libertados rapidamente. A Ucrânia precisa deles com urgência.”Viktor Orbán vetou sucessivas vezes nos últimos meses o empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia, mas na segunda-feira o futuro primeiro-ministro húngaro anunciou que irá aprovar a verba, com a condição de se manter o acordado em dezembro - que Budapeste não participará no mesmo -, com Magyar a justificar a decisão com a crise económica que o seu país atravessa. .Hungria não cede e Europa falha aprovação de empréstimo a Kiev.Londres e Kiev criam parceria para fabricar e vender drones