Vagas de mísseis e drones russos atingiram Kiev na madrugada desta quinta-feira, 2 de julho, matando, pelo menos 21 pessoas, de acordo com o diretor da Administração Militar da capital ucraniana, Tymur Tkachenko. O autarca da cidade, Vitali Klitschko, apontava para 86 feridos, 70 dos quais tinham sido hospitalizados, na sequência daquele que considerou ser o ataque “mais massivo” contra Kiev desta guerra. Questionado sobre se a Ucrânia iria retaliar, Volodymyr Zelensky respondeu: “Definitivamente, sim”. Falando aos jornalistas durante visita a um prédio destruído em Kiev, o líder ucraniano sublinhou ainda que este ataque voltou a expor a falta de defesas aéreas na Ucrânia. “Se os nossos parceiros tivessem entregue o que prometeram a tempo, acredito que poderíamos ter salvo mais casas e, francamente, mais vidas”, criticou. Logo após o ataques, e usando as redes sociais, Zelensky já havia feito o mesmo apelo. “O fornecimento de sistemas de defesa aérea para a Ucrânia é uma questão absolutamente prioritária e crítica. É importante que haja contribuições para o programa PURL [da NATO]: isto é algo que funciona diretamente para salvar vidas. Cada acordo bilateral que temos com os nossos parceiros sobre sistemas de defesa aérea é realmente útil. Estou grato a todos os líderes que ajudam”, escreveu logo depois dos ataques. “E é particularmente importante que os nossos acordos sobre a produção de sistemas antibalísticos avancem. Contamos muito com a decisão dos Estados Unidos sobre as licenças para os Patriot e outro trabalho conjunto: isto é algo que pode pôr fim à guerra e aos ataques semelhantes”. Número recorde pessoas abrigadas no metro“Foi uma noite terrível para Kiev”, afirmou Klitschko, acrescentando que houve “danos em todos os distritos da cidade”. Ao início da manhã, tinham sido registados danos em mais de 30 locais em todos os distritos de Kiev, incluindo seis pisos de um edifício de nove andares que colapsaram na zona de Darnytsky. Um número recorde de pessoas procurou abrigo nas estações de metro de Kiev durante a noite - 52.500 pessoas, incluindo quase 4.500 crianças. Segundo o Metro de Kiev, existem 46 estações subterrâneas que funcionam como abrigos na cidade.De acordo com a Força Aérea da Ucrânia, Moscovo lançou 74 mísseis e 496 drones de longo alcance durante o ataque, a maioria deles tendo Kiev como alvo - 28 dos mísseis disparados contra a capital eram mísseis balísticos, um número recorde para um único ataque contra a cidade. Quarenta e oito mísseis e 476 drones foram abatidos ou neutralizados, mas 25 mísseis balísticos e 12 drones atingiram 33 locais, de acordo com a mesma fonte. A líder da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, reagiu aos mais recentes ataques contra Kiev com a garantia de que vai propor novas sanções contra a Rússia, pois, acrescentou, “apenas palavras de condenação não deterão os ataques a Kiev. Só o apoio militar sustentado à Ucrânia e uma maior pressão sobre Moscovo podem fazer isso”.“Proporei sancionar mais entidades que apoiam o complexo militar-industrial da Rússia em resposta aos ataques. Quanto mais Moscovo atacar civis, mais sanções devem ser impostas. Continuamos a aumentar o custo até que a Rússia entenda que não pode ganhar”, acrescentou. O Kremlin insistiu esta quinta-feira que as forças russas tinham visado apenas “alvos militares ou quase militares”, com o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, a adiantar que Vladimir Putin tinha sido informado sobre o ataque e que “Moscovo continuará a aumentar a pressão sobre o regime de Kiev para alcançar os seus objectivos declarados”..“As entregas de mísseis não podem parar”, pede Zelensky aos aliados.UE junta-se às críticas de Zelensky ao levantamento de sanções à Rússia após o ataque mais mortal do ano