O papa Leão XIV deixou uma palavra de alento aos espanhóis e franceses no final da sua oração dominical ao fazer referência aos “devastadores incêndios” que afetam os dois países há dias, e convidou todos a rezar pelos envolvidos, bem como pelos bombeiros. Em Espanha, o fragilizado governo de Pedro Sánchez aproveitou para criticar os governos autónomos com “negacionistas climáticos” no dia em que o fogo na província de Ávila se tornou no maior desde que há registos.O executivo espanhol encontrava motivos para um cauteloso otimismo, no domingo, ao referir-se ao progresso no combate às fogos, embora um deles (Vall d’Uixó, Castellón, na região de Valência) se encontrasse fora de controlo. Ao visitar um posto de comando em Navaluenga (Ávila), o primeiro-ministro socialista disse que a evolução dos incêndios declarados emergência nacional de Ávila, Madrid e Toledo era “muito positiva” e que alguns focos se encontravam “consolidados”. Por sua vez, o delegado do governo junto da comunidade autónoma de Madrid, Francisco Martín, disse ter surgido uma “janela grande” meteorológica no domingo e na segunda-feira para “trabalhar e vencer definitivamente” as chamas a oeste da capital e em Ávila. .50Mil hectares ardidos em Burgohondo (Ávila), tornando-se no maior incêndio em Espanha desde que há registos, ao superar o incêndio entre Galiza e Leão, em 2025..Na quinta-feira, Martín havia criticado a presidente de Madrid, Isabel Díaz Ayuso por esta ter anunciado no X que iria declarar “a situação operacional 3” de emergência da proteção civil devido à “gravidade e simultaneidade de incêndios florestais em três comunidades autónomas”, ou seja, por Ayuso ter feito nas redes sociais o pedido para o governo central assumir as rédeas do combate às chamas — um pedido inédito. Na prática, a emergência nacional implica uma mudança no comando das operações, ao atribuir essa função à Unidade Militar de Emergência e a gestão política ao ministro do Interior. No entanto, não há um reforço de meios.Ayuso de pronto chamou “mamarracho” a Martín, ao que o ministro dos Transportes também entrou no pingue-pongue verbal. Óscar Puente classificou Ayuso de “mamarracha” e disse que os governos regionais do Partido Popular “reduzem impostos aos ricos, enfraquecem os serviços públicos e depois pedem ao governo que resolva o problema por eles”. Antes do pedido de ajuda, os sapadores florestais da comunidade de Madrid queixaram-se de metade dos postos estarem por preencher, por um lado; e de não serem chamados a intervir, além de não terem meios próprios de transporte, por outro. Outra situação que simbolizou a gestão florestal de Ayuso foi o incêndio em San Martín de Valdeiglesias, no qual nem o parque dos bombeiros, veículos incluídos, se salvou, segundo os críticos, por falta de limpeza do seu perímetro. Esta acrimónia entre Ayuso — que afastou as responsabilidades políticas dos incêndios ao passar a gestão do combate aos incêndios para o executivo nacional — e elementos do executivo socialista não é nova. E inscreve-se num contra-ataque do governo depois de no ano passado ter sido alvo de intensos ataques políticos, em especial no Senado, devido ao tema dos incêndios de verão. . Ao lado do rei, que visitava o posto de comando de Navalcarnero, a ministra da Transição Ecológica Sara Aagesen disse que a inclusão de negacionistas climáticos nos governos regionais em que o PP está aliado ao Vox são “um perigo para a população”, ao responder às acusações de “fanatismo climático” por parte do líder do partido de extrema-direita Santiago Abascal. “Cada alegação contra a evidência científica das alterações climáticas apenas alimenta os incêndios”, disse a ministra. Já Felipe VI deixou uma palavra elogiosa à “exemplar” coordenação entre as diversas administrações, e a mensagem positiva que daí advém: “Unidos podemos enfrentar qualquer risco.” Do lado do PP, o porta-voz Borja Sémper estendeu um ramo de oliveira: “Nesta Espanha tão polarizada e tão dividida, não podemos polarizar até as tragédias. Está a prevalecer o bom senso, a racionalidade e a coordenação entre as administrações públicas.”.250Mil pessoas retiradas das suas habitações e de parques de campismo nos departamentos de Gironda e Landes, no sudoeste de França. Cerca de 240 casas foram destruídas..Macron reúne gabinete de criseEm França, o incêndio em Gironda estava a 15 quilómetros de Bordéus, sem controlo e com uma nova vaga de calor a iniciar amanhã. O presidente da Câmara da cidade, Thomas Cazenave disse não estar nos seus planos a evacuação da cidade, mas à sua volta 250 mil pessoas foram retiradas das sua casas devido aos fogos que consumiram 42 mil hectares de terreno. Em comparação, os incêndios de Madrid, Ávila e Toledo atingiram 77 mil hectares. Face à gravidade dos acontecimentos, o presidente Emmanuel Macron preside a uma reunião do gabinete de crise na manhã desta segunda-feira. .Rei Felipe VI de Espanha diz que Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia está a funcionar.Incêndios em Espanha e França. Número total de pessoas retiradas sobe para 267 mil