A antiga vice-primeira-ministra britânica Angela Rayner, que se demitiu em setembro depois de ser revelado que não tinha pago os impostos necessários quando comprou uma segunda casa, foi ilibada de qualquer irregularidade deliberada ou negligência em relação aos seus assuntos fiscais e tem a porta aberta para concorrer à liderança do Partido Trabalhista.Numa entrevista ao The Guardian, Rayner disse que não será ela a desafiar o primeiro-ministro, Keir Starmer, mas tem defendido a necessidade de mudança e não afastou a possibilidade de ser candidata caso a corrida à liderança seja desencadeada por alguém. "Farei a minha parte, fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para promover a mudança, porque não se trata de uma ambição pessoal; sei a diferença que faz. Seja qual for o papel que possa desempenhar, continuarei a lutar com todas as minhas forças, porque quero que as pessoas que estão a passar por dificuldades neste momento saibam que estou a dedicar toda a minha energia a lutar por elas", afirmou.Nos últimos dias, Rayner tem defendido a candidatura do atual mayor de Grande Manchester, Andy Burnham, que é da ala mais à esquerda do partido como ela. Mas o "Rei do Norte", como é conhecido, só pode avançar se for deputado e primeiro tem que ser eleito para esse cargo (o que não se está a revelar fácil). O primeiro-ministro, que promete lutar contra qualquer tentativa para o afastar do cargo, avisou na quarta-feira (13 de maio) o partido que uma corrida à liderança causaria o "caos"..Angela Rayner, a vice-primeira-ministra britânica que tem um “doutoramento em vida real”.Numa mensagem no X, Rayner congratulou-se pela resolução do caso. "Ao comprar a minha casa própria com um crédito habitação, não possuía qualquer outro imóvel e não tinha qualquer interesse financeiro pessoal no fundo fiduciário criado pelo tribunal para gerir a pensão de alimentos do meu filho. Fui aconselhado por especialistas a pagar o imposto de selo à taxa padrão", explicou.Rayner, que se divorciou do primeiro marido, tem três filhos, um deles nasceu prematuramente com apenas 23 semanas, sendo cego e tendo necessidades especiais. Depois dos problemas médicos à nascença, o tribunal decretou a criação de um fundo, para o qual Rayner transferiu 25% da sua percentagem da casa da família em 2025, permitindo comprar a segunda casa - pagando na altura apenas impostos relativos a uma casa."Propus pagar o valor de imposto correto. Tomei as devidas precauções e agi de boa-fé, com base no aconselhamento especializado que recebi", e a administração tributária britânica "aceitou isso", explicou."Sempre procurei agir com integridade e acredito que os políticos devem ser responsabilizados por elevados padrões – por isso, renunciei ao governo e cooperei plenamente" com o fisco, referiu."Queria garantir que pagaria cada cêntimo devido e assim fiz. Estou aliviada por a minha família poder seguir em frente e por eu poder retomar o meu trabalho", concluiu.