Trinta e três dias depois de os peruanos terem votado na primeira volta das presidenciais, o Gabinete Nacional de Processos Eleitorais confirmou que a segunda volta será entre a candidata da Força Popular (direita nacionalista), Keiko Fujimori, e o do Juntos pelo Peru (esquerda), Roberto Sánchez. A segunda volta será a 7 de junho. Na primeira volta, a 12 de abril, havia 36 candidatos e houve problemas de organização, com o voto a alargar-se também para 13 de abril em algumas zonas de Lima. Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, conseguiu 2.877.678 dos votos, equivalente a 17,18%. É a quarta vez que concorre às eleições presidenciais e nas três anteriores perdeu sempre na segunda volta. .P&R - Será desta que o Peru vai voltar a ter um Fujimori na presidência?.Roberto Sánchez, ex-ministro do presidente Pedro Castillo (que está detido por tentativa de golpe de estado), teve 2.015.114 votos (12,03%), com o candidato da extrema-direita Rafael López Aliaga (do Renovação Popular) a ficar pelos 1.993.904 votos (11,90%).López Aliaga alega, sem provas, que houve fraude, com base nos atrasos ocorridos na abertura das mesas de voto em Lima, o seu principal bastião eleitoral (foi autarca da capital). E quer que a proclamação oficial dos votos, prevista para o domingo (17 de maio), seja adiada.Entretanto, Sánchez está a ser acusado de crimes financeiros, com os procuradores a pedirem que seja condenado a cinco anos e quatro meses de prisão por problemas com os donativos para as campanhas eleitorais entre 2018 e 2020. O candidato rejeita as acusações. A disputa pelo segundo lugar demorou a decidir. Com a contagem inicial, López Aliaga ultrapassou os 14%, mas a incorporação gradual dos votos do interior do país inverteu esta tendência. Sánchez passou de 8,5% nos resultados iniciais para mais de 12% no final da contagem, uma subida que confirmou o padrão geográfico já observado na eleição de 2021, quando Castillo construiu a sua vitória precisamente nessas mesmas regiões.Os votos em branco totalizaram 2.372.896, o equivalente a 11,77% dos votos expressos, enquanto os votos inválidos atingiram os 1.045.425 (5,18%). Do total de 20.167.745 votos expressos, 16.749.424 foram considerados válidos.