Os eleitores peruanos vão às urnas no domingo (12 de abril). Que cargos estão em jogo nestas eleições?As eleições são gerais, com mais de 27 milhões de eleitores peruanos a serem chamados às urnas entre as 7h00 e as 17h00 locais (13h00 e 23h00 de Lisboa) para eleger um presidente (junto com dois vice-presidentes), 60 senadores, 130 deputados e cinco representantes do Parlamento Andino. Com um recorde de 38 partidos inscritos e 35 candidatos à presidência, o boletim de voto único mede 44 centímetros de altura por 21 de largura. Quem são os favoritos?Segundo as últimas sondagens, divulgadas no passado domingo(5 de abril) os favoritos a passar à segunda volta (que quase certamente vai ser necessária, a 7 de junho, já que nenhum dos candidatos deve conseguir chegar aos 50%) são do campo da direita. Todas as sondagens dizem que a mais votada será a populista Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori e líder do Força Popular, que concorre pela quarta vez consecutiva e é uma de apenas quatro mulheres na corrida. A dúvida é saber quem será o adversário. Umas sondagens dizem que será López Aliaga, candidato do Renovação Popular de extrema-direita e ex-autarca de Lima, fã do norte-americano Donald Trump. Mas há outras que dão o humorista e apresentador de televisão Carlos Álvarez, que nunca ocupou nenhum cargo público e é o candidato do País para Todos (centro-direita). A luta vai ser então entre estes três candidatos de direita?Nada está garantido, já que com tantos candidatos é possível passar à segunda volta com pouco mais de 10% de votos (ou até menos). Na sondagem Ipsos, para o jornal Peru21, por exemplo, Keiko tem 15% das intenções de voto e Álvarez 8% e passam os dois. As sondagens revelam ainda que há mais de 15% de indecisos, pelo que o resultado da primeira volta pode ser totalmente diferente. Outros candidatos com intenções de voto consideráveis que podem surpreender incluem o sociólogo centrista Jorge Nieto; outro antigo autarca de Lima, Ricardo Belmont; o deputado de esquerda Roberto Sánchez; ou o ex-diretor do Banco Central, o progressista Alfonso López Chau, que já chegou a ser segundo nas sondagens.Keiko concorre pela quarta vez à presidência. Será que é desta?A história não joga a favor da filha mais velha de Alberto Fujimori, que desempenhou o papel de primeira dama a partir dos 19 anos. Keiko, que tem atualmente 50 anos, concorreu em 2011, 2016 e 2021 e perdeu sempre na segunda volta (em 2016 depois de ter ganhado na primeira). Líder do Força Popular desde 2010, Keiko representa o fujimorismo no seu estado mais puro - e se consegue os votos de todos os que veneravam o pai, que morreu em 2024, é rejeitada por todos os que o consideravam um ditador e que alegam que ela seguiria o mesmo caminho.Mas afinal quem foi Fujimori?Filho de imigrantes japoneses, Alberto Fujimori chegou ao poder depois das eleições de 1990, liderando um autogolpe em 1992 que usou para dissolver ambas as câmaras do Parlamento e reescrever a Constituição. Impôs reformas neoliberais para acabar com a hiperinflação que herdou e teve mão dura contra organizações armadas como o Sendero Luminoso, mas acabou envolvido em escândalos de corrupção e foi acusado de violações dos direitos humanos. Foi reeleito em 1995 e em 2000, mas as denúncias aumentavam e acabou por renunciar ao cargo em novembro desse ano, durante uma viagem oficial ao Japão. Seria detido cinco anos depois quando viajou até Santiago do Chile e condenado por vários crimes após ser extraditado. Foi libertado apenas em 2023, já doente, acabando por morrer no ano seguinte. A própria Keiko já esteve mais de um ano presa, acusada de lavagem de dinheiro, havendo quem alegue que quer ser eleita para ter imunidade. Ela nega.E tem hipótese de ser eleita apesar de ter estado presa? Seria o primeiro caso em que o presidente passava pela prisão antes de ser eleito, sendo que além de Fujimori houve muitos que acabaram lá depois de deixar o poder. Desde a saída de Fujimori o Peru já teve 12 presidentes (oito nos últimos dez anos de crise política), com Ollanta Humala a ser o último que completou um mandato completo (entre 2011 e 2016). Desses 12, só três não foram acusados de corrupção ou abuso de poder. Um optou pelo suicídio quando a polícia se preparava para o deter e, atualmente, três estão presos. O atual presidente é José María Balcázar, que assumiu o cargo apenas a 18 de fevereiro, após José Jerí ter sido deposto por reuniões secretas com empresários chineses. Só estava há quatro meses no cargo. A corrupção é a principal preocupação dos peruanos?Não, a principal preocupação é a segurança e dominou a campanha. Segundo os dados oficiais, o número de homicídios passou de cerca de mil em 2018 para mais de 2600 no último ano e há oito vezes mais crimes de extorsão do que havia. Fujimori defende a construção de uma mega prisão, ao estilo da de El Salvador, e obrigar os presos a trabalhar para comer. Aliaga sugere construir prisões no meio da Amazónia peruana com uma cerca natural de shushupes (a maior serpente venenosa da América Latina) e apoia ter tropas dos EUA no Peru a capturar os criminosos. Já Álvarez quer tirar o país da Convenção Americana dos Direitos Humanos para poder condenar à morte os assassinos a soldo..Instabilidade política no Peru faz temer oitavo presidente numa década