Mais recordes à vista no último Europeu de Cristiano Ronaldo

Um ano depois, o Campeonato da Europa vai mesmo realizar-se em 12 cidades. Sem a certeza de ter público nas bancadas, a seleção nacional vai defender o título conquistado em 2016 com novas estrelas à disposição do selecionador Fernando Santos e com CR7 apostado em fazer história. Afinal, o número 7 pode tornar-se o futebolista com mais fases finais disputadas e mais golos marcados.

Com um ano de atraso, a seleção nacional de Portugal vai finalmente defender o título de campeã da Europa conquistado em 2016, naquela mítica final de Saint-Denis, nos arredores de Paris, com a França, na qual o patinho feio Eder vestiu a capa de super-herói e marcou, no prolongamento, o golo que valeu o primeiro troféu internacional da história da equipa das quinas.

O Euro 2020, que foi adiado para 2021 por causa da pandemia de covid-19 que bloqueou o mundo no início de março, tem o pontapé de saída marcado para o dia 11 de junho, no Estádio Olímpico de Roma, com a Itália a defrontar a Turquia. Será o início de uma competição que era para ser especial, pois servia para comemorar os 60 anos do torneio, razão pela qual foram escolhidas 12 cidades em diferentes países para se realizarem os jogos, rompendo assim com a tradição de haver um ou dois países organizadores.

Um ano depois, esse cariz extraordinário do torneio poderá esfumar-se, afinal ainda não é certo que os estádios possam ter público nas bancadas... vai depender sempre da evolução da crise pandémica, embora o surgimento de vacinas tenha renovado o otimismo.

Apesar de todos os condicionalismos, esta fase final tem tudo para se tornar um marco na carreira de Cristiano Ronaldo. Desde logo porque aos 36 anos irá, muito provavelmente, disputar o seu último Campeonato da Europa, no qual irá consolidar o estatuto de jogador com mais partidas realizadas (tem atualmente 21), além de se tornar o primeiro futebolista a participar em cinco edições. A CR7 basta-lhe ainda fazer um golo para se isolar como melhor marcador de sempre em fases finais, pois divide esse estatuto com o francês Michel Platini, com nove golos marcados.

Há outro marco, ainda mais extraordinário, que Ronaldo pode alcançar no Euro 2020, que tem a ver com o recorde de golos da história das seleções: neste momento, contabiliza 102 e está a oito de ultrapassar o iraniano Ali Daei. Tendo em conta que a seleção nacional tem já agendados três jogos de apuramento para o Mundial 2022 em março, com Azerbaijão, Sérvia e Luxemburgo, além de mais alguns jogos particulares que entretanto devem ser marcados, não é certo que chegue à fase final do Europeu com o recorde por bater, mas não há dúvida de que este seria o palco ideal para o recém-eleito jogador do século realizar esse feito.

A primeira oportunidade para CR7 fazer história e para a seleção nacional continuar a sua saga de sucesso no Europeu será a 15 de junho, na Arena Puskas, em Budapeste, frente à seleção da Hungria, que vai assim jogar em casa. Será o início da defesa do título, num grupo que já é considerado como o da "morte", afinal nele estão ainda os dois últimos campeões do mundo e o atual campeão da Europa. A 20 e 24 de junho, a seleção de Fernando Santos terá pela frente a Alemanha e a França, respetivamente.

Uma nova geração

A tarefa da equipa das quinas não se apresenta fácil, mas o leque de jogadores à disposição do selecionador nacional permite pensar que a revalidação do título será possível. É que, além de CR7, poderá ainda contar com a esmagadora maioria dos campeões europeus de 2016, afinal apenas o guarda-redes Eduardo e o defesas Eliseu e Ricardo Carvalho penduraram, entretanto, as botas.

Mas jogadores como Rui Patrício, Pepe, Raphaël Guerreiro, José Fonte, Danilo Pereira, Renato Sanches, William Carvalho e João Moutinho mantêm-se como peças importantes para Fernando Santos, que desta vez deverá poder contar com Bernardo Silva, que não fez parte dessa caminhada triunfal em França por causa de uma lesão e que, tudo indica, se vai estrear em Europeus tal como João Félix, a nova coqueluche do futebol português, bem como outros futebolistas que emergiram, como Nélson Semedo, João Cancelo, Ricardo Pereira, Rúben Dias, Rúben Semedo, Bruno Fernandes, Pizzi, Sérgio Oliveira, Rúben Neves, Gonçalo Guedes, André Silva, Diogo Jota, Pedro Neto e Francisco Trincão.

Apesar de estar num grupo complicado, Portugal tem de ser visto como um dos candidatos à conquista do Euro 2020, tal como França e Alemanha, mas também Espanha, Inglaterra, Holanda, Bélgica e Itália. E, nesse sentido, passar a fase de grupos frente a equipas tão competitivas parece, à primeira vista, a principal dificuldade da seleção nacional, apesar de se apurarem também os quatro melhores terceiros classificados do conjunto dos seis grupos.

Se conseguir alcançar os oitavos-de-final, a equipa das quinas fica com caminho aberto para repetir as grandes campanhas que fez nas sete presenças em fases finais de Europeus, nas quais conseguiu chegar por três vezes às meias-finais (1984, 2000 e 2012) e a duas finais (2004 e 2016), sendo certo que na última levantou o primeiro troféu internacional da sua história.

Para tanto, contudo, o primeiro objetivo é ultrapassar a fase de grupos, um objetivo que foi sempre alcançado... depois disso, todos os sonhos são possíveis.

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