Marcelo mantém vantagem de 46 pontos na corrida a Belém

Ana Gomes (15,4%) só atrai um quarto dos eleitores do PS. O comunista João Ferreira regista a maior subida (7,5%) e luta pelo terceiro lugar com o líder do Chega, André Ventura (8%).

Sólido como uma rocha, Marcelo Rebelo de Sousa (61,4%) mantém uma vantagem de 46 pontos sobre Ana Gomes (15,4%). E volta a ter mais de dois terços dos eleitores socialistas no bolso. A maior novidade do último barómetro da Aximage para o DN, o JN e a TSF é por isso a subida de João Ferreira (7,5%), que disputa o terceiro lugar com André Ventura (8%). Mais para baixo estão Marisa Matias (5,6%) e Tiago Mayan (1,1%). A abstenção, no entanto, poderá ser a grande vencedora das presidenciais de 24 de janeiro, com 61,5%.

Manda a prudência que a vitória só seja cantada quando fecham as urnas. Mas o atual Presidente da República já pode ir antecipando os festejos, e não só pela projeção eleitoral que lhe é atribuída. Aos portugueses foi também pedida, neste mês, uma avaliação aos cinco anos de mandato de Marcelo, e a resposta é esclarecedora: 70% dizem que a atuação foi "boa" (53%) ou "muito boa" (17%). Uns escassos 11% dão nota negativa ("má" ou "muito má").

Números elevado sobretudo entre os eleitores socialistas (88% de avaliações positivas), que se mostram mais satisfeitos com o primeiro consulado marcelista do que os eleitores do PSD (81%). Note-se que o atual Presidente tem saldo positivo mesmo entre os que votariam nos três candidatos à esquerda. O saldo negativo está confinado à direita radical e liberal.

Socialistas e marcelistas

A satisfação socialista torna-se fundamental quando se transforma em apoio eleitoral. Marcelo tem o voto, nesta altura, de 68% dos eleitores socialistas, uma proporção que se repete pela terceira vez em três meses. A ex-eurodeputada e militante socialista Ana Gomes só convence um quarto dos socialistas, o que ajuda a explicar a sua fraca projeção (desce um ponto de novembro para dezembro). Um problema que afeta também Marisa Matias: retém menos de metade do eleitorado do BE e não tem capacidade atração nos outros partidos. Ao contrário, a socialista vai buscar um quarto dos apoiantes bloquistas.

As duas maiores subidas na sondagem de dezembro (o trabalho de campo foi efetuado nos dias que antecederam o Natal, antes do arranque dos frente-a-frente televisivos) são as de João Ferreira e André Ventura, sobretudo o comunista (mais 5,4 pontos), que parece ter finalmente despertado o eleitorado da CDU, de que depende quase inteiramente. O mesmo acontece com André Ventura (mais 1,4 pontos), que está ancorado no Chega.

Acresce que, como explica o diretor técnico da sondagem, cerca de 94% dos eleitores PS já decidiram o seu voto e, consequentemente, terão uma influência marginal, daqui para a frente, na alteração dos resultados eleitorais. Ao contrário, acrescenta José Almeida Ribeiro, "a capacidade de atração de eleitores do PSD será um dos pontos políticos mais interessantes desta eleição e, provavelmente, o fator com maior peso na posição relativa dos vários candidatos".

Abstenção será elevada

Fator de perturbação pode ser também o elevado nível de abstenção. No primeiro mandato de Marcelo, em 2016, chegou aos 51%. Tudo indica que será bastante mais elevada em 2021: à volta de 61,5%.

Uma das explicações para a desmobilização pode ser encontrada nos resultados à pergunta sobre a importância destas eleições presidenciais: 43% admitem que é "grande", mas são menos dez pontos percentuais do que o resultado de novembro. Ao contrário, os que respondem que tem "pequena" ou "nenhuma" importância são agora 17% (sobe um ponto percentual).
Os mais empenhados parecem ser os eleitores de Marcelo e Ventura: 76% e 68% respondem, respetivamente, que a importância das eleições é "grande". No extremo oposto estão, sem surpresa, os abstencionistas: 27% acham que estas presidenciais não têm importância.

A personalidade de Marcelo e a rutura de Ventura

Marcelo Rebelo de Sousa e Ana Gomes são os candidatos em que a característica que mais pesa, na hora de decidir o voto, é a personalidade (respetivamente 39% e 38%). Marisa Matias e João Ferreira são mais escolhidos pelas propostas políticas (33% e 31%). André Ventura é o candidato da rutura (44%). São estas as principais razões para o voto presidencial, de acordo com a sondagem da Aximage para o DN, o JN e a TSF. Seja no atual inquilino de Belém seja na sua principal adversária, a principal razão para a escolha dos eleitores é claramente a personalidade. É a característica que mais os aproxima. O que melhor os distingue são as propostas políticas, uma vez que têm pouco peso entre os marcelistas (12,6%), mas valem bastante para uma fatia considerável de apoiantes da socialista (27%). Esta última é, aliás, uma característica comum aos candidatos da esquerda, nem tanto do centro para a direita. João Ferreira destaca-se também por duas razões com mais peso do que noutros candidatos: a origem partidária da candidatura (13%), mas também a "exclusão de partes", ou seja, numa interpretação livre, ser o menos mau dos candidatos (20%). Os que mais se aproximam nesta matéria são Marcelo e Ana Gomes (16%). Se o atual Presidente seria sempre o único que garante continuidade ( e para 30% dos seus eleitores isso é fundamental), o candidato da direita radical, André Ventura, é quem melhor representa a rutura (44% apresenta essa razão como primordial).

Eleitores preferem um líder progressista a um conservador

Os portugueses preferem claramente um presidente modesto (84%) a um orgulhoso (13%). Ou um progressista (73%) a um conservador (17%). Mas as fronteiras já não são tão claras quando é preciso escolher entre um presidente ponderado (59%) ou corajoso (37%). E a divisão é a norma se for preciso optar por uma personalidade calma (48%) ou enérgica (47%).

O barómetro da Aximage para o DN, o JN e TSF confrontou os portugueses com dez pares de características que traçam o perfil do presidente ideal. Há resultados que não surpreendem, como a preferência por um presidente comunicativo (87%) a um reservado (9%), ou a valorização de um líder culto (86%) a um tecnocrata (10%), ou ainda, se tivermos em conta a natureza da função, a um mediador (81%) em vez de juiz (15%).

Mas, mesmo quando os resultados são bastante desequilibrados na apreciação geral, destacam-se algumas variações significativas nos diferentes segmentos da amostra. É o caso do presidente conservador, escolhido por 17% do eleitorado em geral, mas que tem uma importância significativa, quer para os potenciais eleitores de Ventura (29%) e de Marcelo (25%), quer para os que votam no Chega (38%) e no PSD (30%).

Significativas são também algumas diferenças entre os extremos. Para os que se inclinam pelo partido da direita radical, uma personalidade austera (48%) tem quase tanto valor como a tolerância (50%). Mas para um eleitor do comunista João Ferreira, a questão nem se põe, com a tolerância como valor primordial (95%).

rafael@jn.pt

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