A previsão para o saldo das contas públicas (em contabilidade nacional, a que conta para a Comissão Europeia (CE) e a avaliação à luz do Pacto de Estabilidade) foi revista ligeiramente em baixa, de um excedente equivalente a 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), a meta do Orçamento do Estado de 2026, para 0% do PIB, indica uma versão preliminar (ainda não publicada oficialmente) do Relatório Anual de Progresso relativo a 2026 (RAP 2026).O Ministério das Finanças, de Joaquim Miranda Sarmento, que durante meses admitiu a possibilidade de "um pequeno défice" este ano, evitar dar esse sinal.Na versão que circula do novo RAP, obtida pelo DN, a meta orçamental passa, suavemente, para equilíbrio absoluto, apesar de o crescimento da economia ter enfraquecido.O rácio da dívida desce de forma significativa. O governo replica a previsão que enviou ao Instituto Nacional de Estatística (INE), no final de março: 87,5% do PIB no final desde ano, uma descida assinalável face 89,7% em 2025, estimados pelo INE.No OE 2026, a premissa usada para construir o plano orçamental era que a economia crescesse 2,3% este ano; no documento preliminar enviado agora a Bruxelas e ao Parlamento português (o prazo termina hoje, oficialmente é sempre até 30 de abril), a fasquia do ritmo da atividade económica portuguesa medida em termos reais (descontando a inflação) baixa para 2%.Ainda assim, é melhor do que a projeção de março do Banco de Portugal (1,8%), do Fundo Monetário Internacional (FMI) em abril (1,9%) e que a do Conselho das Finanças Públicas (também em abril), que prevê 1,6%.Mais inflação, mas resiste ao choque petrolífero, espera o governoPor causa do choque petrolífero e da guerra no Médio Oriente, a inflação média portuguesa é revista em alta, claro, mas nada de especial. O OE 2026, feito em outubro do ano passado, previa 2,1%.No novo relatório, apesar da crise e da incerteza máxima nos custos das matérias primas, o governo sobe a previsão do aumento de preços no consumidor para cerca de 2,5%.Ou seja, na narrativa do Governo agora partilhada com a CE, a subida brutal do preço do petróleo, acaba por ser bastante acomodada pela economia portuguesa.No OE 2026, feito há seis meses, a hipótese para o custo médio de uma barril de crude Brent era 65,4%. No RAP, é muito superior: 90 dólares, em média anual para 2026, assume o novo estudo da tutela de Miranda Sarmento.Em todo o caso, o preço do petróleo e de outras matérias-primas essenciais (gás, fertilizantes) estão persistentemente elevados, apesar da montanha russa que dura desde o final de fevereiro, quando EUA e Israel abriram hostilidades contra o Irão. Esta quinta-feira, o contrato futuro do crude Brent para entrega em julho estava acima dos 110 dólares por barril.Neste novo cenário, o Ministério das Finanças assume ainda que o impacto das tempestades do início do ano (pode ascender já a mil milhões de euros no OE) possa a ser amplamente compensado até final do ano com os vários planos e medidas de resposta (OE, PTRR, PRR), donde o impacto final da tragédia do inverno pode ser marginal nas contas finais de 2026, pelo menos no crescimento.(Atualizado às 22h30).Conselho das Finanças prevê pequeno excedente público este ano apesar da guerra e da economia debilitada.Previsão de défice a enviar a Bruxelas rondará 0,3%, mas analistas desconfiam