Farioli e o jogo com o Marítimo: "É uma equipa que historicamente sempre deu problemas ao FC Porto"
Na antevisão do jogo do FC Porto com o Marítimo, da 8.ª jornada da I Liga Francesco Farioli admitiu esta sexta-feira, 9 de outubro, que as sete jornadas do primeiro ciclo do campeonato foram bastante positivas e deram "um sentimento bom" para o regresso ao campeonato, mas admitiu que a paragem de mais de 20 dias e com jogadores a jogar por todo o Mundo foi um desafio também para a equipa técnica portista. "Esta paragem internacional parou, de alguma forma, esta dinâmica em termos de resultados, não em termos do desejo de trabalhar e melhorar", disse o técnico, explicando que o jogo particular com o Deportivo da Coruña ajudou a manter ritmo e a treinar coisas diferentes para evoluir coletivamente.
Agora é voltar a ligar às dinâmicas do FC Porto porque se seguem oito jogos oficiais (e um particular pelo meio) em três competições, começando com o jogo na Madeira, com o Marítimo, agendado para sábado, às 18h00 (Sport TV). E com esse alerta do treinador portista: "No ano passado, depois da paragem das seleções tivemos jogos difíceis em que sofremos mais do que o habitual. O que me dá confiança é que temos um grupo maduro, tivemos os jogadores juntos na gala e vemos o prazer de estarem de volta, estavam felizes por se verem de novo."
Quanto ao adversário, o Marítimo é uma equipa que "historicamente sempre deu problemas ao FC Porto", disse Farioli, lembrando que "as estatísticas mostram que [os Barreiros] são o quarto estádio fora onde é mais difícil ter resultados". E esse é facto que tem de estar bem presente na cabeça dos dragões. "É uma equipa que está bem desde que voltou, graças ao trabalho do treinador e ao que são capazes de meter esse trabalho no relvado. Nunca desistem. Recuperaram resultados três vezes nos últimos minutos, vai ser um jogo desafiante por razões diferentes", alertou o técnico, sem esquecer o relvado: "Espero que nesta pausa tenham feito tudo para que esteja da melhor forma possível. Se não estiver, não há desculpas e temos de usar outras ferramentas para passar por cima disso."
"É um bom problema para ter. Ter três pontas de lança prontos para jogar"
Com Samu de volta, Francesco Farioli voltou a ser questionado como vai gerir a utilização dos avançados, uma vez que tem Santiago Giménez e André Silva na luta pelo lugar, mas não se comprometeu. "É um bom problema para ter. Ter três pontas de lança prontos para jogar. Claro que neste momento temos o André [Silva], que é o jogador mais fiável porque teve a pré-época completa está num bom momento. Depois temos o Samu com tanta energia e desejo de estar de volta. Vem de uma lesão longa, trabalhou massivamente para recuperar e antecipar alguns passos. Tem sido fantástica utilizá-lo mesmo poucos minutos no clássico e 45 minutos contra o Depor. Vamos tentar usar o máximo possível, mas temos de ter em mente as limitações em termos de carga que lhe podemos dar".
E explicou porque Santiago Giménez, que "chegou muito tarde depois de um verão muito complicado" ainda preciso de tempo para render mais em campo: "É um jogador importante que tem de reencontrar a confiança nas qualidades, que já são conhecidos. Precisa de ficar em paz com tudo à sua volta. Sente-se a pressão, da comunicação especialmente na América do Sul. É importante colocá-lo numa bolha, ficar com os colegas, com o staff, trabalhar com o apoio dos adeptos. Porque a época vai ser longa. Neste momento parece que temos muitas balas, mas com a experiência da época passada temos de ter todos os jogadores prontos para eu tomar a melhor decisão possível."
"Tenho a licenciatura em filosofia porque em matemática não era bom..."
As contas do FC Porto voltaram a valore vermelhos - prejuízo consolidado de 21,1 milhões de euros (ME) em 2025/26 -, mas Farioli não teme perder jogadores no mercado de janeiro para, dessa forma, André Villas-Boas equilibrar as finanças da SAD. "Tenho a licenciatura em filosofia porque em matemática não era bom. (risos). O clube está num lugar melhor do que quando o presidente chegou. Estamos num processo em que muitas coisas têm de ser reajustadas. No verão passado foi feito um investimento forte para aumentar o nível da equipa, com jogadores jovens que estão a gerar um valor massivo ao clube", defendeu o treinador, dizendo que William [Gomes, que renovou esta semana até 2030, é um desses jogadores.
"Na época passada deu para perceber a qualidade do William, ajudou-nos em muitos jogos, mas faltava-lhe um pouco de consistência. Agora é um jogador diferente, manteve a qualidade e tornou-se muito mais maduro, não só a competir, mas como se prepara. Está sempre ligado às dinâmicas, está a ficar cada vez mais exigente consigo próprio, em relação à alimentação, ao processo para competir. Estamos muito felizes. Não é algo que fizemos sozinhos. As pessoas à volta ajudam. A renovação do William era muito necessária. Os novos números deixam-me mais confortável porque o valor da cláusula é um número alto [100 milhões de euros]. Se alguém vier tem de pagar até ao último euro para o levar. Espero que ninguém venha para termos o nosso jogador por mais uns meses. Tem um papel chave na equipa. Não é o único, mas é um dos importantes."
Questionado sobre a polémica Ronaldo-Jesus, o italiano disse não ter informações suficientes para comentar ou avaliar a situação, mas admitiu que era impossível não estar a par do assunto que dominou a atualidade desportiva mundial na última semana: "Estamos a falar de duas lendas do futebol português. Uma como jogador, o maior da história do futebol, e no outro lado um treinador que admiro pelo que fez na sua carreira. Joguei contra ele quando ele estava na Turquia. Tive a oportunidade de o estudar como adversário. Admiro a sua forma de trabalhar, gerir as pessoas. Tira sempre o melhor de todas as equipas em que esteve. Vai fazer o mesmo com a seleção."
isaura.almeida@dn.pt

