Queiroz, de 73 anos, está a apenas um Mundial do recordista Parreira.
Queiroz, de 73 anos, está a apenas um Mundial do recordista Parreira.D.R.

Carlos Queiroz joga quinto Mundial e quer ver estrelas negras a aproveitar o contra-ataque

Gana não tem os mesmos atributos no meio-campo que em outros anos, mas Semenyo, Iñaki Williams, Ayew e Fatawu têm forma de desequilibrar. Treinador português vai em cinco Campeonatos do Mundo.
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Carlos Queiroz comanda a seleção do Gana há dois meses, ainda só fez um encontro particular pela seleção e tem ainda muitas ideias para afinar, mas, olhando ao perfil das Estrelas Negras, o ataque é o setor mais forte e vive da velocidade e do contra-ataque. Experiente a treinar seleções que não sejam favoritas, o técnico de 73 anos navega confortável em trabalhar a componente defensiva para lançar o contragolpe. A surpresa do despedimento de Otto Addo, após o encontro de preparação com a Alemanha, terá certamente impacto porque se preparava para ser o primeiro ganês a comandar o país em dois mundiais consecutivos. Na fase de apuramento, o Gana esteve imbatível, chegou aos 25 pontos.

Carlos Queiroz fará, então, o quinto Mundial da carreira. O único treinador português em prova, em 2026, esteve pelas Quinas em 2010, na África do Sul, seguiram-se três participações com o Irão (2014, 2018 e 2022). Junta-se ao sérvio Bora Milutinovic nas cinco participações em Campeonatos do Mundo. À frente, só o brasileiro Carlos Alberto Parreira com seis. Se com Portugal chegou aos oitavos de final, com o Irão nunca passou a fase de grupos. O Gana esteve em quatro das cinco últimas edições. Em 2006, foi aos oitavos de final, em 2010 aos quartos de final com uma geração talentosa. Em 2014, ficou-se pela fase de grupos, em 2022 em igual momento, tendo falhado o apuramento em 2018. Comandou ainda Colômbia, Egito, Qatar e Omã.

No Grupo L, com Inglaterra, Croácia e Panamá, o Gana terá no arranque contra a seleção da América Central um encontro decisivo para ditar um possível regresso às fases a eliminar. A esperança está, principalmente, no ataque. Semenyo foi contratado pelo Manchester City por 72 milhões de euros. Pela seleção só tem três golos, foi ao Mundial 2022, mas sem ser titular. Há a intenção de o tornar a referência do ataque, até porque somou 21 tentos em 2025/26. Iñaki Williams, de 31 anos, teve a época mais fraca pelo At. Bilbau este ano (quatro golos e seis assistências), depois de três anos seguidos a marcar pelo menos dez golos, mas é opção clara.

Jordan Ayew vai para o terceiro Mundial, tem 118 internacionalizações, é recordista e peça preponderante e, apesar dos 34 anos, fez 50 jogos pelo Leicester. Será este o trio, à partida, escolhido para a titularidade. Fatawu, ex-Sporting, fez nove golos e seis assistências no Leicester, ganhou protagonismo apesar da descida do emblema campeão em 2016 à III divisão. Sulemana, da Atalanta, teve seis participações para golo, e acrescenta imprevisibilidade para sair do banco.

No meio-campo, longe das gerações anteriores, com Essien, Muntari, Partey foi chamado apesar de ser acusado, em Inglaterra, de crimes de violação sexual. Espera-se, portanto, um circo mediático à volta do ex-jogador do Arsenal. Nesse mesmo setor, destaca-se a ausência de Kudus, talvez o médio mais criativo da geração ganesa, a contas com lesão muscular, e de Salisu, do Mónaco.

Queiroz fez regressar à equipa o lateral Baba Abdul Rahman (PAOK), que estava ausente desde setembro de 2023, assim como Ernest Nuamah (Lyon), recuperado após uma grave lesão no joelho, que o afastou mais de 12 meses da competição.

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