Bruno Fernandes é capitão do Manchester United.
Bruno Fernandes é capitão do Manchester United.EPA/ADAM VAUGHAN

Capitães portugueses escrevem novo pedaço de história na batalha entre os colossos de Manchester

Com estádios separados por oito quilómetros, rivalidade conhece este ano o 200.º jogo. Bruno Fernandes e Rúben Dias lideram balneários e dão a experiência em plantéis à procura de reformulação.
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Em 2026/27, atingir-se-á o marco redondo de 200 jogos entre Manchester United e Manchester City, os principais rivais de uma das grandes cidades operárias em Inglaterra. No domingo (16h30), tudo indica, o aperto de mão entre capitães antes do jogo 199 será entre portugueses: Bruno Fernandes, que já vai usando a braçadeira no Manchester United de há uns anos para cá, e Rúben Dias, que integrava o lote, mas, face às várias saídas do plantel, tem sido escolha do novo treinador citizen para o cargo.

Aos 32 anos, Bruno Fernandes cumpre a oitava época nos red devils, é o quarto melhor marcador da história do clube entre os não-britânicos - está a 16 golos de igualar Solskjaer - e corre para entrar este ano no pódio de estrangeiros em termos de jogos. Rúben Dias, de 29 anos, avança para a sétima temporada. Poderá atingir, ainda este ano, os 300 jogos pelo clube e herda o posto de líder de balneário depois de um rejuvenescimento de plantel iniciado ainda com Guardiola.

Os dois passaram a ser imprescindíveis na seleção a partir do Euro 2020 e no dérbi encontram-se coincidindo na importância de ambientação de dois plantéis reformulados: o do United muito já o ano passado no ataque com Mbeumo, Matheus Cunha e Sesko, mas agora com três entradas para o meio-campo, com investimento de 173 milhões de euros (Baleba, Andrey Santos e Tielemans). Já os donos do City, determinados a reconquistar o título ao Arsenal, dispensaram 375 milhões só para o meio-campo (Enzo Fernández, Elliott Anderson e Bouaddi).

Rúben Dias pode chegar aos 300 jogos pelo City ainda este ano.
Rúben Dias pode chegar aos 300 jogos pelo City ainda este ano.Paul ELLIS / AFP

Longe de ser ainda decisivo nas contas do título da Premier League, o United entra pressionado por só ter uma vitória em três jogos na prova, enquanto o Manchester City vai 100% vitorioso, podendo, em caso de vitória, colocar já os red devils a oito pontos.

Mas mais do que isso importa recordar que, nos últimos dez anos, nunca os rivais estiveram tão nivelados. O United foi 2.º classificado em 2017 e 2021, 3.º em 2023 e 2026, sempre atrás do City, que foi campeão em três dessas ocasiões. Nos últimos 15 anos, o City ganhou oito campeonatos, contra um do United e um dos grandes interesses em 2026/27 é percecionar se a batalha está mais equilibrada.

Há indícios disso mesmo: nos últimos seis jogos entre ambos, três vitórias para o United, duas para o City. E na final da Taça de Inglaterra de 2024 o título foi dos red devils. Desde 2017, com a conquista da Liga Europa pela mão de José Mourinho, o United só venceu essa Taça de Inglaterra e, no ano imediatamente anterior, a Taça da Liga. Em igual período de tempo, o City alcançou 21 troféus, com o destaque maior, claro, para uma Liga dos Campeões.

O tabuleiro girou na tradição das duas claques - com estádios separados por oito quilómetros e habituadas a percorrer a pé a distância entre os dois em dias de jogo. Até à I Guerra Mundial só o United se sagrou campeão (em duas ocasiões).

O Sunderland, acima do Wednesday, Liverpool Newcastle, Everton e Arsenal, dominava com seis títulos quando em 1937 o City ganhou o primeiro campeonato da sua história. 31 anos depois surgiria o segundo já quando o United levava sete, igualado com o Liverpool e Arsenal no topo da prova mais competitiva do mundo. De 1970 a 1990, o trono foi do Liverpool, acumulando 11 conquistas. Poucos calculariam que, entrado em 1987 em Old Trafford, Alex Ferguson mudaria a história do jogo, sendo o mais titulado nas cinco principais ligas por um só clube, com 13 campeonatos conquistados.

Esse era também o desafio que o investimento milionário vindo de Abu Dhabi no City preconizava e que começou a ganhar forma em 2012. Nos últimos minutos do último jogo da temporada, frente ao QPR, dois golos históricos de Dzeko e Aguero deram a volta ao marcador e entregaram ao City o título que lhes fugia há 44 anos, relegando o United para o 2.º lugar.

Foi o primeiro campeonato decidido na diferença de golos, num dia que reaqueceu a rivalidade histórica entre os gigantes de Manchester - ainda é favorável ao United, com mais quatro épocas no principal escalão e mais dez campeonatos conquistados, mas não pode já ser tida como hegemónica. Ferguson despediu-se do United na época seguinte, com mais um campeonato, e o City voltaria a ser campeão em 2014. Depois, com a entrada de Guardiola em 2016 (seis campeonatos) tem vindo a dominar, pela primeira vez na história, o rival vizinho.

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