Ambição da seleção que pôs Portugal a ver andebol passa por uma medalha

Equipa de Paulo Pereira aponta aos oito primeiros lugares ou até mesmo ao top 3 no regresso ao Campeonato do Mundo, após 18 anos. Gilberto Duarte é a grande novidade, depois de falhar Europeu por lesão.

A seleção portuguesa de andebol está de regresso ao Mundial, após 18 anos de ausência. No Egito, a equipa liderada por Paulo Pereira tem ambições maiores do que nas três participações anteriores. Impulsionado pelo sexto lugar conquistado no Europeu de 2020 - a melhor classificação de sempre na prova -, Portugal quer obter o melhor resultado de sempre num Campeonato do Mundo.

Em 2003, num Mundial que Portugal organizou, e que não voltou a disputar desde então, a equipa nacional terminou no 12.º lugar, superando os registos de 1997, no Japão (19.º lugar), e 2001, em França (16.º). Agora, o objetivo realizável "é ficar entre os oito primeiros", mas o selecionador nacional assumiu à RTP que, "pode até parecer uma loucura", mas o grupo português pensa que é capaz de "ir às medalhas".

Para isso, já conta com aquele que é considerado o melhor jogador português da atualidade, o lateral Gilberto Duarte (Montpellier), o grande ausente do Euro 2020, devido a lesão. Numa seleção com 11 dos 20 jogadores a jogar no campeão FC Porto, também sobressaem o pivô Luís Frade (vice-campeão europeu pelo Barcelona) e o guarda-redes luso-cubano Alfredo Quintana (FC Porto).

Portugal viu-se na invulgar situação de cabeça-de-série no sorteio para a 27.ª edição do Campeonato do Mundo, que pôs no caminho da formação nacional as congéneres de Argélia, Marrocos e Islândia, no grupo F, sediado na nova capital administrativa do Egito, cidade em construção em pleno deserto, a 50 quilómetros do Cairo.

Portugal entra em cena já amanhã frente à Islândia (19.30, RTP2), defrontando Marrocos no sábado (17.00, RTP2) e encerrando a participação na ronda preliminar na segunda-feira com a Argélia (17.00, RTP2). Os jogos vão ser transmitidos na RTP 2 e a seleção que pôs Portugal a ver andebol no ano passado promete dar seguimento à magia.

Grupo de guerreiros

Paulo Pereira reconhece que após o sexto lugar no Europeu de 2020 (onde venceu duas das melhores seleções mundiais, a França e a Suécia), as expectativas "estão elevadas" neste regresso de Portugal a uma fase final de um Mundial. Há, por isso, um estatuto a defender, para o qual é preciso contar com a confiança e a ambição de um grupo de trabalho "composto por guerreiros" que, segundo o treinador, têm capacidade para se transcender e superar os desafios passo a passo.

No tira-teimas com a Islândia, depois de na última semana as seleções se terem defrontado por duas vezes no apuramento para o Europeu de 2022, Paulo Pereira espera repetir o triunfo alcançado em Matosinhos (26-24) e evitar os erros que ditaram a derrota em Reiquiavique (32-23). "Foi um dia mau. Não conseguimos concretizar algumas ações ofensivas. A Islândia foi melhor do que nós. Não ficámos nada contentes com a derrota, porque fomos lá para ganhar. Se calhar, deixámo-nos seduzir pelo bom jogo em casa e pelos primeiros 25 minutos lá", referiu.

Apesar de a Islândia ser o principal adversário de Portugal no grupo F do Mundial, o selecionador alerta também para a Argélia, que diz ser "uma seleção forte, com jogadores que jogam em França", e para Marrocos, uma equipa caracterizada por apresentar habitualmente "defesas profundas".

A nova realidade ditada pela pandemia de covid-19 leva a que o Mundial de 2021 seja disputado sem a presença de público, situação que Paulo Pereira considerou "uma tristeza" necessária. "Na Islândia fomos testados três vezes em quatro dias. No Egito vamos ser testados dia sim, dia não. Para além do processo, que é algo desagradável, há ainda o stress de aguardar para se saber se o resultado é negativo", disse o selecionador, confidenciando que há dias houve "um susto" que não se confirmou.

Agora, segundo Paulo Pereira, "a única coisa que pode trazer alguma felicidade é ganhar". O técnico assumiu o comando da seleção de andebol em outubro de 2016, com a ambição de tornar os portugueses conquistadores, mas só dobrou o cabo das tormentas no Euro 2020, e logo com a melhor participação de sempre de Portugal (sexto lugar).

Depois do sexto lugar no Europeu de 2020, a seleção nacional de andebol volta a um Mundial, 18 anos depois, e sonha alto. Segundo o selecionador nacional, a equipa tem valor para lutar por uma medalha, o que seria histórico na modalidade.

Depois do sexto lugar no Europeu de 2020, a seleção nacional de andebol volta a um Mundial, 18 anos depois, e sonha alto. Segundo o selecionador nacional, a equipa tem valor para lutar por uma medalha, o que seria histórico na modalidade

O treinador, de 55 anos, natural de Amarante, esteve quase uma década no estrangeiro, com passagens pelas seleções femininas da Tunísia e de Angola, tendo também orientado o Espérance de Tunis, o 1.º de Agosto e o ASA, além dos espanhóis do Cangas.

Em Portugal, começou a carreira como adjunto do Boavista, então comandado por José Magalhães, com quem rumou ao FC Porto, que orientou durante três temporadas, entre 2003 e 2006. Já como selecionador, conciliou essa tarefa com o comando técnico dos romenos do CSM Bucareste, erguendo a Taça Challenge em 2018-19.

Jogadores refletem ambição

O capitão Rui Silva, o guarda-redes Alfredo Quintana e o pivô Luís Frade consideram que é crucial "começar bem" o Mundial, para cimentar as aspirações de Portugal na competição.

O central do FC Porto é um dos armadores e pensadores do jogo português, juntamente com Miguel Martins, e reconhece que uma boa entrada, "com uma vitória sobre a Islândia, deixa a seleção bem encaminhada para fazer história" no Egito. "É um jogo complicado, mas o grupo está confiante e ambicioso", disse Rui Silva, de 27 anos, à agência Lusa, acrescentando que a recente derrota frente à Islândia, no domingo, "não abalou a confiança, mas serviu para tirar ilações".

Já o guarda-redes Alfredo Quintana, um dos destaques da seleção portuguesa no último Europeu, com defesas determinantes em momentos decisivos, adiantou que "as expectativas são elevadas e visam chegar o mais longe possível", tal como aconteceu no Euro 2020.

Para Luís Frade, de 22 anos, um bom início do Mundial frente à Islândia é fundamental para encarar com otimismo a passagem à fase seguinte, embora não se possam descurar os jogos seguintes com a Argélia e Marrocos. De acordo com o pivô do Barcelona, o grupo está confiante: "As expectativas para o Mundial são altas e passam por encarar a competição jogo a jogo."

Quem sucede à Dinamarca?

A 27.ª edição do Campeonato do Mundo arranca com o embate entre o anfitrião Egito e o Chile, a contar para o grupo G. A Dinamarca, detentora do troféu e campeã olímpica, a campeã europeia Espanha, as seleções de Alemanha, Croácia, Noruega, França e Suécia são as grandes candidatas ao título mundial.

Angola e a estreante seleção de Cabo Verde - retida em Portugal por causa de sete casos de covid-19 - reforçam a presença da lusofonia no Mundial de 2021, que será o primeiro que se disputa por 32 seleções e contará com uma dupla portuguesa de árbitros: Duarte Santos e Ricardo Fonseca.

Refira-se que a República Checa abdicou ontem de participar por causa de um surto de covid-19 que infetou 17 dos 21 convocados. A Macedónia do Norte pode substituir o conjunto checo.

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