Tudo começou com o objetivo de “intensificar os intercâmbios culturais entre Portugal e a China”, de acordo com a apresentação que está à entrada da exposição intitulada Um Vislumbre da Cultura Chinesa – evocação da rubrica homónima do DN –, que estará patente entre 19 de abril e 1 de maio no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), em Lisboa. São textos jornalísticos publicados nos dois últimos anos graças à iniciativa conjunta entre o Diário de Notícias e o Macao Daily News. Como explicou ao DN a presidente do CCCM, Carmen Amado Mendes, isto não é apenas uma exposição, mas “a materialização de um trabalho continuado de intercâmbio editorial e cultural, que em Lisboa ganha uma dimensão simbólica e pedagógica muito relevante”.Alguns textos mostram que “mudanças significativas” aconteceram desde que Macau voltou a ser território chinês, ou então são apenas relatos de, por exemplo, a “geminação” de Macau com “várias cidades de países de língua oficial portuguesa, como Portugal, Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste”. Neste último texto, uma fotografia de um rancho folclórico em frente ao ex-líbris de Macau - as Ruínas de São Paulo, que são o que resta da Igreja da Madre de Deus, construída no século XVII - mostra este encontro entre mundos.Por isso, lembra Carmen Amado Mendes, esta exposição reforça “a ideia de continuidade, de diálogo e de construção paciente de conhecimento mútuo”, para além de combater “distâncias culturais” e mostrar, “que Macau continua a ter valor como plataforma de mediação cultural entre a China e Portugal”.Questionada sobre se Portugal está culturalmente presente em Macau, a presidente do CCCM admite que sim, ainda que defenda que hoje “essa presença se manifeste menos como simples memória histórica e mais como herança viva e estruturante”.Para Carmen Amado Mendes, esta ligação secular é evidente pela “língua portuguesa, que continua a ser oficial e a manter uso institucional”, e pelo “património urbano e arquitetónico, sobretudo no Centro Histórico de Macau, que a UNESCO reconhece precisamente como testemunho singular do encontro entre influências chinesas e portuguesas”. Mas a presença portuguesa neste território assume formas mais subtis e muito importantes, como, de acordo com Carmen Amado Mendes, acontece na “vida jurídica, educativa e cultural da cidade, bem como na própria identidade pública de Macau, que continua a apresentar-se como um espaço de convivência entre culturas chinesa e portuguesa”.Também para o DN esta relação “com o Macao Daily News é mais do que uma parceria entre dois jornais”, explica o diretor do jornal português, Filipe Alves.“É uma ponte entre Portugal e a China, ajudando a manter viva uma relação com 500 anos de história, que ainda tem muito para dar ao mundo. Mais uma vez, Macau surge como o ponto de encontro entre o Ocidente e o Oriente e este é o nosso contributo para manter vivos estes laços que nos unem e que são muito mais do que passado. São futuro”, conclui..Macau, uma nova plataforma para o diálogo global entre civilizações.Macau apresenta uma terceira resposta para a coexistência civilizacional .Exposição sino-portuguesa de artefactos dos quatro séculos da Rota Marítima da Seda (II)