Conferência M&A - Consolidar para crescer, do DN e da PwC. Lisboa, 22 de abril de 2026.
Conferência M&A - Consolidar para crescer, do DN e da PwC. Lisboa, 22 de abril de 2026.Foto: Reinaldo Rodrigues

Portugal tem PME “a mais”, mas Banco de Fomento propõe bazuca para resolver o problema

Conferência M&A. DN e PwC em debate com gestores de topo para refletir sobre um “problema” estrutural da economia portuguesa: o tecido empresarial atomizado, um obstáculo no quadro da economia global.
Publicado a
Atualizado a

Portugal tem "demasiadas" pequenas e médias empresas (PME), muitas delas microempresas, e isso constitui um obstáculo à produtividade, aos volume de negócios, aos lucros e à criação de emprego e, ato contínuo, à afirmação da economia portuguesa no mercado global. É um dos resumos possíveis do debate organizado pelo Diário de Notícias (DN) e pela consultora PwC, que decorreu esta quarta-feira, em Lisboa.

"Demasiadas PME", um termo algo lancinante, já que se está a falar de mais de 90% das empresas em Portugal, foi usado pelo secretário de Estado do Orçamento, que encerrou a conferência M&A - Consolidar para Crescer.

Antes de José Maria Brandão de Brito, que é adjunto do ministro das Finanças, o Banco Português de Fomento (BPF), na voz do seu presidente executivo, Gonçalo Regalado, explicou que a ideia é não discriminar empresas pelo tamanho e ofereceu uma solução: uma bazuca de 30 mil milhões de euros em injeção de fundos no tecido empresarial parqueado em Portugal para dar músculo global às empresas que convençam os investidores.

Como? Usando várias modalidades de financiamento, grande parte delas garantias públicas para aceder a crédito, agarrar fundos europeus, cativar fundos de investimento e de capital de risco, trazendo-os como parceiros para este esforço que é nacional, defendeu Gonçalo Regalado, o orador principal, na abertura da conferência que decorreu em Lisboa perante uma plateia de gestores e financeiros de topo.

É uma armadilha

Mas comecemos pelo fim. Para Brandão de Brito, o governante das Finanças, a economia portuguesa tem "um tecido empresarial composto por demasiadas pequenas e médias empresas", que sofrem com falta de capital, dificuldade em atrair talento e aceder a crédito "menos oneroso", empresas que assim "não conseguem explorar todo o seu potencial. A economia portuguesa está presa numa "armadilha de PMEs", do inglês "SME trap".

O secretário de Estado indicou que "temos um caminho a percorrer em matéria de produtividade porque estamos cerca de 20% abaixo da média europeia, sendo que nos últimos 15 anos a produtividade do trabalho em Portugal cresceu menos de 10%", face aos mais de 30% nos restantes países da coesão, os que estão na linha da frente para receber fundos europeus.

E depois disse assim: "parte da explicação [para o referido problema] residirá na fragmentação do nosso tecido empresarial, em que as micro, pequenas e médias empresas empregam mais de 75% da força de trabalho, contra menos de 60% nos Países Baixos, Luxemburgo ou Irlanda. "Sabemos que empresas maiores beneficiam de economias de escala" e "têm maior facilidade em atrair talento e acesso a financiamento e menos oneroso".

Mais: as empresas grandes "pagam melhor – e não estamos só a falar de salários mais altos, estamos a falar também de estruturas de carreira mais desenvolvidas e de menor precariedade laboral", defendeu.

Para o membro do governo de Luís Montenegro "são as médias e grandes empresas que mais investem em inovação, digitalização e ativos intangíveis, com efeitos de arrastamento sobre o resto da economia".

Por isso, é preciso "fazer as empresas portuguesas crescer", pô-las a exportar mais e melhor, que o governo elimine "obstáculos".

"Um tecido empresarial composto por demasiadas PMEs que não conseguem explorar todo o seu potencial é uma situação SME trap. É o caso de Portugal", alertou Brandão de Brito.

BPF propõe bazuca e um género de fundo soberano

A resposta aos problemas apontados pelo governo é mais financiamento via Banco Português de Fomento. Nos próximos três anos (2026 a 2028) – através de garantias, de capital efetivo, de mobilização de fundos de investimento e de apoio à utilização de verbas europeias a fundo perdido (subvenções) – a instituição pública prevê um aumento na ordem dos 30 mil milhões de euros no manancial de dinheiro fresco, revelou Gonçalo Regalado, do BPF.

O CEO mostrou que o seu banco explodiu em capacidade de mobilização de fundos à economia empresarial. Em 2025, o impacto ascendeu a "seis mil milhões de euros", onze vezes mais do que em 2024, tornando o banco de fomento português no quinto mais forte da Europa nestes números quando vistos em proporção do tamanho da economia (PIB).

O BPF já está envolvido no financiamento de grandes projetos estruturantes para o país, como o grande hospital de Lisboa, o TGV, os mega centros de dados que vão nutrir projetos de inteligência artificial, mas prometeu mais.

Diz que está a trabalhar na construção de um mega-fundo de investimento para Portugal "que funcione como um fundo soberano", "um fundo de fundos", "aberto a novas participações" e "numa lógica perpétua", revelou Tereza Fiúza, presidente executiva para a área do investimento (CIO) do BPF.

É preciso que as empresas portuguesas passem a liderar, que cresçam de pequenas a globais, "é o que acontece em países como Irlanda, Israel", exemplificou.

Conferência M&A - Consolidar para crescer, do DN e da PwC. Lisboa, 22 de abril de 2026.
Sérgio Monteiro: "Há um problema sério de literacia financeira. Portugal é conservador e não somos estimulados a investir"
Conferência M&A - Consolidar para crescer, do DN e da PwC. Lisboa, 22 de abril de 2026.
Brandão de Brito, das Finanças: Portugal vive numa "armadilha de PMEs"
Conferência M&A - Consolidar para crescer, do DN e da PwC. Lisboa, 22 de abril de 2026.
Banco de Fomento diz que está a montar "um fundo soberano" para Portugal
Conferência M&A - Consolidar para crescer, do DN e da PwC. Lisboa, 22 de abril de 2026.
Assista aqui à sessão de abertura

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt