Tereza Fiúza, presidente para o investimento (chief investment officer) do Banco Português de Fomento, na conferência organizada por DN/PwC. Lisboa, 22 de abril de 2026.
Tereza Fiúza, presidente para o investimento (chief investment officer) do Banco Português de Fomento, na conferência organizada por DN/PwC. Lisboa, 22 de abril de 2026.Foto: Reinaldo Rodrigues

Banco de Fomento diz que está a montar "um fundo soberano" para Portugal

É "o fundo dos fundos", um mega veículo financeiro que vai ser criado nos próximos anos pela instituição pública Banco Português de Fomento, revelaram os seus responsáveis na conferência DN/PwC.
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Vários países, sobretudo os mais ricos do mundo, têm fundos soberanos. O Banco Português de Fomento (BPF) quer uma coisa parecida para Portugal. Diz que está a trabalhar na construção de um mega-fundo de investimentos "que funcione como um fundo soberano", "sempre aberto a novas participações" e "numa lógica perpétua", um fundo que tenha uma existência "permanente" em Portugal, revelou Tereza Fiúza, presidente executiva para a área do investimento, "CIO ou chief investment officer" do BPF.

No painel de debate na conferência "M&A - Consolidar para Crescer", organizada pelo Diário de Notícias (DN) e pela consultora PwC, que decorreu em Lisboa, esta quarta-feira, 22 de abril, a gestora explicou que o maior trabalho que agora tem em mãos e "em ambição" é a montagem do chamado "fundo de fundos", o tal que, espera, venha a funcionar como o primeiro "fundo soberano" do país.

A economia portuguesa é maioritariamente composta por empresas pequenas e muito pequenas e, António Correia, o presidente da consultora PwC e anfitrião do debate, contou que foi a um motor de inteligência artificial perguntar e o resultado é que "mais de 99% das empresas em Portugal são PME".

Com isto presente, "o Banco de Fomento trabalha numa lógica de ambição pela dimensão", explicou Tereza Fiúza.

"As empresas, quando são demasiado pequenas, enfrentam quase sempre problemas para reter talento e de internacionalização", pelo que, quando "insistimos nesta prioridade de apoiar as empresas para crescerem, terem dimensão, não é por isso ser um luxo, é por ser uma necessidade".

A alta responsável apontou para exemplos de economias em que as empresas passaram a liderar, de pequenas a globais, "é o que acontece em países como Irlanda, Israel".

"Nada contra as empresas pequenas, muito menos contra as start-ups, mas temos de ter ambição e pensar nas nossas empresas a nível mundial".

Além disso, se as empresas portuguesas se lançarem no radar global, "muitas pessoas com talento, que trabalham no estrangeiro", passam a olhar para Portugal de outra forma.

Mais: para Tereza Fiúza, "se houver dinheiro cá em Portugal, essas pessoas vêm e trazem as suas competências".

"Nós, no BPF, temos uma grande capacidade de ir a todas as áreas da economia, somos agnósticos nisso, temos uma operação capilar, e temos os fundos e os meios para atrair essas pessoas e investir muito mais e melhor".

A ideia de erguer "o fundo de fundos" segue um "modelo de referência internacional para dinamização do capital de risco" na economia portuguesa.

Como referido, esta mega veículo financeiro está pensado para operar como um enorme fundo soberano e, assim, "ser um instrumento estruturante da política de investimento do país, ter uma gestão profissional e centralizada do capital", dos ativos em que investe, "poder fazer alavancagem de capital público e privado [contrair dívida para aumentar participações e capital]", desenvolver o ecossistema dos fundos de investimento e maximizar o impacto na economia".

A CIO diz que estão a desenhar este mega fundo de forma "estruturante", porque apoia o crescimento e a internacionalização de start-ups e PME; tendo uma gestão "profissional", vai poder atrair "talento e experiência, aumentando a capacidade do grupo BPF"; a lógica da "alavancagem" é através de modelos de parcerias público-privadas (PPP).

Fiúza acrescentou que, com este espírito e com estas novas ferramentas financeiras para captar fundos que nutram boas empresas e cada vez mais globais, "vamos distinguir os projetos que vencem e os que ficam pelo caminho".

"O fundo de fundos será o instrumento de aceleração da economia portuguesa por excelência" e, pelo que já investigaram e pelos "muitos contactos" que fizeram no mercado financeiro, "em Portugal existem muitos alvos preferenciais de investimento em todas as áreas possíveis".

"Temos falado muito com o mercado, com associações de fundos, com entidades gestoras uma a uma, muitos deles nossos co-investidores em projetos que já estão no terreno".

E isto "tem-nos permitido olhar para áreas da economia para investir, não numa lógica de concurso público, mas deixando o fundo sempre aberto, queremos que esteja sempre em open call, que seja um fundo de perpetuidade, que esteja sempre à procura de oportunidades de investimento", declarou a gestora do Banco de Fomento.

E investir em quê?, perguntou Filipe Alves, o diretor do DN. "Em todas as áreas, queremos ser o mais agnósticos possível nisso. Queremos olhar para PME, para operações de consolidação, investimentos diretos nas empresas quando entramos no seu capital social, ou quando entramos no capital dos fundos de investimento, que depois vão fazer esse trabalho nas empresas", explicou Fiúza.

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