Senegal soma terceira participação seguida no Mundial.
Senegal soma terceira participação seguida no Mundial.FIFA

Senegal tem de digerir a despedida de Mané e a CAN perdida na secretaria

País venceu Marrocos na final da prova continental, mas acabaria por ter uma derrota administrativa. A recuperar da decisão polémica chega ao Mundial a sonhar com o adeus grandioso da referência.
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O Senegal não tem por hábito ficar-se pelo corpo presente no Mundial. À quarta participação, a vontade é, no Grupo I, ganhar pelo menos um jogo e lutar pelo apuramento. Em 2002, na primeira presença, chegou aos quartos de final da prova, na Coreia do Sul. Em 2018, tornou-se a primeira equipa da história a ficar fora da segunda fase por perder no desempate por fair-play, depois de somar quatro pontos e igualdade em golos marcados e sofridos com o Japão, que se apurou nessa altura. Em 2018, Mané celebrava 20 golos na segunda época de Liverpool e foi-se assumindo, cada vez mais, como figura incontornável.

Em 2022, depois de 23 golos e de ser até mais protagonista do que Salah nos redes, falhou o Mundial do Qatar por lesão no joelho, um baque tremendo nas aspirações dos Leões de Teranga. Em 2021, já guiara a equipa à vitória na Taça Africana das Nações e agora. Depois do Bayern, seguiu-se o Al Nassr, no qual somou 51 golos em três anos. Aos 34 anos, em clara fase descendente, Mané tem, provavelmente, a despedida no palco maior e é, também nisso, que se baseiam muitas das aspirações. A regularidade da seleção é inabalável. São três presenças consecutivas no certame. Se em 2002 chegou aos quartos de final, em 2022 passou a fase de grupos, logo é expectável que trave uma luta intensa com a Noruega nesse âmbito.

Na memória tem de estar ainda uma das mais insólitas decisões recentes do futebol. Apesar de triunfar diante de Marrocos, na final da CAN 2025, o título seria retirado ao Senegal. Uma derrota na secretaria, por 3-0, decidida pela Confederação Africana depois dos apelos dos marroquinos. No caso pela seleção senegalesa ter abandonado o campo em protesto após um penálti que considerou mal assinalado e que até acabou por não ser convertido. A decisão chocou o mundo e ainda gera ecos. Há uma natural revolta que o Senegal quer capitalizar no Mundial. E, entre africanos, pode dizer que tem das seleções com mais talentos. Viver à volta de Mané pode ser um erro dada a capacidade do plantel.

Internacional e habituada à Europa, é uma seleção com pergaminhos para sonhar. Na baliza, destaque para Édouard Mendy (Al-Ahli), ex-jogador do Chelsea. Krépin Diatta (Mónaco), Kalidou Koulibaly (Al-Hilal), Mamadou Sarr (Chelsea) e Moussa Niakhaté (Lyon) integram a defesa. No meio-campo, Idrissa Gana Gueye (Everton), Pape Gueye (Villarreal), Pape Matar Sarr (Tottenham Hotspur) e Lamine Camara (Mónaco) são peças importantes. No ataque, além de Mané, o valor de mercado não deixa dúvidas da qualidade ofensiva. Ismaïla Sarr (Crystal Palace) está avaliado em 35 milhões, Iliman Ndiaye (Everton) em 50 M€, Assane Diao (Como) e Ibrahim Mbaye (PSG) em 30 M€, Nicolas Jackson, emprestado pelo Chelsea ao Bayern, vale 40 milhões.

Pape Thiaw é o treinador, mas entra no Mundial com críticas. O selecionador, justificando estar a "defender" os atletas, expressou a vontade de que o plantel abandonasse o campo na final da CAN e foi afastado provisoriamente pela federação local. Levou uma suspensão de cinco jogos devido ao comportamento, castigo que não terá impacto no Mundial. Ainda assim, o comportamento foi questionado e Thiaw enfrentou contestação antes de anunciar a lista provisória de 28 atletas. O Senegal foi o primeiro no seu grupo de apuramento, com mais dois pontos do que a RD Congo. Apesar do bom arranque na prova, os empates com Sudão do Sul, Togo e RD Congo começaram a exibir algumas fissuras no grupo senegalês.

A 16 de junho o Senegal tenta a desforra com a França, equipa que os arredou nos quartos de final de 2002. A 23 o encontro com Noruega pode ser determinante, fechando a 26, contra Iraque, a fase de grupos.

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