Depois de um longo e tenebroso inverno, marcado por chuvas intensas, tempestades e centenas de ocorrências - da Serra da Estrela ao Ribatejo - o Centro de Portugal entra na primavera com a vontade de florescer. Com a Páscoa à porta, que este ano se assinala já na sexta-feira, 3 de abril, a região volta a posicionar-se como destino de refúgio, agora com um simbolismo adicional: o da recuperação.Entre aldeias reconstruídas, hotéis que resistiram à intempérie e cidades que continuam a reinventar-se, o DN preparou um roteiro possível para estes dias que cruza natureza, bem-estar e, inevitavelmente, gastronomia na região.Villa Pedra Natural Houses (Soure)Em tempos de reestruturação na região do Centro, a Villa Pedra Natural Houses, na Serra do Sicó, no concelho de Soure, nasce da recuperação de casas de pedra, respeitando a traça original, e hoje apresenta-se como um refúgio discreto onde o silêncio é parte da experiência.São 11 casas reconstruídas com técnicas tradicionais, decoradas com peças de antiquários e envolvidas por jardins privados, numa lógica que privilegia a autenticidade e a ligação à comunidade local. Aqui, não há barreiras entre hóspedes e aldeia: as ruas são públicas e a vivência é partilhada..Para a Páscoa, a unidade - que, devido às tempestades só pôde reabrir em meados de março - aposta numa proposta simples: desacelerar. Entre o chilrear dos pássaros e os trilhos da serra, os dias fazem-se de caminhadas, visitas às grutas do Soprador do Carvalho ou experiências locais que vão da cerâmica ao bem-estar. Aqua Village Health Resort & Spa (Oliveira do Hospital)Mais a norte, em Oliveira do Hospital - outro dos concelhos mais afetados pelas intempéries recentes - o Aqua Village Health Resort & Spa surge como um contraste entre natureza bruta e conforto sofisticado.Instalado junto ao rio Alva, o hotel conjuga arquitetura contemporânea com uma forte componente de bem-estar. Piscinas termais, espaços de hidromassagem e até massagens realizadas em estruturas suspensas nas copas das árvores fazem parte da experiência..Mas há também um olhar atento para o território. A oferta inclui visitas a queijarias artesanais, provas de vinhos do Dão e roteiros pela Serra da Estrela ou pelas aldeias históricas, como o Piódão. Uma forma de ligar o descanso à descoberta de uma região que tenta agora recuperar a normalidade.Luz Charming Houses (Fátima)A poucos minutos do Santuário de Fátima, onde dezenas de árvores desabaram no início do ano, o Luz Charming Houses propõe uma experiência mais introspectiva. Inspirado numa aldeia dos séculos XIX e XX, o espaço está escondido num bosque e aposta numa atmosfera quase mística, onde a Páscoa ganha naturalmente outro significado..Aqui, os percursos são meditativos, há massagens numa gruta natural e o ritmo abranda ao ponto de se ouvir, em noites limpas, os cânticos vindos do Santuário. A sustentabilidade é também parte central do projeto, desde a utilização de energia solar à valorização de produtos locais - compotas, pão quente, artesanato - integrando o visitante numa lógica de turismo mais consciente.Lisotel Hotel & Spa (Leiria)Em Leiria - um dos distritos mais afetados pela passagem da tempestade Kirstin - o Lisotel Hotel & Spa manteve-se de portas abertas mesmo com rastros de destruição, afirmando-se como símbolo de resiliência numa região particularmente fustigada.Com uma proposta temática inspirada em histórias de amor locais, o hotel aposta no conforto e no bem-estar, com spa, piscinas interior e exterior e uma forte componente sustentável - painéis solares, geotermia e tratamento de águas sem cloro..À mesa, a Páscoa segue a tradição, mas com apontamentos contemporâneos. O carré de borrego, o bacalhau confitado com puré de castanhas ou sobremesas como o mil-folhas reinterpretado mostram como a cozinha regional continua a reinventar-se.Comer e beber em SantarémSe há destino que reforça o argumento de uma escapadinha pascal no Centro, especialmente no que toca à culinária, é Santarém. Também afetada pelas chuvas - com cheias e deslizamentos de terras - a cidade continua a afirmar-se como um dos polos gastronómicos mais interessantes do país.Entre um dos principais destaques da cidade está o Ó Balcão, de Rodrigo Castelo, que em 2026 voltou a renovar sua estrela Michelin e segue como referência na cozinha sustentável, com os sabores do rio e dos produtos locais como protagonistas. Boa opção para quem valoriza refeições fine-dining fora da caixa..Já no Deselegante, de Rui Lima Santos, a tradição das tascas é reinterpretada com técnica e irreverência, e, em menos de dois anos, o restaurante já se destaca como outro dos mais visitados da cidade. A casa se destaca por misturar pratos tradicionais da região - e não só - com um toque de contemporaneidade. Aos domingos está encerrado, mas é aposta segura para uma Sexta-feira Santa num roteiro pelo Centro de Portugal. .Portugal tem dez novos restaurantes distinguidos com uma estrela Michelin.Aeroportos da União Europeia esperam filas de duas horas no controlo de fronteira na semana da Páscoa