Vista aérea do Convento do Espinheiro, em Évora.
Vista aérea do Convento do Espinheiro, em Évora. Foto: DR

Entre claustros, vinhos e séculos de história no Convento do Espinheiro

O diretor comercial do hotel, Carlos Matuto, explica como um antigo convento do século XV se mantém competitivo numa Évora em franco crescimento turístico e sem abrir mão da autenticidade.
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Claustros centenários, jardins impressionantemente preservados, uma igreja histórica, antigas dependências monásticas e uma cisterna gótica. São essas algumas das características do espaço que acolhe o hotel Convento do Espinheiro, em Canaviais, arredores de Évora, onde o charme e imponência do alojamento estão na preservação de uma narrativa que começou há mais de cinco séculos.

Instalado num antigo convento fundado em meados do século XV, a poucos quilómetros do centro histórico da capital alentejana, o hotel, inaugurado em 2005, atravessa um dos momentos mais interessantes da sua história recente. Afinal, o crescimento do turismo em Évora e a valorização internacional do Alentejo, colocaram a região cada vez mais no radar do público. E entender o fascínio pelo convento não é difícil.

“A identidade é precisamente a nossa maior vantagem competitiva”, resume Carlos Matuto, diretor comercial do Convento do Espinheiro. “Um hóspede que dorme numa suíte com tetos abobadados do século XV, que janta na antiga adega dos monges e que prova vinho na cisterna gótica está a viver algo irrepetível".

Edifício é de 1458.
Edifício é de 1458. Foto: JOAO MACHADO/DR

O edifício nasceu como mosteiro da ordem de S. Jerónimo em 1458 e, ao longo dos séculos, recebeu reis, membros da nobreza e algumas das figuras mais importantes da história portuguesa. Depois de um longo processo de recuperação e adaptação à hotelaria contemporânea, transformou-se numa unidade de cinco estrelas que procura equilibrar património e conforto. No fundo, o hotel oferece algo que poucos conseguem replicar: uma experiência de primeira linha construída sobre séculos de história.

Essa procura por equilíbrio, aliás, é também visível nos quartos: algumas unidades mantêm uma linguagem mais clássica, com referências à história do edifício e à tradição decorativa portuguesa, enquanto outras apostam numa abordagem mais contemporânea. Em comum, todas beneficiam do contexto privilegiado dos cerca de nove hectares de jardins e espaços verdes que rodeiam o antigo convento: no total são 92 quartos, dois restaurantes, spa e espaços para eventos.

Alguns dos quartos tem decoração mais contemporânea.
Alguns dos quartos tem decoração mais contemporânea.Foto: JOAO MACHADO

Gastronomia alentejana no Divinus

Além do spa, piscina, provas de vinho e largo espaço verde durante o dia, a experiência do Convento do Espinheiro continua no jantar, mais especificamente à mesa do Divinus, restaurante instalado na antiga adega-lagar do mosteiro. O espaço preserva parte da estrutura histórica do edifício e funciona como uma extensão de uma ligação direta ao território que o hotel procura oferecer aos hóspedes (o pequeno-almoço também é servido ali).

No jantar no Divinus, entre as entradas destacam-se os Sabores do Montado (€13,50), que juntam croquete de porco preto, presunto de bolota e maionese de estragão, e o Cação e Coentros (€20,50), interpretação contemporânea de um clássico regional.

Divinus tem foco no produto local alentejano.
Divinus tem foco no produto local alentejano.Foto: JOAO MACHADO/DR

Já nos pratos principais, surgem propostas como o Polvo e o Arroz (€29,50), servido com arroz cremoso e puré de batata-doce, o Robalo e Lavagante (€39,50), acompanhado por arroz de bivalves, ou o Lombo de Novilho Mertolengo (€34,50), servido com cogumelos, foie gras, ovo de codorniz e gratin de batata com trufa. Já o Borrego (€34,50) e a Presa de Porco Preto (€29,50) são opções para quem realmente quer entrar no clima alentejano.

Por fim, nas sobremesas, o restaurante trabalha ingredientes ligados à paisagem alentejana em propostas como Amêndoa, Pêra e Limonete (€11,50) ou Maçã, Castanha e Poejo (€12,50). Para os apreciadores de chocolate, há ainda a Marquise de Chocolate 70% (€15,50) e o Fondant de Chocolate 68% com Mousse de Café e Gelado de Café Arábica (€16,50).

Interior do restaurante.
Interior do restaurante. Foto: DR

Americanos, brasileiros e uma Évora em alta

Embora o mercado nacional continue a representar a principal fatia da procura, os visitantes internacionais assumem um peso crescente na operação. Entre eles, destacam-se os norte-americanos e os brasileiros, presenças facilmente identificáveis durante uma estada na unidade. “São, de facto, os nossos dois mercados internacionais mais relevantes”, explica Carlos Matuto.

O viajante norte-americano de luxo procura exatamente o que oferecemos: história, autenticidade e natureza. O Brasil tem uma relação muito próxima ao Convento do Espinheiro desde o seu início. Aliar a experiência única do convento ao enoturismo e à gastronomia cria pontes muito fortes."

Piscina exterior do hotel.
Piscina exterior do hotel. Foto: DR

A observação dos turistas no hotel, aliás, acompanha o momento vivido pela própria cidade. Nos últimos anos, Évora consolidou-se como um dos destinos portugueses mais procurados por viajantes interessados em património, gastronomia e vinhos, uma tendência que deverá ganhar novo impulso com a Capital Europeia da Cultura em 2027.

“É um momento verdadeiramente especial”, considera Matuto. “A cidade tem atraído um perfil de visitante mais exigente, o reconhecimento gastronómico é fulcral para a região e a Capital Europeia da Cultura vai amplificar tudo isto de forma significativa. Quando Évora brilha, beneficiamos diretamente.”

Fachada do hotel.
Fachada do hotel. Foto: DR
*O jornalista ficou no Convento do Espinheiro a convite do hotel.
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