Professores querem 2.ª fase dos exames nacionais em setembro
FOTO: Maria João Gala/Global Imagens

Professores querem 2.ª fase dos exames nacionais em setembro

Missão Escola Pública defende que adiamento semelhante ao aplicado no período da pandemia permitirá assegurar “mais tempo para a classificação, maior tranquilidade aos classificadores e maior rigor na avaliação, sem comprometer férias há muito programadas por professores e famílias”.
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 Adiar datas  da 2.ª fase dos exames nacionais do ensino secundário e provas finais de 9.º ano “não resolve problemas”. A Missão Escola Pública (MEP) – um movimento apartidário de professores – considera que o adiamento anunciado esta sexta-feira, 3 de julho, pelo ministro da Educação, Fernando Alexandre, era previsível, mas lamenta que continue por explicar é como serão resolvidos os problemas que lhe deram origem.

“Enquanto persistirem professores sem acesso aos itens de classificação, respostas incompletas, constrangimentos na plataforma e dúvidas quanto à integridade do processo de classificação, a alteração das datas representa apenas uma gestão do calendário, não uma solução”, salienta em comunicado enviado às redações.

Para “assegurar “mais tempo para a classificação, maior tranquilidade aos classificadores e maior rigor na avaliação, sem comprometer férias há muito programadas por professores e famílias”, a MEP defende a realização dos exames da 2.ª fase em setembro, à semelhança do que aconteceu no período da pandemia de Covid 19, em 2020.

Para sustentar esta posição, os professores salientam que o prolongamento das classificações das provas (até 14 de julho) não é de quatro dias, mas “apenas dois dias úteis”. “Mais grave ainda, muitos classificadores continuam sem conseguir trabalhar. Para esses professores, o prolongamento do calendário não representa mais tempo útil de classificação. Os professores continuam sem os 10 dias úteis prometidos”, acrescenta.

A MEP garante que persistem problemas graves que continuam sem qualquer resposta” e lamenta a falta de explicações por parte do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI).

O comunicado do Ministério nada esclarece relativamente aos constrangimentos que continuam diariamente a ser reportados pelos classificadores, nomeadamente as respostas sem folhas de continuação; respostas com caligrafias diferentes atribuídas ao mesmo aluno; problemas na qualidade da digitalização; o desaparecimento de itens já classificados da área de trabalho dos professores, a substituição desses itens por novos lotes de classificação, entre os quais surgem respostas já classificadas por outros docentes”. 

Os professores lamentam ainda o silêncio do MECI sobre as provas de 9.º ano “apesar de continuarem a existir classificadores sem acesso aos itens, nomeadamente na disciplina de Matemática, onde parte da classificação decorre igualmente em formato digital”.

Devido a todos estes constrangimentos, a MEP assegura ser imperativo adiar a 2.ª fase dos exames e provas para setembro e exige que o Ministro da Educação e o EduQA “assumam publicamente as responsabilidades por este processo e apresentem soluções concretas que devolvam confiança aos professores, aos alunos e às famílias”.

A MEP continua a defender que, neste momento, regressar ainda que temporariamente à classificação em suporte papel não representa um passo atrás, “representa a decisão mais responsável para garantir que todos os alunos são avaliados com rigor, justiça e transparência”. “Se a manutenção de um modelo que não oferece garantias serve apenas para cumprir calendários ou salvaguardar financiamento europeu, então as prioridades estão invertidas. A credibilidade da avaliação externa é indispensável. Quando estas duas opções entram em conflito, a escolha só pode ser uma: proteger os alunos, respeitar os professores e garantir a confiança do país nos exames nacionais”, conclui o comunicado.

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