Problemas com a plataforma de classificação de provas, folhas de alunos trocadas e classificadores sem habilitação na disciplina são alguns dos problemas atuais que as escolas estão a enfrentar e que podem levar a alterações do calendário de exames. “É muito difícil, diria mesmo praticamente impossível, cumprir-se o prazo de correção e afixação do resultado dos exames. Está comprometida a 2ª fase e a data de candidatura do acesso ao Ensino Superior”. O alerta é de Cristina Mota, porta-voz da Missão Escola Pública (MEP) - um movimento apartidário de professores. Os problemas com a correção dos exames, num ano em que, pela primeira vez, todas as provas estão a ser classificadas digitalmente, sucedem-se e estão a levar os docentes a entregar escusas de responsabilidade. Movimentos cívicos de professores, como a MEP, o S.O.S Escola Pública ou o Metaprof relatam dezenas de problemas “graves” como a plataforma inacessível (que comprime o tempo real de classificação), folhas de alunos trocadas (que podem conduzir a classificações erradas sem que o professor o saiba) e classificadores sem habilitação na disciplina a receber itens de disciplinas que não lecionam, o que “cria um risco sistémico para a integridade das notas”. Em comunicado, o Metaprof fala em “colapso da plataforma de classificação”. “Desde 23 de junho - data prevista para o início da classificação - professores reportam impossibilidade de aceder à plataforma. Ao dia 29 de junho, cinco dias depois do prazo original, docentes continuam sem acesso”, pode ler-se.O mesmo documento descreve situações de professores que relatam que o código de autenticação SMS foi enviado para um número de telemóvel desconhe- cido; erros de digitalização de provas, com folhas de continuação em falta (deixando composições truncadas a meio de uma frase), folhas totalmente em branco, digitalizações ilegíveis. Ao DN, Cristina Mota afirma que a fiabilidade dos resultados está em causa. A responsável adianta ainda que na maioria dos agrupamentos, os professores ainda não receberam a convocatória para correção do exame de Matemática (realizado dia 23). “O prazo de correção termina dia 10, o ministro garantiu dez dias úteis para correção, o que já é impossível”, explica. Segundo a porta-voz da MEP, apenas os docentes de Português e Economia estão a conseguir corrigir exames “e mesmo assim muitos não conseguem aceder à plataforma”. “O problema maior é a falta de folha de continuação em vários itens, há casos em que o aluno continua a resposta, mas não se consegue avançar para a folha seguinte”, relata. Devido a todos estes constrangimentos, Cristina Mota antevê a possibilidade da realização da 2ª fase de exames no mês de agosto, na época especial dedicada, por exemplo, aos alunos federados.A MEP acredita não estar assegurada a segurança de que efetivamente o exame classificado é o que o aluno realizou e, por isso, aconselha os alunos a “tomarem nota de quantas folhas entregaram para depois conseguir confirmar se todas elas foram classificadas”.Já Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), pede serenidade para evitar atitudes precipitadas. “O ministro garantiu a afixação das pautas no dia 14. Temos de perceber se o calendário se vai cumprir. Até ao dia 10 todos os professores vão conseguir corrigir os exames? As pautas vão ser afixadas? A 2º fase vai manter-se nas mesmas datas? Vamos ter de esperar pelos próximos dias para ter estas respostas”, afirma.O responsável lamenta a sucessão de problemas “numa altura em que alunos e escolas precisam de tranquilidade” e entende que “o ministro quis dar um passo de gigante”. “O ano passado este processo foi feito com 20 mil alunos (apenas o exame de Filosofia) e passou para 300 mil este ano. É uma empreitada grande e teremos de ver, no final, o que falhou e tirar as devidas conclusões. Não devemos é entrar no jogo do passa culpa que em nada ajuda o sistema de ensino”, acrescenta.O DN contactou o Ministério da Educação, Ciência e Inovação para esclarecer se os exames da 2ª fase poderão ser reajustados e se a correção digital se irá manter, mas não obteve resposta até o fecho desta edição..Diretores rejeitam responsabilidades nas falhas relacionadas com a correção dos exames. Ministro diz que nenhum aluno será prejudicado.Diretores escolares pedem novas técnicas de vigilância nos exames para detetar tecnologias usadas por alunos