Professores pedem interrupção do processo de classificação de exames
Foto: Maria João Gala/Global Imagens

Professores pedem interrupção do processo de classificação de exames

Movimento Missão Escola Pública afirma não estarem "reunidas condições para os professores realizarem o seu trabalho de forma responsável e segura".
Publicado a
Atualizado a

Missão Escola Pública (MEP) afirma que continuam a verificar-se dificuldades significativas na correção digital dos exames nacionais, apesar de alguns professores classificadores de disciplinas como História A e Biologia e Geologia terem começado a receber itens para classificação ao longo desta quinta-feira.

“Não estão reunidas condições para os professores realizarem o seu trabalho de forma responsável e segura. O processo de classificação tem de ser imediatamente interrompido”. Quem o diz é a MEP que, em comunicado, garante a persistência de problemas graves na correção digital dos exames nacionais de 11.º e 12.º anos.

Num ponto de situação feito esta quinta-feira (2) à tarde, o movimento apartidário de professores refere que a esmagadora maioria dos classificadores permanece sem conseguir aceder à plataforma ou, quando o consegue, contínua sem qualquer item disponível para classificação. Como exemplo, aponta a disciplina de Matemática A, cujos classificadores, segundo a MEP, continuam sem acesso a itens, apesar de existirem cerca de 520 mil por classificar.

O movimento diz manter-se o registo de constrangimentos graves durante o processo de classificação. Entre as situações reportadas estão respostas sem folhas de continuação, respostas que apresentam caligrafias diferentes dentro do mesmo item e problemas relacionados com a qualidade da digitalização.

Segundo a MEP, quando um professor deteta uma destas situações, em muitos casos não consegue gravar o trabalho realizado nem avançar para o item seguinte sem prejudicar o aluno, uma vez que a plataforma obriga à classificação de uma resposta que considera manifestamente incompleta.

A principal novidade do dia, refere a organização, surgiu durante o final da tarde, quando começaram a ser atribuídos novos lotes de trabalho aos classificadores. Depois de vários dias em que os docentes receberam apenas cerca de 36 itens, passaram a ser distribuídos lotes superiores a 120, 150 ou mesmo 160 itens por classificador.

A MEP recorda já ter alertado para o facto de a atribuição inicial de cerca de 36 itens ser “manifestamente insuficiente” para responder ao volume global de classificação. Apenas no exame nacional de Português, acrescenta, estimava-se que cada classificador tivesse de avaliar cerca de 240 itens. Para o movimento, este aumento repentino do número de itens constitui “mais uma evidência de que o processo está muito atrasado e reforça as dúvidas quanto à possibilidade de cumprimento dos prazos previstos”.

A organização afirma ainda que numerosos classificadores relataram que muitos dos novos itens agora atribuídos já se encontravam classificados por outros professores. Em simultâneo, acrescenta, desapareceram das respetivas áreas de trabalho itens que os próprios docentes dizem já ter concluído.

Segundo a MEP, os classificadores desconhecem o que está a acontecer e, até ao momento, nem o Júri Nacional de Exames. nem o EduQA (entidade responsável pela gestão da classificação dos exames) prestaram esclarecimentos sobre estas situações, o que, afirma, “aumenta a perplexidade e a insegurança entre os professores”.

Perante este cenário, a Missão Escola Pública considera existirem cada vez mais fundamentos para a apresentação de Escusas de Responsabilidade.

No comunicado, a MEP exige que o ministro da Educação e o EduQA prestem, com caráter de urgência, esclarecimentos públicos sobre o estado do processo, defendendo que “já é tempo de existir um rosto que assuma responsabilidades perante os professores, os alunos e o país”.

A organização sustenta ainda que, “a cada dia que passa”, se torna “mais evidente” que a insistência no atual modelo está a comprometer a fiabilidade da classificação dos exames nacionais. Por isso, volta a apelar ao ministro para que determine a distribuição imediata dos cadernos de resposta em suporte de papel pelos agrupamentos de exames.

A MEP considera que persistir num processo que continua a acumular falhas técnicas, erros de distribuição e dúvidas quanto à integridade das respostas coloca em risco a confiança na avaliação externa, defendendo que ainda é possível regressar ao modelo em papel que, afirma, garantiu durante décadas “rigor, segurança e credibilidade” na classificação dos exames nacionais.

Diário de Notícias
www.dn.pt