A AIMA foi a principal base de dados.
A AIMA foi a principal base de dados.Foto: Gerardo Santos

População em Portugal atinge 11,4 milhões. Imigrantes são 14% dos residentes

INE utilizou várias fontes administrativas, como Ministério da Educação e Segurança Social, com aplicação de ténicas estatísticas para chegar aos resultados.
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O Instituto Nacional de Estatística (INE) acaba de divulgar os dados sobre população residente em Portugal. São 11,4 milhões, dos quais quase 1,6 milhões são imigrantes, o equivalente a 14% do total da população residente. Em números mais exatos, são 1 597 539 pessoas.

Este valor correspondeu a um aumento de 59 113 pessoas relativamente ao ano anterior, segundo INE. Entre 2021 e 2025, a população de nacionalidade estrangeira mais do que duplicou, o que correspondeu a um aumento de 849 384 pessoas (passando de 748 155 para 1 597 539).

Para chegar a estes dados, o INE utilizou os dados da Agência para Integração, Migrações e Asilo (AIMA), mas não só. Foram cruzados dados administrativos de outros tutelas, como Segurança Social, Finanças e Ministério da Educação.

De acordo com o INE, os aumentos mais expressivos ocorreram nos anos de 2022, com mais (326 090 imigrantes), 2023 (mais 275 929 imigrantes) e em 2024, quando foram somados 188 252 cidadãos estrangeiros.

O Algarve foi a região com maior peso da população estrangeira 27,9%, num total de 161 556 pessoas. O número é maior do que em Lisboa, que apresenta a segunda maior proporção (22,6%), seguida pela Península de Setúbal (18,3%).

Em relação ao perfil desta população, continua a ser predominantemente em idade ativa, com 86,1% de pessoas entre os 15 aos 64 anos de idade, "muito distinta da população total". Menores de 14 anos somam 8,9% de jovens e idosos 5% de idosos (acima dos 65 anois de idade. Segundo o INE, a concentração nas idades ativas aumentou relativamente a 2021 em 3,6 pontos percentuais.

Homens são a maioria entre a população estrangeira, correspondendo a 57% do total (913 249 pessoas). Mulheres são 684 290, o equivalentre a 42,8%.

A nacionalidade brasileira continua a ser a mais representativa, com 35,9% da população estrangeira residente. "Relativamente a 2021, o número de residentes nacionais do Brasil mais do que duplicou (106,5%), tendo registado um acréscimo de 296 086 pessoas", lê-se no relatório.

Em segundo lugar está a nacionalidade angolana, com 103 140 pessoas, o equivalente a 6,5% do total de estrangeiros. De acordo com os dados do INE. O aumento é "acentuado" se comparado com 2021, quando esta população tinha 33 099 pessoas em Portugal.

Cidadãos da Índia estão em terceiro lugar, com um total de 93 683 pessoas a residir em Portugal. Cabo Verde (76 099), Nepal (56 866), Bangladesh (56 724) e Guiné-Bissau (53 555) completam o conjunto das principais nacionalidades estrangeiras em 2025.

Foto: INE

A polémica dos números

O INE decidiu rever os números da população estrangeira desde 2021 após uma polémica suscitada pelo então Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. O mesmo já havia ocorrido por divergência de dados entre o Governo e partidos da oposição, nomeadamente o Partido Socialista (PS).

Tudo começou quando o Ministério da Presidência decidiu, em abril de 2025, divulgar um relatório intercalar com novos números da imigração. Na ocasião, dava conta de que o país tinha 1,5 milhões de imigrantes.

Este dado tinha um aumento de 248.857 imigrantes. Isso ocorreu porque estava - e ainda está - em curso uma operação de recuperação pendências antigas. Destes imigrantes, a maioria já estava a residir em território nacional, mas à espera de um documento.

Em dezembro, o assunto novamente veio ao público. O semanário Expresso divulgou que Estado não sabe “quantos são e onde vivem os imigrantes”. Na altura, o ministro ds Presidência, António Leitão Amaro, respondeu. “O que está a acontecer é o natural: quando, durante anos, se esconderam estatísticas, quando havia processos que estavam na gaveta e que, por isso, não eram contados, há um processo, que tem de ser sério, de identificação, contabilização e retirada da gaveta e da escuridão de números que estavam em Portugal mas que não estavam contabilizados”, explicou.

O ministro António Leitão vai reagir ao relatório do INE às 14h.

amanda.lima@dn.pt

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