Mais de quatro mil cidadãos imigrantes legalizados de forma fraudulenta e uma dívida à Segurança Social acumulada de dez milhões de euros. É o que suspeita a Polícia Judiciária (PJ), que investiga um esquema de auxílio à imigração ilegal, falsificação de documentos, acesso ilegítimo e outros crimes.Duas pessoas foram detidas: um advogado português e um empresário estrangeiro, ambos com antecedentes criminais pela prática de crimes semelhantes. A operação foi divulgada esta terça-feira, 26 de maio, tendo a ação sido desencadeada na segunda-feira em Oeiras e Odivelas.Os imigrantes participavam no esquema tanto nos países de origem como à chegada ao território nacional. “Ao que tudo indica, os imigrantes, enquanto ‘clientes’ que se mostravam disponíveis para pagar valores elevados para conseguir legalizar-se em território nacional, eram angariados pelo grupo através de esquemas complexos, quer nos países de origem, quer aquando da chegada ao nosso país", destaca.O grupo fornecia "um conjunto de serviços, tais como a obtenção de contratos de trabalho, Número de Identificação Fiscal (NIF), Número de Identificação da Segurança Social (NISS), atestados de residência, histórico contributivo na Segurança Social, entre outros”, explica a PJ. Estes documentos são alguns dos necessários para a obtenção de um título de residência em Portugal.Para aceder ao sistema da Segurança Social, os suspeitos recorreram à usurpação de credenciais. “Apurou-se, ainda, que os dois suspeitos, através da utilização abusiva de senhas de acesso à Segurança Social Direta, usurpadas a dezenas de entidades empregadoras insolventes e sem qualquer atividade económica, duas das quais com ligações à região Centro do país, qualificaram irregularmente e entregaram declarações de remuneração, conseguindo assim criar falsos históricos contributivos para cerca de 4.000 cidadãos estrangeiros”, acrescenta a Judiciária.Assim, foi gerada, “até à data, uma dívida acumulada à Segurança Social de cerca de 10 milhões de euros”. Segundo a PJ, “muitos dos imigrantes legalizados por este grupo, apesar de figurarem como estando a trabalhar e a residir em Portugal, encontram-se, na verdade, noutros países do espaço europeu”.Além de auxílio à imigração ilegal, falsificação de documentos e acesso ilegítimo, poderão estar ainda em causa os crimes de falsidade informática e branqueamento de capitais. Uma arma proibida na operação, denominada “Terra Milagrosa”, foi apreendida durante a ação.Os agentes realizaram quatro buscas e apreenderam “um vasto acervo de documentação utilizada em processos de legalização irregular de estrangeiros, equipamentos informáticos, dinheiro em numerário e diversos artigos adquiridos com os proventos do crime”.A investigação, “complexa e em curso”, foi iniciada em setembro de 2023 e decorreu em “estreita articulação com a Unidade de Fiscalização do Centro da Segurança Social”. O inquérito é titulado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional de Coimbra.amanda.lima@dn.pt.Auxílio à imigração ilegal. Detidos dois homens suspeitos de falsificarem 800 atestados de residência.MP acusa 15 arguidos e seis empresas por mais de 2.200 crimes de auxílio à imigração ilegal