De Leiria às Colmeias e Memória, vão 13 quilómetros, pouco mais de 20 minutos, mas um rasto gigantesco de luto, pela perda do que a tempestade levou na madrugada que alguns dizem ter sido a do “pior medo”, e que revirou a terra levando tudo pelos ares. Foi a 28 de janeiro, houve quem não dormisse, houve quem não tivesse dado por ela, mas ao amanhecer todos tinham estragos, uns mais do que outros. Uns ainda estão desalojados, outros, e porque já repararam os estragos com as telhas e as lonas conseguidas, já se tornaram voluntários. A vida tem sido feita assim, entre o medo e a escuridão, entre raios de esperança e a ajuda que, muitas vezes, tem chegado de fora, sobretudo do norte mas até do sul do país. “Nunca imaginei que houvesse tanta gente boa”, desabafam. Mas depois do choque, ao fim do décimo quinto dia da passagem da depressão Kristin, o rasto que vai até às freguesias das Colmeias e Memória - sediadas em 46 quilómetros e no extremo do concelho de Leiria, a dividir paredes meias com Pombal e Ourém - já não é só o do medo ou da tristeza, mas também “o da revolta”. Nesta quinta-feira, dia 12, completaram quase 400 horas sem eletricidade, para não falar das quase 200, oito dias, que estiveram sem água e muitos sem tomar banho - situação que foi reposta na semana passada à custa de voluntários. Mas ainda faltam as comunicações, o sinal nos telemóveis falha muitas vezes e a net nem sabem quando será reposta.Não querem pensar o que pode trazer esta sexta-feira, dia 13, porque o pior, depois da tempestade que chegou pelo ar trazida pelo vento, só mais perdas trazidas agora pela subida dos rios ou pelo deslizamento das terras. Na Memória, dizem-nos: “Eram poucos, agora não tem praticamente ninguém”. O gimnodesportivo ainda alberga 13 pessoas, idosos, adultos, grávidas e jovens. “Quem tinha crianças conseguiu lugar em casa de familiares”, explicam. Quem tinha animais, também. Mas os colchões amontoados no pavilhão, alguns sofás doados, roupas a monte e uma baliza de futebol ainda espelham o que vivem ao fim de 15 dias aqueles que “perderam tudo”. A presidente da Junta da Freguesia de Colmeias e Memória, Patrícia Marcelino, continua a fazer todos os dias, pela manhã, a viagem até Leiria para a reunião com a Proteção Civil. “Tenho pedido sempre que tenham em atenção as freguesias, somos os que estamos mais longe, não ajuda, eu sei”, mas também quem podia fazer alguma coisa, como a empresa responsável pela rede elétrica, e-Redes, parece “não ter noção da dimensão que a tempestade teve para nós”, argumenta - são quase 4000 pessoas (3766, uma boa parte com mais de 65 anos) sem luz, mas estima-se que ainda há 35 mil casas nesta situação e todo o concelho. A autarca diz ao DN que, "na última reunião, não nos souberam dizer quando é que a situação ficava resolvida, espero que seja até final de fevereiro, mas não sei”. A 13 quilómetros de Leiria, pelo meio das curvas e contracurvas não há só rasto de postes caídos, há mesmo o cheiro da morte dos cabos trespassados pelos carros na estrada. “É um perigo, algum dia há mais uma desgraça”, comentam. Patrícia Marcelino confirma que a freguesia perdeu “muitos postos de eletricidade, de baixa, média e alta tensão e vai levar algum tempo a reparar. Os funcionários da e-Redes andam agora aí, mas chegaram tarde. Neste momento, se lhe disser que só cerca de 10% da freguesia é que pode ter luz, é muito”. . “Na guerra sabíamos como nos proteger das balas, aqui fomos surpreendidos”Nas aldeias, desespera-se por luz, não só por que a vida na escuridão deprime, mas porque a chuva e o frio não dão tréguas. Que o diga Alice Pinto, com 65 anos feitos a 16 de agosto, habituada a vencer as tempestades da vida, vive agora um momento em que “não sabe o que fazer”. “A minha mãe, está semi-acamada. Tem 88 anos e demência. Fiquei sem teto em casa, está cada vez mais gelada e não a consigo aquecer porque tenho um depósito a água e a luz, que não posso ligar. Vim pedir à junta se com uma equipa de voluntários me ajuda a levantar o poste caído à frente da minha casa para ver se consigo ter luz e aquecer a minha mãe”.Foi a primeira vez que se dirigiu à junta “para pedir alguma coisa”, e acaba por confessar: “Voltei aos meus 15 anos, quando cheguei aqui de Angola (1975) com os meus pais e era tudo diferente do país de onde vinha. As casas ainda não tinham casa de banho nem luz, mas aos poucos foi-se construindo”. A voz embarga-se, os olhos ficam em lágrimas e Alice continua, “mas agora é pior do que a guerra em Angola. Lá estávamos organizados e sabíamos o que fazer para nos protegermos das balas, fui muitas vezes para debaixo das bancadas, aqui não sabemos, fomos apanhados de surpresa, desprevenidos e não sei como resolver a situação”. À nossa frente, contorce as mãos enquanto sorri. “Não é por mim ou pelo meu marido”, explica-se. “É pela minha mãe. Nós damos graças a Deus por estarmos vivos e todos os nossos, e nesta fase é um dia de cada vez, mas ela não aquece. Está sempre fria como a casa, já lhe comprei seis pijamas mais quentinhos, mas não é a mesma coisa”. À porta da junta de freguesia, onde há 15 dias se trabalha às escuras e onde nomes e pedidos de ajuda se vão acumulando, aponta-nos para a sua casa num alto. das Colmeias. “Podem vir ver”, diz. No caminho, um rasto de postes de ferro dobrados ou de cimento caídos, e de raízes de árvores, que foram removidas para dar passagem na estrada. As casas parecem escuras, pela falta de luz ou por janelas quase fechadas, as lonas nos telhados dão ideia dos remendos feitos, tentando proteger o que ainda há do mau tempo contínuo, mas “não é possível”, diz. Chegados à sua entrada a ponta para o telhado, para o pinheiro caído à frente da casa e para o poste e cabos que se mantém no chão. Lá dentro, a vida também está do avesso. “Tive que trazer tudo para aqui para baixo, por causa da chuva. Há duas semanas que não lavo a minha roupa nem a do meu marido, só a da minha mãe, mas é difícil secar alguma coisa. Pensei ir às lavandarias em Leiria, mas dizem-me que são filas e filas para lavar e secar roupa. Só queria ter luz”.Alice teve durante 32 anos a profissão de serralheira civil. Está habituada a trabalhos pesados, o marido, António Ribeiro, de 78 anos, trabalhou na indústria do plástico. Agora, reformados dedicam-se ao que mais gostam, ela à jardinagem e às aulas da universidade sénior em Leiria, ele a trabalhar no campo e a tomar conta de alguns animais. “Temos uma cabrinha que até está para ter bebés e umas galinhas, mas estão bem”. Em casa, têm a companhia de cinco gatas, a Riscas, a Ritinha, a Rosa, a Cinza e a Branquinha e ainda de mais três cachorros, a Lili, que “anda muito assustadiça depois da tempestade e faz muito barulho”, o Pirulito e o Badocha. Foi com eles, sentada na cozinha à luz das velas, que Alice passou a noite de 27 de janeiro e a madrugada de 28. “Não dormi, senti tudo. Fechei as portas todas, eles foram a minha companhia. O meu marido ainda foi um pouco à cama, a minha mãe com os comprimidos acho que não deu por nada”. O som do vento e o barulho das coisas pelo ar trouxeram o medo, “quando ouvi o barulho do poste a cair ainda tentei abrir a porta, não fui capaz, tal era a força do vento”. António acrescenta: “Ninguém imagina, foi assustador.” O pior dos medos, como dizem alguns. Desde esse dia que tentam retocar o que caiu, valeu-lhes a comida congelada na arca, mantida à base da luz do gerador a gasolina. Só que “já foi toda e fica muito caro”. A sorte, mostra-nos, “é que tenho fogão a gás, aqueço água para tomarmos banho num alguidar, mas à minha mãe não posso fazer isto. Limpo-a com toalhitas e, mesmo assim, refila comigo por estarem frias”. . O dia começa cedo, sempre foi assim, mas agora a noite também chega cedo. “Estávamos habituados a ir para cama pelas 11 horas da noite e até mais tarde, agora jantamos cedo e deitamo-nos”, mas, mesmo à luz das velas, Alice entretém-se a fazer marmelada, doce de abacaxi ou velas de parafina, para aproveitar o que vai recolhendo do quintal ou o que vai sobrando. Das duas filhas que tem, uma a viver na Marinha Grande outra em Guimarães só consegue ter notícias quando “pego no carro e vou até ao Barrocão, à Boa Vista ou até à zona industrial da Zicofa, são mais ao menos três a quatro quilómetros, para falar com elas ao telemóvel”.Ao fim de 15 dias, Alice confessa que o que lhe custa mais é o dia parecer quase sempre noite. É como se tivéssemos deixado de viver”, mas quando olha à volta reconhece que “houve gente que perdeu muito mais do que eu. Estou grata por estar viva. Só preciso de luz”. Alice sorri e naturalmente envolve-nos em abraços e agradece: “Muito obrigada por tudo”, quando não fizemos nada. Apenas a manhã tinha começado de forma diferente. “Acredito que a junta é capaz de me ajudar a levantar o poste. Só preciso de luz”. . Na junta, ouvem-se os desabafos, no pavilhão alojam-se vidas, no centro partilham-se refeiçõesÀ chegada à freguesia, percebe-se de imediato onde é a sede da junta, não importa que o GPS indique o número 71 da Rua Alfredo de Sousa Brandão. Uma funcionária de papel e caneta na mão e outra de casaco da proteção civil a falar com pessoas à porta, porque não há luz, denunciam ser ali onde se vai pedir ajuda. Alguns passaram por ali porque tinham hora marcada com a assistente social, outros porque ouviram dizer na rádio que vai ser possível apoios financeiros para obras, outros ainda, como Alice, porque desesperam por luz. Mas há também quem só ali vá para “desabafar” e poder ter no dia momentos de luz no meio da escuridão. Agostinho Mino, de 64 anos, secretário da junta, diz-nos mesmo com toda a clareza: “A junta tem sido o posto do desabafo”, contando que, agora, “há muita revolta. As pessoas já não aguentam mais o stress de não ter luz e, nós, que temos vindo a fazer muita coisa, nisto não podemos fazer quase nada. Não temos meios”.Agostinho explica ao DN que a União das Freguesias de Colmeias e Memória reúne 42 lugares, desde a Eira Velha, “onde estamos”, até à Memória, passando pelo Barracão, Crasto, Igreja Velha, Agodim, etc. Ao todo, são 46 quilómetros ainda sem luz. “É o nosso principal problema”, considerando também que a e-Redes chegou tarde. “Deviam ter vindo mais cedo e trazer mais pessoas para arranjarem tudo mais rápido. Agora, anda aí muita gente, mas são miúdos novos e a maior parte das coisas não sabem como resolver. Mandam o pessoal para cá e depois é isto. Quase que era preferível não haver luz durante uns dias, mas quando viesse era para todos”. Como secretário da junta conta que nos primeiros dias quase que não viu a família, “estive cinco dias sem tomar banho”, mas resolvemos algumas coisas, conseguimos geradores e colocar os desalojados no pavilhão e tivemos muitas ajudas de fora, para o banco alimentar. Há 15 dias que damos refeições a quem ficou sem nada, aos voluntários e ao pessoal da junta que anda nos trabalhos de rescaldo”. Todos os dias, “temos pessoas a cozinhar para dar o pequeno almoço, almoço e jantar. Daqui a pouco estão todos aí”, diz-nos.No pavilhão, técnicos da Câmara de Leiria inspecionam o que há para arranjar. As áreas estão divididas para que homens e mulheres possam fazer a sua higiene e famílias descansarem, já que, e como nos conta Sandra Santos, funcionária da junta, que ali está todos os dias desde 28 de janeiro, “nunca é possível dormir bem, a chuva e o vento fazem muito barulho no telhado e faz frio”. Sandra e os demais que ali trabalham têm servido de apoio aos que ainda ali não têm para onde ir, “já foram mais, mas à medida que a junta consegue uma solução vão saindo”, confessando que o que “custa mais é saber como se consegue consolar pessoas que perderam tudo”. . Sandra diz que também teve problemas na sua casa, mas “não foi muita coisa”, embora recorde que na noite da tempestade fez uma viagem de Lisboa para casa, e que só conseguiu chegar muitas horas depois. “Saímos de Lisboa pelas 02h30 e chegámos às 09h00 do dia seguinte. Não queria acreditar no que via, muita coisa destruída, tudo pelo ar”. Sabrine, de 26 anos, que deixou França em novembro passado para experimentar a vida em Portugal, na terra de familiares, concorda que o cenário era impressionante e que, por isso, decidiu voluntariar-se para ajudar no que podia. No momento, dedicava-se “a separar roupas que depois são para dar”. Assim que bateu as 12h00 horas, os desalojados rumam ao Centro Paroquial dos Três Pastorinhos, no centro da freguesia e ao lado da junta. É ali que “algumas senhoras da terra” cozinham para os alimentar. Mas é ali também que acaba por acontecer muito mais, como a “partilha de refeições”, conviver e ouvir os outros. E alguns, a cada história, acabam por “dar graças”, porque “há pessoas pior do que eu”. Manuela Emiliano, que desde o início dedicou horas ao voluntariado no centro, salvaguarda isso mesmo. “Já conseguimos arranjar o que se estragou na minha casa e esta semana estou mais disponível e vou continuar a ajudar a quem precisa mais do que eu”.As mesas estão postas, e a comida disposta em buffet. Filomena, de 59 anos, sai da cozinha com um sorriso nos lábios, sendo logo apontada como a pessoa que “cozinha tudo desde as primeiras horas”. Ao DN, conta mesmo que começou a fazer as refeições na sua casa, à luz das velas, para quem tinha ficado sem nada. “Só que depois começaram a ser muitas pessoas e já não dava. A igreja disponibilizou o centro e colocou-se um gerador e agora vem tudo aqui. No fim de semana, servimos 200 refeições, contando com os voluntários que vieram de todo o país, sobretudo do norte”. Filomena confessa que vai a casa “praticamente para dormir e tomar banho”, mas a vida é assim. “Gosto de ajudar. Hoje pelos outros, amanhã por nós”. É ela que pensa nas ementas e o critério é aproveitar o que lhes dão e nada desperdiçar. Àquela hora, havia sopa de peixe, feita na noite do dia anterior, bacalhau com couves e peru com massa. “Comida de conforto que é o que precisamos”, afirmam. Na mesa, há pão fresco, enchidos, pastéis de bacalhau e guacamole, feito ao momento para não deixar estragar os abacates oferecidos. E não falta sobremesa, crumble de maçã e maçãs assadas. À noite, uma coisa mais leve, “sopa de vaca”. Se bem que o jantar é servido entre as 17h45 e as 18h30, depois é noite cerrada para chegar a casa. Mas quem ali vai como Lurdes Cerejo, de 57 anos, que perdeu a casa alugada onde vivia na Memória acompanhada de um filho, uma filha grávida e o genro, agradece toda a ajuda que ali tem sido dada, mas espera “conseguir resolver a minha situação até sábado. Temos de deixar o pavilhão e não estou a conseguir alugar casa. Não sei, a única solução será dormir num carro”.Ao DN, a presidente da junta garante que “ninguém ficará na rua. Estamos a procurar soluções para todos”, e Lurdes reconhece que, apesar de a sua situação ter “voltado ao princípio em que a casa caiu com tudo o que lá estava dentro, temos tido muitas ajudas, até doações de coisas para a casa, roupas e até já uma cama para a bebé”. . Na mesa ao lado, Portela Antunes, que em 2017 chegou à terra dos pais vindo da Venezuela, perdeu agora tudo pela segunda vez. “A casa perdeu o telhado, chove tanto cá fora como lá dentro”, explica e não tem onde ficar nem dinheiro para reconstruir. Aqui, em Portugal, não tem reforma, vai precisar de ajudas, ainda não sabe como as conseguir, mas não deixa de elogiar “o trabalho que todos aqui têm feito para nos ajudar, sem receber nada”. O que nos tem valido é o trabalho da população e dos voluntáriosA presidente da junta Patrícia Marcelino diz ao DN que fazem o que têm de fazer e “o mínimo é dar uma refeição a quem precisa e a quem está a ajudar”, confirmando que o que tem valido a Colmeias e Memória é o trabalho da população e dos voluntários. “As pessoas começaram a oferecer-se para ajudarem. Uns aqui na junta, outros no pavilhão e, desde a primeira hora, que tivemos uma cozinheira que se disponibilizou para fazer o que fosse necessário”, mas reforça que “a junta tem feito tudo o que está ao seu alcance para resolver as situações que nos vão aparecendo. Houve pessoas que ficaram sem nada, e a quem já conseguimos arranjar onde ficarem, outras foram para casa de familiares ou que se alugou. Outras estão a ser encaminhadas para lar e outras ainda estão no pavilhão, mas ninguém vai ficar na rua”. . Nos primeiros dias após a tempestade, Patrícia Marcelino tinha afirmado ao DN saber que se calhar iriam ser os últimos a receber ajuda, porque “quanto mais longe do centro do concelho, mais complicado é”. Mas a ajuda institucional “está a levar muito tempo”, reforça. “Ficámos sem água também, porque rebentaram canos, mas ao fim de uma semana conseguimos levar a água até aos pontos mais altos da freguesia. Conseguimos colocar as escolas a funcionar e só falta o principal, repor a eletricidade”. Sobre gastos, a autarca diz não estarem totalmente contabilizados, mas “a cada dia que passa aumentam. Diria que muitos milhares, para não falar já em milhões”.A chuva não dá tréguas e o vento também não e, “por mais que a população tente arranjar os telhados com lonas e telhas, a água volta a cair fora e dentro das casas”, afirma. Sabe que “o que estamos a fazer é provisório e que a recuperação de tudo vai levar muitos meses”, mas reconhece que a Colmeias e Memória tem valido o seu povo, “a população e os voluntários têm sido incansáveis e fico muito contente por isso”, mas descansará “quando todos tiverem luz e tudo estiver arranjado”. No concelho de Leiria há muitas mais freguesias, algumas a três quilómetros da cidade, ainda sem luz e sem comunicações. Só quem tem vivido assim e está no terreno, como diz o presidente da câmara, Gonçalo Lopes, sabe o que é. Na cidade, as 130 mil pessoas que ali vivem já têm luz, mas nas freguesias de Amor, Arrabal, Bajouca, Bidoeira de Cima, Caranguejeira, Coimbrão, Pousos, Barreira e Cortes, Maceira, Marrazes, Barosa, Milagres, Monte Redondo e Carreira,, Parceiros e Azoia, Regueira de Pontes, Santa Catarina da Serra, Chainça, Santa Eufémia, Boa Vista, Souto da Carpalhosa e Ortigosa, ainda há gente a passar dificuldades. Mas todos resistem..Gonçalo Lopes: “Tentei dizer ao primeiro-ministro e ao Presidente que Leiria vivia uma guerra e que precisávamos de ‘tropas’".Cerca de 1200 pessoas deslocadas. População de Leiria faz vigília em homenagem às vítimas do Kristin