O Ministério Público pediu esta sexta-feira a prisão preventiva para os três detidos no âmbito da investigação por suspeitas de corrupção na Madeira, entre os quais o ex-presidente da Câmara do Funchal, Pedro Calado..O anúncio foi feito pelo advogado Raul Soares da Veiga, em declarações aos jornalistas à saída do Tribunal Central de Instrução Criminal, no Campus de Justiça, em Lisboa, onde decorreram as alegações do Ministério Público..O advogado, que defende o empresário Avelino Farinha, líder do grupo de construção AFA, disse aos jornalistas que a procuradora do Ministério Público pediu prisão preventiva para os três suspeitos..Segundo Soares da Veiga, o advogado André Navarro de Noronha já interveio na defesa do seu cliente, Custódio Correia, principal acionista do grupo ligado à construção civil Socicorreia.."Esteve muitíssimo bem, desmontou toda a argumentação do Ministério Público", afirmou, acrescentando que irá "tentar fazer o mesmo" pelo seu constituinte..Soares da Veiga considerou "não ser nada provável" que o juiz decida já hoje as medidas de coação para os três arguidos, não se comprometendo se a mesma decisão será tomada sábado.."Dá muito trabalho uma decisão destas. Não era natural que tivesse sido dada agora [a indicação das medidas de coação]", salientou o advogado, acrescentando estar ainda a "meio da discussão do assunto"..Pedro Calado, Avelino Farinha e Custódio Correia estão detidos desde 24 de janeiro..No âmbito deste processo, o presidente do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque (PSD), foi constituído arguido e acabou por renunciar ao cargo, o que levou à queda do executivo regional, de coligação PSD/CDS-PP, com o apoio parlamentar do PAN..À saída para a pausa para almoço, o advogado Paulo Sá e Cunha, que representa Pedro Calado, escusou-se a dizer aos jornalistas o que se tinha passado, nomeadamente se o MP tinha promovido as medidas de coação..Na quinta-feira, o juiz de instrução criminal Jorge Bernardes Melo recusou o requerimento para a libertação imediata apresentado pelas defesas dos três detidos.."Foi indeferido. No entendimento do juiz não havia fundamento legal para isso, nós não concordamos", disse aos jornalistas André Navarro de Noronha, à saída do Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, no final do dia..As defesas já tinham apresentado um pedido semelhante no final da semana passada..Questionado sobre o motivo para insistirem no novo pedido, André Navarro de Noronha apontou a "falta de alegação da necessidade da medida de detenção, que na nossa opinião se vislumbrou e tornou certa no termo dos interrogatórios"..Também em declarações aos jornalistas na quinta-feira, o advogado de Pedro Calado sublinhou que "há variadíssimas medidas de coação abaixo da prisão preventiva e que se devem aplicar antes da prisão preventiva", considerando que a medida mais gravosa não se aplica a nenhum dos três arguidos.."Estou bastante confiante de que o senhor juiz de instrução tomará uma decisão certa, bem fundada e bem conscienciosa", disse Paulo Sá e Cunha, adiantando que, de qualquer forma, o processo será histórico, porque se terão batido "os recordes numa situação desta natureza"..Advogados não concordam com pedido de prisão preventiva.Os advogados do ex-presidente da Câmara do Funchal Pedro Calado e do empresário Custódio Correia já disseram que não concordam com a medida de prisão preventiva proposta pelo Ministério Público.."Não se justificam neste caso medidas privativas da liberdade. Isso significa que não se justifica nem uma medida de prisão preventiva, nem uma medida de obrigação de permanência na habitação", disse Paulo Sá e Cunha, advogado de Pedro Calado, à chegada ao tribunal após o almoço..Quando questionado sobre os argumentos utilizados pelo MP para a aplicação da medida de coação mais gravosa, mais concretamente o perigo de fuga, Sá e Cunha respondeu que o MP pode "alegar o que quiser"..O advogado remeteu mais comentários para o final do dia de hoje, caso tenha oportunidade de falar perante o juiz de instrução criminal que conduz o processo, Jorge Bernardes Melo..Por seu turno, André Navarro de Noronha, que representa o empresário Custódio Correia, principal acionista do grupo ligado à construção civil Socicorreia, disse aos jornalistas que voltou a pedir a liberdade do seu cliente, por considerar que os pressupostos do MP não estão corretos.."O que lá está até devia de levar ao arquivamento", considerou, referindo não haver "indícios da prática de qualquer crime, mas sim convicções, suspeitas, inferências, conjunturas"..Para o advogado, "não há factos e os princípios da proporção, da proporcionalidade, da necessidade da adequação em qualquer cenário, com o que lá está, não implicam nem permitem o decretamento ou uma promoção de, por exemplo, prisão preventiva"..Segundo Navarro de Noronha, estas deficiências na apresentação do MP "são comuns a todos os arguidos", lembrando que a defesa tem feito o seu trabalho..Nenhum dos três advogados consegue prever a data em que serão conhecidas as medidas de coação.