Moedas diz estar solidário com os manifestantes, mas apela à calma e lembra que a autarquia "não tem tutela" sobre a PSP
"A minha solidariedade para com os manifestantes, porque eu, como presidente da Câmara [de Lisboa], vivo essas situações todos os dias". As palavras são de Carlos Moedas sobre quem tem protestado pelo direito à habitação, nomeadamente no coração da capital, no Rossio, à semelhança do que tem acontecido na praça D. João I, no Porto. O autarca apelou, no entanto, à "serenidade e calma".
Moedas falava à margem de uma cerimónia de entrega de chaves, no âmbito do Programa Renda Acessível, na freguesia de Marvila, quando foi questionado sobre as acampadas de Lisboa e Porto pelo direito à habitação.
Uma causa que diz conhecer bem. "Quando as pessoas não têm dinheiro para pagar a renda vêm ter comigo, quando as pessoas não têm casa, o presidente da câmara é muitas vezes a primeira pessoa com quem falam. Eu vivo essa crise [da habitação] todos os dias e conheço bem o que é isso e, portanto, a minha solidariedade por esta causa que é de todos os portugueses, de todos os lisboetas seguramente", afirmou.
O autarca optou, porém por não comentar as imagens da carga policial na madrugada de domingo (25), preferindo aguardar pelas conclusões do processo que foi aberto pela Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) na sequência das intervenções policiais que aconteceram no Rossio, em capital, e na Praça D. João I, na cidade Invicta.
"Eu estou aqui do lado daqueles que têm esta causa [pelo direito à habitação], ela é absolutamente importante. Em relação àquilo que são as imagens [da intervenção policial], eu não iria fazer aqui nenhum comentário, apenas pedir serenidade e calma”, apelou Carlos Moedas. "Há uma investigação aberta e, portanto, veremos qual é o resultado dessas investigações abertas pela IGAI", argumentou.
Em resposta aos jornalistas, Moedas considerou ainda que "a manifestação é sagrada na nossa constituição" e que "as pessoas podem manifestar-se", mas, "obviamente têm de respeitar a lei".
Questionado sobre se existiu alguma conversa com a polícia antes da carga policial em Lisboa e Porto, o autarca respondeu que a Câmara "não tem tutela sobre a Polícia de Segurança Pública" e que "as decisões da polícia são tomadas com autonomia".
"Neste momento, se mantivermos todos a calma e a serenidade , todos podem manifestar-se todos os dias, os que desejarem, mas respeitando a lei e a ordem, porque obviamente que a cidade é o espaço que é de todos e, portanto, esse espaço que é de todos também tem de ser respeitado", defendeu o presidente da Câmara de Lisboa.

