Luís Neves, ministro da Administração Interna, admitiu esta quarta-feira, 13 de maio, o encerramento de esquadras da PSP em algumas zonas urbanas, como em Lisboa, garantindo que esta medida visa colocar mais polícias nas ruas.“Estamos a pensar em reorganizar estruturas de esquadras em algumas zonas urbanas, designadamente na zona de Lisboa”, disse Luís Neves no programa “Grande Entrevista” da RTP notícias, referindo que o objetivo é ter “menos esquadras para se ter mais gente [polícias] na rua e junto das pessoas”.O ministro explicou que uma esquadra exige no mínimo quase 30 pessoas, mas recusou a criação de “super esquadras”.“Posso garantir aos lisboetas e portuenses que o fecho de uma esquadra vai levar a que sintam mais presença dos polícias na rua”, salientou.SINAPOL apela a reestruturação séria, racional e globalEm reação a estas declarações, o Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL) defendeu na quinta-feira, 14, uma "reestruturação séria, racional e global do dispositivo policial nas grandes cidades".Num comunicado, o SINAPOL reiterou que, "nos dias de hoje, a mera existência de esquadras abertas não pode ser confundida como fator de maior segurança para os cidadãos".O sindicato criticou a manutenção de "estruturas policiais abertas sem capacidade operacional adequada, em muitos casos, em evidente estado de degradação e sem quaisquer condições funcionais"."Preservar uma presença física meramente simbólica da Polícia, frequentemente destinada a satisfazer interesses políticos ou os egos de alguns autarcas, representa uma política errada de segurança pública", acrescentou o SINAPOL.O SINAPOL defendeu que, "em muitas situações", manter esquadras abertas "representa menos polícias na rua, menor visibilidade policial, menor capacidade de prevenção criminal e menor capacidade de resposta operacional".O sindicato apelou a "uma reestruturação séria, racional e global do dispositivo policial nas grandes cidades, assente em critérios de operacionalidade, eficácia, racionalização de recursos e verdadeira proximidade às populações".Uma reorganização que deve ser acompanhada pela melhoria das condições salariais e de trabalho, o reforço efetivo de recursos humanos e a modernização de equipamentos, meios e infraestruturas, disse o SINAPOL.O sindicato recomendou ao ministro da Administração interna que "desencadeie imediatamente um processo negocial sério com vista à valorização profissional e salarial" dos agentes de polícia.Na mesma entrevista, Luís Neves admitiu que “eventualmente pode ter falhado a vigilância e o controlo” interno sobre o que se estava a passar na esquadra da PSP do Rato, em Lisboa.A PSP e o Ministério Público já realizaram três operações no âmbito dos casos de tortura e violações na esquadra do Rato, sobretudo a pessoas vulneráveis, como toxicodependentes, sem-abrigo e imigrantes.No total foram detidos 24 polícias – dois chefes e 22 agentes – e 13 estão em prisão preventiva.Muitos desses abusos foram filmados e partilhados, em grupos na plataforma WhatsApp, com dezenas de outros agentes. .Luís Neves antecipa que vá haver mais entradas do que saídas na PSP.Luís Neves volta a afastar ligação entre crime e imigração após ser considerado "escolha acertada" pelo Chega