Ministério Público garante que não foi apreeendido o telemóvel do diretor da PJ durante as buscas
O Ministério Público esclareceu na tarde desta quarta-feira (23) que "não foi apreeendido o telemóvel do Diretor Nacional da Polícia Judiciária", no âmbito das buscas efetuadas na instalações da PJ.
"Esclarece-se que, tendo em conta notícias que vieram a público, no decurso das diligências de busca e apreensão, realizadas hoje, e que visam a recolha de elementos probatórios tendentes a confirmar ou infirmar os factos contantes da denúncia que deu origem ao inquérito, não foi apreendido o telemóvel do Diretor Nacional da Polícia Judiciária", escreve o Ministério Público (MP) em comunicado enviado às redações.
As buscas efetuadas na Unidade de Prevenção e Apoio Tecnológico da Polícia Judiciária - e depois alargadas à sede nacional da PJ, segundo a agência Lusa - estão relacionadas com uma denúncia contra o diretor Carlos Cabreiro, decorrente do processo Football Leaks. O coordenador da PJ David Freitas alegou que o agora diretor daquela polícia mentiu em tribunal ao dizer que não foram feitas escutas no terreno.
Segundo o Correio da Manhã, o posto de trabalho de David Freitas foi igualmente alvo de buscas, tendo o seu telemóvel sido apreendido.
Na sede da PJ, o gabinete de Carlos Cabreiro terá sido alvo das diligências dos inspetores do Ministério Público, incluindo o escrutínio do computador do diretor nacional da Judiciária.
A PJ confirmou que foram realizadas "diligências processuais nas suas instalações", no âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público. Em comunicado, garantiu que colaborou com as autoridades judiciárias, prestando todo o apoio necessário ao normal desenvolvimento das diligências e afirmou que, por tratar-se de matéria sob investigação, não fará, nesta fase, outros comentários.
A PGR também confirmou as buscas, esclarecendo que se investiga a "eventual prática dos crimes de abuso de poder e de falsidade de testemunho agravada".
Em comunicado, esclareceu que as diligências de busca e apreensão desta quarta-feira contam com a presença de diversos magistrados do Ministério Público, inspetores da Autoridade Tributária e peritos informáticos que coadjuvam a operação, e visam a recolha de elementos probatórios tendentes a confirmar ou infirmar os factos contantes da denúncia que deu origem ao inquérito.
Na sequência da denúncia de David Freitas, feita em julho, o diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Carlos Cabreiro, fez saber que mantém todas as declarações feitas em tribunal no âmbito do processo Football Leaks.
No passado dia 14, a PGR confirmou que o Ministério Público abriu um inquérito ao diretor nacional da PJ e a outros dirigentes daquela polícia. Quatro dias depois, a leitura da sentença da inspetora Aida Freitas (mulher de David Freitas) foi adiada.
O juiz André Marques dos Santos chamou seis operacionais da PJ para apurar se foram feitas ou não escutas ilegais ao advogado Aníbal Pinto no âmbito do caso Football Leaks, segundo avançou o Público. Além de David Freitas, o juiz vai ouvir quatro inspetores da PJ que terão feito a escuta ambiental e elaborado um relatório a dar conta do "sucesso" da missão, e o inspetor José Amador, um dos responsáveis pela investigação e que garantiu em tribunal que não tinha havido qualquer escuta.
Na denúncia enviada ao procurador-geral da República, David Freitas disse ter encontrado uma ordem de missão pedida por Cabreiro - que na época era diretor da unidade de combate ao cibercrime da PJ - para se fazerem as escutas e um relatório sobre a diligência assinado pelos quatro inspetores agora chamados a depor em tribunal.
A escuta em causa terá, segundo a denúncia, registado um encontro entre o advogado Aníbal Pinto, o dono da Doyen, Nélio Lucas numa área de serviço de Oeiras. Terá permitido à PJ chegar à identificação de Rui Pinto.
A PGR nota que o processo não tem arguidos constituídos e encontra-se em segredo de justiça.
* atualizado às 18.08
