Diretor nacional da PJ é denunciado por abuso de poder
O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Carlos Cabreiro, é alvo de uma denúncia de abuso de poder, por alegadas mentiras em tribunal e escuta ilegal no caso do hacker Rui Pinto. Cabreiro está no cargo desde abril, escolhido para ocupar o lugar de Luís Neves.
A notícia da denúncia é avançada pelo Expresso. Segundo explica o jornal, a participação na Procuradoria Geral da República (PGR) é de David Freitas, coordenador de investigação criminal na PJ. Contatado pelo DN, Freitas limitou-se a dizer que o caso "está em sede de investigação".
De acordo com a denúncia, Cabreiro, quando atuava como investigador, ordenou uma escuta no caso do hacker português, mesmo que tenha sido proibida pelo Ministério Público (MP). Na altura, Cabreiro liderava a Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T).
A escuta em causa será colocada em um encontro entre o advogado Aníbal Pinto, que representava Rui Pinto. O ano era 2015 e a identidade do hacker ainda não era conhecida pela PJ, sendo este encontro decisivo para a descoberta. Em tribunal, os inspetores envolvidos afirmaram que não havia escuta e que ouviram a conversa por estarem no local. Cabreiro, também ouvido como testemunha, garantiu que não houve uso ao recurso de escuta.
Na denúncia encaminhada à PGR, David Freitas afirma que há uma "notória divergência” entre “os elementos documentais existentes" e o “teor dos depoimentos prestados em tribunal”. O DN contatou a PJ sobre o tema e aguarda resposta. Ao Expresso, o diretor optou por não responder às perguntas colocadas pelo jornal.
