Carlos Cabreiro é oficialmente o novo diretor nacional da PJ.
Carlos Cabreiro é oficialmente o novo diretor nacional da PJ.Foto: Paulo Spranger

"Entusiasmo e espírito de corpo". Carlos Cabreiro toma posse como diretor nacional da PJ

Carlos Manuel Antão Cabreiro, cujo mandato será de três anos, está há mais de 30 anos na Judiciária e, aos 59, atinge o mais alto cargo dentro desta força de segurança.
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Com um discurso emotivo ao falar da família, Carlos Cabreiro tomou posse como diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ). Começou por afirmar que assume o cargo com “entusiasmo e espírito de corpo” e agradeceu a “confiança” depositada na sua escolha.

No discurso, deixou palavras de “incentivo, de ânimo e de forte motivação” aos profissionais da PJ, em todas as categorias. “Conto com a vossa determinação para trilhar um caminho de sucesso, projetando a PJ como uma referência”, disse.

O novo diretor nacional deixou um agradecimento especial ao antecessor, Luís Neves, que assistiu à cerimónia de posse. “Estamos bem cientes do desafio, e ser o sucessor tornará esse desafio seguramente maior”, destacou. Acrescentou ainda que as pessoas “podem contar com homens e mulheres que constroem a PJ”, profissionais com “entrega à causa pública”.

Sobre o futuro, afirmou que a direção nacional vai apostar no "processo de inovação através da transição digital" e que irá "fomentar o desenvolvimento de projetos de modernização" e Inteligência Artificial (IA). Em relação ao crime, promete especial foco contra a criminalidade violenta, crime organizado e tráfico de droga, além de todos os tipos de cibercriminalidade.

Também vincou estar atento ao panorama mostrado no Relatório Anual da Segurança Interna (RASI). "Estamos conscientes que as linhas de ação prioritárias da Polícia Judiciária, tendo em conta os dados avançados pelo Relatório Anual de Segurança Interna, terão necessariamente que incidir sobre o combate a atividades ilícitas que contribuem para o sentimento geral e perceção de insegurança", declarou.

Elencou como atividades o "combate à criminalidade económico-financeira, nomeadamente a corrupção e criminalidade conexa, focados na recuperação de ativos", o "combate ao crime organizado e mitigação da sua incidência em território nacional, incluindo a capacidade de infiltração nos organismos públicos", a criminalidade informática e contra infraestruturas críticas, além da "criminalidade de massas, geradora de alarme social e danosidade patrimonial dos cidadãos".

Montenegro diz que "disuassão é a melhor prevenção"

No discurso, o primeiro-ministro Luís Montenegro ressaltou no discurso que o RASI deve nortear o trabalho da PJ. Disse que o documento tem "sinais preocupantes" relacionados com a criminalidade grave, violenta e sofisticada. Citou também a corrupção, que "frustra, limita e comprime a capacidade de progresso e crescimento económico".

Na visão do primeiro-ministro, a "disuassão" é a melhor prevenção, para que as pessoas pensam que "não vale a pena prevaricar, que há uma consequência em termos de penalização". Afirmou esperar da PJ a continuidade dos "meios efetivos de presença, visibilidade, celeridade, efetividade".

Mais de 30 anos na PJ

O nome de Cabreiro, até então diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T), tornou-se conhecido a 31 de março. O DN apurou que o nome escolhido pelo Governo foi bem recebido na Judiciária.

Carlos Manuel Antão Cabreiro, cujo mandato será de três anos, está há quase 35 anos na Judiciária e, aos 59, atinge o mais alto cargo dentro desta força de segurança. A maior parte da carreira do polícia está ligada à criminalidade informática e económica.

Foi a ação da unidade comandada por Cabreiro que deteve o hacker Rui Pinto, criador do Football Leaks, onde denunciou várias situações relacionadas com o futebol, nomeadamente em Portugal e envolvendo o Benfica. Outro caso que envolveu a UNC3T foi a detenção de Paulo Abreu dos Santos, advogado e ex-adjunto da antiga ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, acusado de centenas de crimes de pornografia infantil e de dois de abuso sexual de menores.

*Em atualização

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