A Polícia Judiciária (PJ) esteve esta terça-feira, 20 de janeiro, no terreno a cumprir mais de seis dezenas de mandatos de busca contra alegados membros do grupo ultranacionalista 1143, liderado por Mário Machado. Um dos mandados visa a própria cela de Machado na cadeia, onde está a cumprir uma pena de dois anos e 10 meses, por crime de incitamento ao ódio.As autoridades suspeitam que Mário Machado dirigia operações a partir da cadeia, através de acesso a telefones e de intermediários que o visitavam. .Segundo um comunicado entretanto enviado pela PJ, desta operação resultaram 37 detidos, "suspeitos com vastos antecedentes criminais e com ligações a grupos de ódio internacionais". .Grupo neonazi 1143 alvo de mega operação da PJ. Há 37 detidos. "Os detidos, com idades compreendidas entre os 30 e os 54 anos, adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes", diz a PJ.No decurso desta operação, denominada Irmandade, na qual foram realizadas 65 buscas domiciliárias e não domiciliárias, foram ainda constituídos mais 15 arguidos e foi "apreendido um vasto material de propaganda e merchandising alusivo à ideologia de extrema direita violenta, nomeadamente neonazi, bem como armas diversas", segundo explica a PJ.Segundo o mesmo comunicado, "os visados são suspeitos de terem fundado uma organização criminosa com o exclusivo propósito de desenvolver atividades que incitavam à descriminação, ao ódio e à violência racial, tudo isto no seio de uma estrutura hierárquica e fortemente estabelecida, com distribuição de funções".O objetivo da operação era "desmantelar" esta organização criminosa "responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas", explica.A operação contou com cerca de 300 elementos de diversas unidades da PJ.Os detidos serão presentes na quarta-feira, 21, no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa para primeiro interrogatório judicial, tendo em vista a aplicação das respetivas medidas de coação.Nos últimos dois anos membros e simpatizantes do grupo têm sido identificados ao longo dois últimos dois anos em várias manifestações e ações que foram consideradas pelas autoridades como de incitamento ao ódio e à discriminação. Há também suspeitas de envolvimento de alguns dos membros do 1143 na preparação e execução de agressões violentas contra imigrantes. como foi o caso que ocorreu na estação de serviço de Aveiras, em outubro passado. O inquérito, titulado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa investiga, entre outros, crimes de associação criminosa, ofensas à integridade física e de incitamento ao ódio e à violência, enquadrados pelos artigos 240 do Código de Processo Penal, respetivamente (ver mais abaixo) que determina pena de prisão a quem incite à violência, difame, injurie ou ameace pessoas ou grupos por motivos de raça, cor, origem étnica, nacionalidade, religião, sexo, orientação sexual, identidade de género ou deficiência.Em 2025, vários membros associados ao Grupo 1143 estiveram envolvidos em manifestações em Lisboa e noutras cidades, algumas das quais resultaram em intervenções policiais, identificações e detenções no contexto de distúrbios da ordem pública. Durante uma manifestação realizada em 25 de abril de 2025, em Lisboa, elementos ligados ao grupo, entre os quais o próprio Mário Machado, foram detidos pela polícia após confrontos registados no decurso das ações.Ao longo de 2024 e 2025, foram noticiadas na imprensa investigações em curso relacionadas com a atividade de membros ou simpatizantes do Grupo 1143, incluindo averiguações sobre comunicações digitais, contatos entre membros e eventuais preparações de ações violentas..O que fez o neonazi Mário Machado e o que é o grupo 1143, sob suspeita de ser uma organização criminosa?