Medicamento experimental ajudou pacientes com cancro do pâncreas a viver mais tempo
DR

Medicamento experimental ajudou pacientes com cancro do pâncreas a viver mais tempo

A toma diária de daraxonrasib quase duplicou o tempo de sobrevivência dos doentes, com menos efeitos secundários, em comparação com a quimioterapia.
Publicado a
Atualizado a

Não cura o cancro do pâncreas, mas, de acordo com os investigadores que lideraram um estudo com um medicamento experimental, este constitui um grande avanço na luta contra esta doença. Este medicamento, de toma diária, ajudou as pessoas com cancro pancreático avançado a viver mais tempo, aumentando as esperanças de tratamentos melhores para este que é um dos tipos de cancro mais letais.

O medicamento, sob a forma de comprimido, chama-se daraxonrasib e bloqueia uma proteína mutada que alimenta o crescimento tumoral em mais de 90% dos casos de cancro pancreático, segundo o estudo publicado no New England Journal of Medicine. A toma deste medicamento quase duplicou o tempo de sobrevivência dos doentes, com menos efeitos secundários, anunciaram este domingo, 31 de maio, os investigadores na reunião da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em Chicago.

Participaram neste estudo 500 pacientes com cancro metastático, ou seja, disseminado, que tinham deixado de responder ao tratamento anterior. De forma aleatória, uns tomaram o medicamento experimental enquanto a outros foi administrada mais quimioterapia. As conclusões do estudo mostram que aqueles que tomaram daraxonrasib viveram uma média de 13,2 meses, em comparação com 6,7 meses para os que receberam quimioterapia.

"Embora não cure o cancro, é um grande passo em frente", disse o Dr. Zev Wainberg, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, citado pela agência Associated Press, realçando que embora as conclusões não pareçam uma grande melhoria, mostram na verdade um avanço substancial sobre a quimioterapia.

Brian Wolpin, do Instituto de Cancro Dana-Farber, afirmou que o medicamento deverá tornar-se “um novo padrão de tratamento” para o cancro pancreático metastático previamente tratado, acrescentando que os investigadores irão também explorar a sua utilização em fases mais precoces da doença, incluindo para verificar se a redução do tumor pode permitir que mais doentes se qualifiquem para a cirurgia.

Este medicamento chamou a atenção da opinião pública quando o ex-senador norte-americano Ben Sasse descreveu no programa “60 Minutes”, da CBS, como sentiu menos dor ao tomá-lo.

De acordo com os investigadores, os efeitos secundários que se poderão manifestar devido à toma de daraxonrasib são erupções cutâneas, que podem ser graves, e feridas na boca.

Medicamento experimental ajudou pacientes com cancro do pâncreas a viver mais tempo
Incidência do cancro do pâncreas cresce mas investigação já permite curas iniciais
Diário de Notícias
www.dn.pt