Livre pede "posição firme" a António José Seguro sobre carga policial nas manifestações pela habitação
Tal como o PCP e Bloco de Esquerda, também o Livre se fez representar nas manifestações por uma habitação justa e reivindica o retrocesso na lei do arrendamento aprovada no Parlamento. Jorge Pinto e Filipa Pinto, deputados do partido, estiveram na concentração no Porto e este sábado, dia 25 de outubro, o novo co-porta-voz pediu ao Presidente da República, António José Seguro, “uma posição firme” sobre as intervenções policiais nas acampadas. Indicou ainda que vai voltar a pedir explicações ao Ministério da Administração Interna.
Em publicação na rede social na rede social Bluesky, Jorge Pinto garantiu que "na reunião que teremos com o Presidente da República", o partido irá "insistir com António José Seguro para que tenha uma posição firme sobre o que aconteceu nas últimas semanas. O silêncio a que nos habituou o primeiro-ministro não pode ser o silêncio do Presidente da República”, afirmou o deputado e ex-candidato presidencial.
Recorde-se que o Presidente da República convocou os partidos com representação parlamentar para audiências sobre coesão social, que vão acontecer na quinta-feira, dia seguinte à discussão e votação do Orçamento do Estado para 2027. Dedicou atenções ao tema incluindo-o na agenda para o Conselho de Estado de 2 de novembro. Embora Seguro tenha dito que é crucial "a habitação digna como direito constitucional", não se pronunciou abertamente sobre a ação policial anterior.
Jorge Pinto diz que voltará a pedir explicações ao Ministério da Administração Interna, querendo saber “quem deu as ordens e como foi possível ter acontecido”. “O primeiro-ministro estava preocupado com a importação de modelos de manifestação; esperemos é que não se importe a brutalidade policial que vemos noutros países. Portugal merece mais”, salientou ainda, acusando que "o Governo e os partidos à direita não conseguem ter resposta", correlacionando com esta opinião o bastão como "saída fácil."
A outra porta-voz do partido e líder parlamentar, Isabel Mendes Lopes, usou a mesma rede social para classificar a última noite como “pavorosa”. “A democracia também se perde quando o Estado escolhe a violência sobre os seus cidadãos e cidadãs. E esta noite foi uma escolha deliberada e planeada, o que ainda é mais inadmissível”, criticou, qualificando assim a concertação das investidas em Lisboa e Porto, feitas quase em simultâneo.
Também o deputado e anterior porta-voz do Livre Rui Tavares criticou "cargas policiais juridicamente obtusas e politicamente desastrosas" e apelou ao primeiro-ministro que "recue já na lei das rendas".
A polícia dispersou hoje, à bastonada, as manifestações pelo direito à habitação, em duas ações em simultâneo em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens de dispersão não acatadas, para retirarem as tendas montadas pelos manifestantes pelo direito à habitação. A PSP relatou sete feridos e 31 detidos por desobediência. A organização da Acampada mencionava mais de duas dezenas de cidadãos assistidos no Hospital de S. José.
*Com Lusa.
