Lisboa. Acampada decide voltar a acampar no Rossio este sábado
O movimento Acampada de Lisboa decidiu esta sexta-feira à noite, em assembleia popular no Bairro do Condado, voltar a acampar, no sábado, na Praça do Rossio e fazer "conchinha massiva" no aeroporto de Lisboa, em data a definir.
A proposta de voltar a montar as tendas no Rossio, no sábado às 19h00, foi aprovada por unanimidade, entre a cerca de uma centena de manifestantes reunidos em assembleia popular, que terminou com um minuto de silêncio em conchinha pelo direito à habitação.
Na quinta-feira à noite, a Acampada de Lisboa pela habitação, que se tem concentrado desde sábado na praça do Rossio, decidiu deslocar-se esta sexta-feira para Marvila para participar na vigília contra o despejo de uma jovem mãe viúva, com dois filhos menores de 2 e 4 anos, de uma casa municipal.
A jovem viúva que foi despejada tem dois filhos menores, com 4 e 2 anos, vivia numa habitação municipal no Bairro do Condado, em Marvila, pagava as rendas e procurou regularizar o contrato de arrendamento, na sequência da morte dos dois titulares, o companheiro e pai das crianças e a avó deste, que morreram em 2024.
O movimento Acampada de Lisboa promove no sábado uma manifestação contra a especulação e pelo direito à habitação, que sairá do Marquês de Pombal pelas 15h00 rumo à praça do Rossio.
A manifestação «Não temos casa, montamos tendas!» partirá da rotunda do Marquês de Pombal e terminará na Praça do Rossio, onde, desde o passado sábado, centenas de pessoas têm-se juntado todos os dias a exigir medidas para resolver a crise da habitação.
Nas exigências concretas ao Governo, a Acampada de Lisboa pretende a reversão da lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional e que seja travada a aquisição de habitação por parte de fundos imobiliários.
Além disso, é ainda exigido o aumento de habitação pública, a aplicação de tetos às rendas - verdadeiramente acessíveis, além da iniciativa pública de recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais.
Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.
As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.
A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.
Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.
